Nos primeiros anos de funcionamento, o Pré-Universitário Popular Alternativa conquistou algo que foi de suma importância para a sobrevivência do projeto: a liberação da venda da meia passagem de ônibus para seus educandos!

Tudo começou no ano de 2005, quando educadores e educadoras perceberam que a dificuldade de locomoção era um fator que influenciava muito na evasão dos educandos. Muitos moravam longe dos locais onde as aulas ocorriam na época, o Colégio Estadual de Ensino Médio Cilon Rosa, na região central de Santa Maria. Em decorrência dessa localização, os educandos dependiam do transporte coletivo municipal para frequentar o curso. Porém, muitos não tinham condições de pagar o preço integral da passagem de ônibus todos os dias, sendo este, portanto, um dos principais motivos de desistências dos estudantes ao longo dos anos.

A mobilização:

Detectado o problema, um grupo de educadores e educadoras do Alternativa iniciou um processo de mobilização, juntamente com educadores e educadoras do Práxis Coletivo Popular (projeto também surgido na UFSM) para tentar minimizar esta situação que era comum aos dois pré-universitários populares.

É importante destacarmos aqui também a participação de educandos e educandas nesta mobilização para a conquista da meia passagem, já que a partir do momento em que teve início a busca por este direito junto à prefeitura, o que ocorreu foi um verdadeiro embate com os empresários donos das empresas de transporte da cidade, representados pela ATU (Associação dos Transportadores Urbanos).

Em um primeiro momento, o Conselho Municipal de Transporte (CMT), órgão ligado à prefeitura, aprovou o pedido de meia-passagem dos pré-universitários ligados a UFSM. Foi a partir desta decisão que aquele grupo empresarial passou a fazer uma grande pressão dentro da prefeitura e por meio da imprensa para que este direito não fosse cumprido.

É importante destacar que com o reconhecimento do vínculo dos pré-universitários populares com a UFSM, a prefeitura municipal de Santa Maria encontrou uma base legal (lei municipal Nº 562) para manter a decisão do CMT de liberação da meia passagem.

Dentro deste contexto é que dizemos que a união entre educadores(as) e educandos(as) na luta pela meia passagem foi uma ação política, surgida de um trabalho de conscientização e diálogo entre estas duas partes! Desta conscientização é que resultou uma série de manifestações dos educandos e educadores pelas ruas da cidade para reivindicar um direito que era (e ainda é) garantido por lei. Destacamos aqui também o apoio do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFSM e alguns movimentos sociais naquelas mobilizações.

A conquista!

Após toda esta luta para assegurar um direito previsto em lei, no final do mês de setembro de 2005, a meia passagem foi então liberada na ATU, e até o presente momento todos os educandos do Alternativa não precisam pagar o valor integral da tarifa de ônibus. Por isso dizemos que esta foi uma conquista que deve ser lembrada na história do PUPA, não só por sua importância na diminuição da evasão dos estudantes, mas também pelo o que representou em termos de educação popular, com a união de educadores e educandos na luta consciente por uma sociedade menos injusta. Com certeza a conquista da meia-passagem contribuiu muito para um amadurecimento de ideias dentro do Alternativa no que se refere a uma educação dialógica e reflexiva, servindo de exemplo para outras ações políticas de transformação da sociedade nos anos seguintes. 

 

Capa Jornal

Capa do Jornal A Razão, de 27 de setembro de 2005. Fonte: Acervo do Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria.

Reportagem Jornal

Reportagem do Jornal A Razão, de 28 de setembro de 2005. Fonte: Acervo do Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria.