Avaliando ondas sonoras

Estudo mede a qualidade acústica de salas de aula da UFSM

Publicado em: 09/02/2017 às 17:14:20

Ao longo de nossas vidas frequentamos diversos tipos de ambientes. Quem tem formação superior, por exemplo, teve que frequentar salas de aula por no mínimo 15 anos – considerando apenas do ensino fundamental até a graduação. Daí a importância de estar em um local que tenha boa qualidade acústica principalmente em ambientes que envolvem processos de ensino-aprendizagem.

 Fonte sonora utilizada em experimentos de acústica nas salas. Foto: Lia Matias.

 

Um estudo realizado em 2012 na UFSM apontou que as salas de aula do Centro de Tecnologia, em que foram realizadas as análises, têm uma qualidade acústica apenas aceitável, com Índice de Transmissão de Fala (STI) inferior a 0.6. O STI é um dos parâmetros objetivos de avaliação da fala e leva em consideração a inteligibilidade da fala (IF) na sala. Ele varia de < 0.30, que significa uma IF ruim, até 0.75, uma IF excelente. Essa inteligibilidade considera dois fatores: ruído e reverberação. O tempo de reverberação depende do volume da sala e de sua quantidade de absorção sonora.

 Foto: Lia Matias

A análise foi realizada pelo professor de Engenharia Acústica da UFSM, Eric Brandão, junto com um aluno. As medições ocorreram em um feriado para evitar a influência de barulho de transito, pessoas circulando pelos corredores do prédio ou salas de aula ocupadas. O professor explica que nos cálculos o ruído não foi considerado, somente a reverberação. O que quer dizer que em aplicações realistas o valor do STI seria ainda menor. Ele pontua ainda que a “planta” das salas medidas é muito semelhante a de outras salas de aula e que esse estudo é, portanto, representativo.

 

“No Brasil é relativamente raro encontrar uma sala de aula típica com boas condições acústicas.” Brandão chegou a essa conclusão após conversas com pessoas da área e análises realizadas por outros pesquisadores. Ele cita que existem estudos que relacionam inclusive a qualidade acústica do ambiente ao esforço vocal do professor e até ao tempo que ele passa de licença médica por conta disso.

 

A acústica de salas

 

A disciplina da acústica de salas tem o objetivo de explicar de que maneira ocorre a propagação do som no interior de um ambiente e como a propagação de ondas no interior desse ambiente pode ser controlada para que o local esteja adequado a sua finalidade. Enquanto ministrava as aulas no curso de Engenharia Acústica, que é a primeira graduação específica dessa área criada no Brasil, o professor observou que havia um déficit de livros brasileiros sobre o tema e que na literatura estrangeira dificilmente um livro concentrava todos os temas abordados em aula. Assim começaram a surgir as primeiras notas de aula que se transformaram em uma apostila e posteriormente no livro “Acústica de salas: projeto e modelagem”.

 Foto: Lia Matias

Entre as primeiras notas até a conclusão do livro se passaram aproximadamente 4 anos. A obra apresenta desde os conceitos e fundamentos da acústica de salas, os parâmetros objetivos que quantificam a percepção acústica subjetiva de um ambiente até as diretrizes gerais para projetos como salas de aula, estúdios de gravação, templos religiosos, casas noturnas entre outros locais.

 

As reações às 650 páginas começaram a aparecer de pessoas de dentro e fora do país e inclusive de estudiosos que são referência na área. Segundo o professor, seu intuito ao escrever o livro foi de criar uma consciência sobre a necessidade de se investir na qualidade acústica dos ambientes e contribuir para que se proliferem bons projetos acústicos no Brasil.

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Repórter: Gabriele Wagner de Souza