A Universidade além da formação

Uma universidade mais aberta, cidadã e acolhedora da diversidade artística e cultural: essa é a proposta do Viva o Campus, um projeto da Pró-Reitoria de Extensão da UFSM estreado em 2014. Criado com o objetivo de oferecer à comunidade santa-mariense uma programação de entretenimento, o Viva o Campus associa cultura, lazer e convívio social nos finais de semana. Com atividades mensais, a Universidade tenta dialogar com a comunidade para construir o projeto em conjunto, como conta o secretário executivo da Pró-Reitoria de Extensão (PRE) Adriano de Souza: “Criamos uma dinâmica que tenta acolher e trabalhar de acordo com as demandas das pessoas da cidade, já que a Universidade é um espaço público”.


Nos finais de semana, o espaço verde do campus da UFSM em Camobi atrai famílias e grupos de amigos – não necessariamente vinculados à instituição – que encontram no local um espaço de descanso para tomar chimarrão, passear, andar de bicicleta ou fazer um piquenique. A secretária Mara Bianchini conta que costuma visitar o campus com frequência: “Eu venho caminhar durante a semana, venho também em final de semana, até quando não tem atividade. Moro perto, venho sempre com a família.”



O Viva o Campus visa oferecer atividades a pessoas como Mara, que já frequentavam a UFSM, e também atrair outros visitantes. Segundo a Técnica em Assuntos Educacionais da PRE Jaciele Sell, o projeto realiza oficinas e intervenções artísticas, que variam de acordo com a programação para o mês: “O projeto traz atividades que não acontecem no dia a dia da Universidade, como apresentação de bandas, atividades com movimentos sociais e exercícios físicos orientados”. A UFSM ainda acrescentou uma série de itens para tornar o campus mais agradável também em dias sem atividades marcadas, como a instalação de banheiros químicos e de quentinhas para chimarrão.
No entanto, o Viva o Campus esbarra em fatores que dificultam a sua difusão para além das proximidades do campus. O alto valor da tarifa de ônibus atual, junto com a redução de horários e linhas nos fins de semana, apresenta-se como empecilho para o deslocamento de moradores de bairros mais afastados até o campus. Fabricio Cardoso, que se apresentou na Virada Cultural (projeto que ofereceu 24 horas de apresentações artísticas no campus, promovido pelo Viva o Campus) juntamente com seu grupo de rap, o Estampa da Quebrada, conta que, na data, passou a madrugada no campus dormindo pelas redondezas: “A gente não tinha condições de pagar pra ir e voltar de novo, tá cara a passagem, a gente resolveu ficar.”


Enquanto o Viva o Campus aos poucos se insere na rotina da comunidade, a PRE trabalha para aprimorá-lo, de modo que contemple a pluralidade, e não só o público já frequentador desse espaço. Assim, a UFSM torna-se cada vez mais cidadã, ao passo que contribui para a formação não somente da comunidade universitária, mas também de toda Santa Maria.

 

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Repórter: Aline Witt