Fotógrafo utiliza contradispositivos para produzir e ressignificar retratos fotográficos

Retratar é a ação que visa representar a imagem de uma pessoa real, seja através de desenho, pintura, gravura ou fotografia. Intitulada Dispositivo e Contradispositivo na Construção Poética do Retrato, a dissertação de mestrado em Artes Visuais do fotógrafo Rafael Happke – defendida em junho de 2015 no Programa de Pós-Graduação em Artes da UFSM – teve como elemento central da pesquisa o retrato fotográfico.

 


Happke busca investigar o retrato fotográfico, no âmbito de sua poética, através do uso do dispositivo e do contradispositivo. A poética, no trabalho, tem ligação direta com o termo grego poiesis, que significa criação, produção. “É o processo de construção e reflexão da fotografia. Às vezes as pessoas confundem, não é a questão de ser uma foto artística, mas sim o processo de construção desse retrato”, afirma Happke.

 


Sob a orientação da professora Darci Raquel Fonseca, técnicas foram criadas pelo fotógrafo para produzir efeitos em suas fotografias. O equipamento padrão usado para capturar os retratos foi uma câmera digital profissional, mas os efeitos produzidos nas fotos se devem aos contradispositivos pensados para a produção dos retratos. “Eles transformam aquilo que o dispositivo – a câmera fotográfica digital – tem a capacidade de capturar”, explica o pesquisador. Uma espécie de câmera escura com pedaços de vidro pontilhado dentro foi um dos contradispositivos usados por Happke. Ele trabalhou, ainda, com jogo de espelhos e reflexos para a produção dos efeitos nos retratos.

 

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Repórter: Guilherme Denardin Gabbi
Fotografias: Rafael Happke