Prevenção é a única forma de controle da raiva em animais

O médico veterinário Eduardo Furtado tira dúvidas sobre a transmissão da doença

Publicado em 25/08/2017 às 18:13

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A raiva é uma doença infecciosa provocada por um vírus que ataca o sistema neurológico dos animais, normalmente sendo transmitida através da mordida. O vírus pode atuar de duas formas diferentes no organismo dos animais: a furiosa e a paralítica. A forma furiosa é mais frequente em cães e gatos, que apresentam alterações de comportamento como inquietação, agressividade, fotofobia (aversão à luz) e salivação. Na forma paralítica, que ocorre na maioria dos casos em herbívoros, o animal apresenta dificuldade de deglutição, salivação, ataxia (perda do controle muscular) e paralisia.

 

Todos os anos, o curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) realiza uma campanha de vacinação contra a raiva, onde acadêmicos se estabelecem em diversos pontos de Santa Maria para vacinar cães e gatos. Para sanar algumas dúvidas comuns sobre a doença, conversamos com o professor do Laboratório de Virologia da UFSM, Eduardo Furtado Flores, confira:

 

Arco: Qualquer mordida de cachorro transmite raiva?

Eduardo Furtado Flores: Não, a raiva é transmitida apenas por animais que estejam doentes. Felizmente, a raiva canina tem se tornado cada vez mais rara no Brasil, graças à vacinação. No ano passado, foram relatados pouquíssimos casos de raiva em cães no país, e no Rio Grande do Sul não ocorrem casos de raiva em cães há muitos anos.

 

Arco: Somente cães e gatos que são transmissores do vírus?

EFF: Morcegos hematófagos que tenham o vírus ou outros animais (canídeos silvestres, por exemplo) também podem transmitir. Ou seja, a doença pode também ser transmitidas por esses outros animais, desde que eles estejam doentes.

 

Arco: O que uma pessoa deve fazer caso seja mordida? Quais são os sintomas apresentados em humanos?

EFF: Lavar bem a ferida com água e sabão e procurar atendimento médico imediatamente. Entre os diversos sintomas apresentados, há febre, tontura, espasmos musculares, inquietação, irritabilidade, náuseas e sensibilidade à luz.

 

Arco: O que é preciso ser feito com o animal doente? É obrigatório sacrificar?

EFF: Sim. Além disso, a notificação das autoridades da Secretaria de Saúde do município em casos de raiva é obrigatória. Como quem faz o diagnóstico são médicos veterinários, geralmente são eles que avisam. Isso não impede que qualquer pessoa comunique as autoridades da saúde casos suspeitos, de cães agressivos, mordeduras, etc. Cabe a autoridade de saúde investigar se é raiva mesmo.

 

Arco: A vacinação é a única forma de prevenção?

EFF: Há também o combate a morcegos hematófagos em cavernas e também o controle de população de cães de rua, mas a vacinação é a forma principal de prevenção.

 

Arco: Como surgiu a ideia de fazer uma campanha de vacinação todos os anos?

EFF: Essa campanha existe há mais de 40 anos, desde que as autoridades sanitárias pararam de fazer a vacinação oficial. Uma boa parcela dos animais da cidade são imunizados. O ideal seria que um número maior fosse vacinado, mas não tem sido possível. A campanha de vacinação também alerta as pessoas sobre posse responsável, uma atitude positiva em relação a guarda e cuidados que se deve ter com animais de estimação.

 

Repórter: Gabriela Pagel

Fotografia: Pexels