“O Cadena é arroio e não valão”

Programa desenvolvido pela UFSM leva conscientização sobre saneamento e educação ambiental para as escolas públicas

Publicado em 06/06/2018 às 16:45

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O Grupo de Extensão e Pesquisa em Saneamento (GEPS) da UFSM, pensando em formas de melhorar as condições atuais do Arroio Cadena – um local que recebe esgoto sanitário e inúmeros resíduos descartados pela população de Santa Maria -, decidiu agir em conjunto com a comunidade. Em março deste ano, iniciou o programa de extensão Saneamento básico e conscientização ambiental: propostas de medidas mitigadoras e compensatórias para o Arroio Cadena e entorno, que traz propostas que beneficiam o Arroio Cadena e seus arredores, para levar conhecimento sobre saneamento básico e educação ambiental a escolas da rede pública e à comunidade. O programa tem duração de cinco anos.

 

O Arroio Cadena é um dos principais cursos d’água do município. Atravessa 13 bairros e possui trechos que recebem esgoto in natura, sem nenhum tipo de tratamento ou pré-tratados, além da deposição dos resíduos sólidos descartados pela população. “O Cadena é arroio e não valão”, destaca Ana Beatris Souza de Deus Brusa, professora do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental e coordenadora do programa. Ela prioriza o envolvimento com a comunidade para a conscientização sobre os temas que influenciam em melhorias no Arroio.

 

Arroio Cadena

A meta é de que a cada ano a iniciativa seja implementada em uma escola. Em 2018, ocorre na Escola Municipal de Ensino Fundamental Tenente João Pedro Menna Barreto, por estar localizada em frente a um trecho do Arroio Cadena, no bairro Caturrita. As oficinas, no primeiro semestre, estão sendo desenvolvidas com turmas do sexto ao nono ano do ensino fundamental. Em cada uma, serão realizados quatro encontros por temática. A partir de agosto, alunos, pais, funcionários e professores poderão participar de cursos e oficinas de capacitação sobre projetos de engenharia de baixo custo, como a captação de água de chuva, tratamento alternativo de esgoto, tratamento  da água, coleta seletiva, compostagem e vermicompostagem.

 

O programa contará com a parceria do Exército Brasileiro, que auxiliará na implementação das medidas nas escolas, e do Centro de Tecnologia da UFSM. A equipe que Ana Beatris coordena se disponibilizará a ajudar na realização de algumas das alternativas ensinadas pelo programa às famílias da comunidade que se interessarem.

 

O programa conta com a participação de oito acadêmicos, três bolsistas FIEX  e cinco voluntários, dos cursos de Engenharia Civil e Engenharia Sanitária e Ambiental da UFSM, que desenvolvem atividades em sala de aula sobre água, esgoto sanitário, drenagem urbana e resíduos sólidos pela perspectiva da saúde pública. O objetivo é que alguns dos alunos se juntem à equipe para outras atividades, a fim de se tornarem multiplicadores do conhecimento após o término do trabalho da equipe na escola.

  

 

Mão na massa

 

Implementar a coleta seletiva e a captação da água da chuva na escola é uma estratégia para torná-la mais sustentável. O adubo produzido a partir da vermicompostagem (um tipo de compostagem com minhocas que acelera o processo de degradação da matéria orgânica produzindo um biofertilizante) será utilizado em uma horta criada pelos alunos com supervisão dos bolsistas. Também será construída uma praça sustentável, arquitetando uma área com materiais que iriam para o lixo, mostrando possibilidades de reaproveitamento. Para executar o sistema de coleta da água, o programa ainda depende de parcerias. “É um custo baixo para as empresas que queiram investir e a redução dos gastos em água para a escola é significativa”, afirma Ana Beatris. O dimensionamento do sistema de captação da água da chuva na escola será feito pela equipe do programa.   

 

São alternativas que podem ser implantadas em residências a fim de diminuir os impactos ambientais que a região sofre. O Arroio Cadena recebe eletrodomésticos, como refrigeradores, animais mortos e outros descartes. Pelo convívio da população com essa situação, ocorre a naturalização do descarte no Arroio. A diretora da escola Ilka Rejane Oliveira Martins, contudo, já percebe os efeitos do programa no cotidiano dos estudantes  “Um dos resultados já vistos é a indignação despertada nos alunos ao ver móveis e eletrodomésticos em trechos do Arroio. Dentro da escola, o cuidado com o desperdício da água, o descarte da merenda e a própria aparência  dos banheiros já foram notados”. 

 

Reportagem e fotografias: Bibiana Pinheiro