Arroz nosso de cada dia

Desde técnicas rudimentares até o desenvolvimento de softwares: como evoluiu o cultivo de um dos cereais mais populares do mundo?

Publicado em 09/08/2018 às 17:17

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Na mesa de milhões de brasileiros todos os dias ao lado do feijão, o arroz é um dos alimentos mais consumidos no país e está também no topo da lista dos cereais mais produzidos e consumidos no mundo. O desenvolvimento genético permitiu o aprimoramento do cultivo, do plantio à colheita, e o aumento da qualidade do produto. Conheça, a seguir, a história de como surgiram as primeiras plantações de arroz e de como chegamos a técnicas de cultivo e softwares tão avançados que podem até mesmo prever a produtividade de uma safra.

 

Pioneirismo asiático

Apesar de a data e o local da origem do cultivo do arroz não serem precisos, as mais antigas  referências ao cereal são encontradas na literatura chinesa há cerca de 5 mil anos. O cultivo, na sua forma mais primitiva, exigia muito da força de trabalho humano. Estima-se também que, devido às condições do terreno extremamente irregular, foi tornando-se comum a técnica de terraceamento – plantação em linhas, que seguem as diferenças de altitude do solo.

 

América do norte

Acredita-se que os escravos africanos foram responsáveis pela disseminação do cultivo em solo estadunidense. Dos conhecimentos obtidos através de africanos escravizados, os proprietários de plantações aprenderam a desviar os pântanos e inundar periodicamente os campos. O arroz era moído manualmente com pás de madeira e, em seguida, peneirado em cestas de amendoim. Mais tarde, a invenção da fábrica de arroz aumentou a rentabilidade da cultura, e a adição de energia hidráulica para os moinhos, em 1787, também foi um importante passo na modernização dos cultivos.

 

Em solo europeu

Ao continente europeu, o arroz foi levado pelos árabes, no século 8, e, a partir daí, difundiu-se nos demais países. Há fortes indícios de que os portugueses introduziram esse cereal na África Ocidental, e os espanhóis foram os responsáveis pela sua disseminação nas Américas. As lavouras eram ainda totalmente manuais, contando com a presença da mão de obra humana e ajuda de alguns animais, o que tornava lento tanto o processo de plantio quanto de colheita.

 

Ascendência gaúcha

Os cultivos foram implantados para subsistência em regiões de sequeiros – aquelas naturalmente alagadas pelas chuvas e com solos que retêm a umidade. Em 1904, em Pelotas, surge a primeira lavoura empresarial de arroz do país, já então irrigada. Já em 1912, graças aos locomóveis (veículos movidos a vapor), que acionavam bombas de irrigação, o processo de inundação das lavouras de arroz no estado foi facilitado. Atualmente, o Rio Grande do Sul ocupa a posição de maior produtor de arroz no Brasil e a tecnologia está cada vez mais presente neste processo

 

“Terra à vista!”

Alguns estudiosos apontam o Brasil como o primeiro país a cultivar esse cereal no continente americano. Acredita-se que muito antes de conhecerem os portugueses, os tupis já colhiam o arroz – que era o “milho d´água” (abati-uaupé) – nos alagados próximos ao litoral. Com a colonização, a disseminação das lavouras – que tinham caráter primordial de subsistência –  ocorreu principalmente em território nordestino. Mas foi a partir do século 18 que o país começou a produzir arroz de forma mais organizada e, daquela época até meados do século 19, se tornou um grande exportador.

 

No coração do Rio grande do sul, surge o SimulArroz

O projeto que deu origem ao SimulArroz teve início em 2003 no Grupo de Agrometeorologia da UFSM. Funcionando como forma de aplicativo, o software é resultado de dois modelos anteriores que foram desenvolvidos e testados em ecossistemas da Ásia. Parte do código fonte desses programas foi utilizada no modelo SimulArroz, com as devidas alterações para as cultivares de arroz do Rio Grande do Sul. Em 2013, durante o Congresso Brasileiro de Arroz Irrigado em Santa Maria, foi lançada a versão 1.0 do software. Seguiram-se dois anos de testes em lavouras comerciais de arroz irrigado em seis regiões do estado, sendo posteriormente introduzidos novos cultivos da planta no software. Este simula diversos processos ecofisiológicos da cultura do arroz durante um dia completo – utilizando como dados a temperatura mínima e máxima diária e a radiação solar global diária, bem como a densidade das plantas e a concentração de gases atmosféricos-, o que permite um maior controle sobre a produtividade da lavoura e uma estimativa das safras.

 

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Reportagem: Tainara Liesenfeld 

Diagramação e Ilustração: Deirdre Holanda