O céu não é o limite

Planetário da UFSM realiza evento para observar o céu à noite

Publicado em 12/12/2018 às 16:36

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Saturno é o único planeta que possui anéis? Os anéis são rígidos? A Estrela D’alva é de fato uma estrela? Qual a melhor fase para observar a lua pelo telescópio? Os questionamentos acerca dos mistérios da galáxia (ou do universo) são muitos.

 

O cientista-astrônomo e escritor norte-americano Carl Sagan escreveu, em 1994, o livro Pálido Ponto Azul. O título faz referência ao planeta Terra pois, na visão de Sagan, é apenas um ponto na imensidão do universo. Um trecho do livro afirma que “a astronomia é uma experiência que forma o caráter e ensina humildade” por reconhecer as limitações de morar em um planeta que é o “único lar que conhecemos”.

 

As ações do Planetário da UFSM têm colaborado para popularizar o conhecimento de astronomia por meio de diversas atividades, como exibição de filmes e organização de exposições. A observação noturna é outra possibilidade aberta à comunidade santa-mariense, permitindo, uma vez por mês, que interessados pelo tema possam ver os astros pelos telescópios.

 

Neste ano, o primeiro evento de observação noturna ocorreu no dia 16 de outubro, durante a Semana Mundial do Espaço, promovido em parceria com o Colégio Politécnico da UFSM.

 

Fotografia: Rafael C. Beltrame


Em 20 de novembro, ocorreu uma nova reunião de interessados para observar o universo à noite. A escolha das datas de realização das atividades depende do clima: se estiver nublado ou chuvoso, não há como observar os astros, portanto quanto mais limpo o céu, melhor.

 

Com dois telescópios da marca Meade e a companhia de quatro monitores que esclarecem as dúvidas do público e reajustam o posicionamento dos aparelhos, acontece a observação noturna. Um dos telescópios, o mais moderno, é um Meade Lx90 e possui um poder de ampliação de imagem de até 300x, o preço deste telescópio pode chegar até 1.500 dólares fora do Brasil. O mais antigo, também da marca Meade, é utilizado para observar a lua porque o foco não alcança precisamente os planetas.

 

O número de participantes é limitado, por isso, é necessário retirar uma senha no Planetário no decorrer do dia da atividade. Segundo a bolsista do Planetário e estudante de Física Giovana Stefani,  “as turmas são pequenas, porque a cada minuto observado são necessários pelo menos dois monitores ajustando os telescópios”. Geralmente são abertas vagas para 30 pessoas – 15 em cada telescópio. Durante a atividade, são observados a lua e os planetas vizinhos da Terra, com exceção de Mercúrio, por causa de sua proximidade em relação ao sol.

 

OS PLANETAS DO SISTEMA SOLAR

Os quatro primeiros planetas do Sistema Solar – Mercúrio, Vênus, Terra e Marte – são rochosos, e os outros quatro – Júpiter, Saturno, Urano e Netuno – são gasosos.

 

 

VÊNUS: É o planeta mais próximo da Terra e o segundo do Sistema Solar. Diariamente, é o primeiro astro que aparece no céu e é conhecido como Estrela D’alva – “A primeira estrela do céu”, na verdade, é um planeta. Vênus tem fases semelhantes às da lua, que são o resultado do posicionamento desse planeta com relação ao Sol e à Terra e aos outros planetas da Via Láctea.

 

 

JÚPITER: É o maior planeta do Sistema Solar e possui anéis formados por partículas de poeira. É possível enxergá-lo com o telescópio, juntamente com seus principais satélites naturais – as quatro luas galileanas, que possuem esse nome por terem sido descobertas por Galileu Galilei em 1610. Além disso, é possível ver a atmosfera, ou seja, as nuvens de Júpiter.

 

 

MARTE: Marte é o quarto planeta a partir do sol. É possível notar a diferença de Marte em relação às estrelas porque ele é bem mais alaranjado, graças à presença de óxido de ferro em sua superfície. Esta característica lhe rendeu a descrição de Planeta Vermelho.

 

 

SATURNO: É possível enxergar o planeta e seus anéis! O planeta é gasoso, possui um pequeno núcleo rochoso, seguido de uma camada de hidrogênio metálico e hélio. Sua atmosfera é composta basicamente por hidrogênio. Os anéis de saturno são formados por várias partículas pequenas de gelo e poeira, portanto, eles não são rígidos.

 

 

LUA: É possível ver as crateras da lua, porém o ideal é que a lua esteja na fase crescente para uma melhor observação. O período da lua cheia não é bom para observá-la pelo telescópio, porque a luz do Sol quase não produz sombra no satélite e dificulta para enxergar as crateras do solo lunar.

 

 

ESTRELAS: Utilizando o telescópio, é possível observar as constelações de forma mais próxima, mas não os detalhes das estrelas, por causa da grande distância em relação à Terra. As constelações são desenhos imaginários criados na antiguidade e que possuem coordenadas específicas no céu. É mais fácil avistá-las a olho nu do que pelo telescópio, porque ele só foca em objetos específicos e mais próximos da Terra. A característica das estrelas possuírem um formato reconhecível no céu noturno é chamado de asterismo.

Uma das constelações observáveis da região sul do Brasil é a constelação de Órion. Ela forma o desenho de um guerreiro e seu cinturão e é formado por três estrelas, popularmente conhecidas como as Três Marias.

 

Durante o mês de dezembro, o Planetário da UFSM completa 47 anos. Além de ser o planetário mais antigo do Rio Grande do Sul, ele também é o primeiro a ser construído numa cidade do interior, tendo sido inaugurado no dia 14 de dezembro de 1971.

 

A semana de comemorações teve início no dia 9 de dezembro, com a sessão do filme Maravilhas do Universo, e encerrará com a observação noturna no dia 13 de dezembro, que será realizada no terraço da Biblioteca do Centro de Ciências Sociais e Humanas (CCSH) às 20h.

 

Para participar da observação noturna, é necessário retirar uma senha na Secretaria do Planetário entre as 8h30 e as 16h do dia 13 de dezembro. As vagas são limitadas.

 

Reportagem: Mirella Joels, acadêmica de Jornalismo

Edição: Andressa Motter, acadêmica de Jornalismo

Ilustrações: Mariana Wurzel e Pollyana Santoro, acadêmicas de Desenho Industrial

Fotografia de capa: Rafael C. Beltrame