ISSN Eletrônico: 1678-4596

 

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13/07/22

É POSSÍVEL PRODUZIR HORTALIÇAS DE FORMA ORGÂNICA?


Pesquisadores da UFSM afirmam que a prática vem crescendo cada vez mais,
se mostrando uma alternativa saudável para o consumo de alimentos.

A produção dos alimentos de maneira orgânica é uma forma saudável e com menos acúmulo de resíduos químicos-sintéticos, usados, na maioria dos casos, no sistema convencional de agricultura. Dentre os produtos cultivados organicamente estão as hortaliças, que tem se desenvolvido de forma rápida nos últimos anos. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, os maiores países produtores de hortaliças orgânicas são: Áustria com 21,3%; Suécia com 18,1%; Suíça com 14,4%; Itália com 14,2%; Finlândia com 10,5% e Alemanha com 8,5% de sua área agricultável.

O que são hortaliças:
As hortaliças são plantas herbáceas das quais uma ou mais partes são utilizadas como alimento na sua forma natural. Aqui no país, o cultivo de tipos de hortaliças já era feito pelos indígenas. Assim, plantas como mandioca, milho, batata-doce, cará e taioba eram cultivadas antes da chegada dos portugueses. Depois de 1500, muitas espécies de plantas da alimentação lá na Europa foram trazidas ao Brasil. Para os professores Claudio Fioreze e Rafael Ricardo Cantú, é possível sim produzir hortaliças de forma orgânica - uma prática que pode trazer benefícios ao produtor e o consumidor. Segundo a Associação Brasileira das Centrais de Abastecimento, que leva em consideração as partes utilizadas na alimentação humana, as hortaliças se caracterizam em:

Hortaliças tuberosas
São aquelas cujas partes comestíveis estão abaixo do solo. Exemplos: tubérculos (batatinha, cará), rizomas (inhame), bulbos (cebola, alho) e raízes tuberosas (cenoura, beterraba, batata-doce, mandioquinha-salsa).

Hortaliças herbáceas
São aquelas cujas partes utilizadas na alimentação humana estão acima do solo: folhas (alface, taioba, repolho, espinafre), talos e hastes (aspargo, funcho, aipo), flores e inflorescências (couve-flor, brócolis, alcachofra).

Hortaliças-fruto
Utiliza-se o fruto, verde ou maduro, todo ou em parte: melancia, pimentão, quiabo, ervilha, tomate, jiló, berinjela, abóbora.

No Brasil, a Região Sudeste destaca-se como a maior produtora com uma área em torno de 330.000 ha de produção de orgânicos. A Região Sul, apesar de uma grande quantidade de pequenos produtores, cultiva apenas 38.000 ha com orgânicos. Todavia, a prática está em crescente expansão. Estes dados da ONUAA indicam um campo de trabalho ainda vasto a ser explorado com a produção de orgânicos, sejam hortaliças ou frutíferas.

No meio rural, a produção orgânica de hortaliças é uma das principais formas de geração de renda e trabalho, além de proporcionar melhor condição de vida aos produtores, conservar o meio ambiente, sem contaminar a água, o solo, a planta, o produtor e consumidor. Para o professor Cláudio Fioreze, doutor em Ciência do Solo, consumir produtos orgânicos locais é uma maneira de incentivar as pequenas produções e valorizar o meio ambiente. Ele menciona que há várias maneiras de procurar por estes alimentos mais saudáveis, como em feiras livres, grupos de WhatsApp e os chamados "CSA", que são comunidades que sustentam agricultores ecológicos. Paralelamente, o professor menciona que há necessidade de um maior incentivo público à ações como estas, valorizando a relação direta produtor-consumidor. Incentivos à feiras, capacitações e assistências técnicas são indispensáveis para o comércio dos produtores e auxiliar consumidores a adquirirem produtos mais saudáveis.

Segundo o professor Cláudio, a forma de identificar uma hortaliça orgânica, é por meio do Certificado de Produtor Orgânico. Existe, atualmente, uma legislação que regula as normas para produção orgânica e os mecanismos de fiscalização. A Lei 10.831, de 23 de dezembro de 2003, estabelece o que é um sistema de produção orgânica e define também as suas formas de certificação, sejam participativas ou por auditorias.

O pesquisador Rafael Cantú, explica que a produção orgânica pode contar com duas grandes aliadas: a adubação orgânica e a adubação verde. A primeira é constituída por resíduos, principalmente animais. A adubação verde, também é muito eficiente, sendo capaz de recuperar nutrientes que estão no fundo do solo e trazer à superfície. Um exemplo é o nabo forrageiro, que possui raízes mais profundas e tem capacidade de fixar o nitrogênio do ar. A ervilhaca também é um exemplo. É uma leguminosa que extrai o nitrogênio do ar. Os agentes de controle biológico também são usados na agricultura orgânica para combater possíveis pragas. As joaninhas, vespas, ácaros e fungos são exemplos de espécies que realizam esta função.

Tayline Alves Manganeli
Bolsista de comunicação da Ciência Rural

 

08/06/22

LESHIMANIOSE É UMA DAS DOENÇAS ANIMAIS QUE PODEM SER EVITADAS


Transmissão para o homem e outros animais acontece por meio do mosquito palha


Negligenciada por muitas pessoas, a Leishmaniose é uma doença infecciosa, mas não contagiosa, propagada por parasitas do gênero Leishmania. A transmissão para o homem e outros animais ocorre principalmente pela picada do mosquito palha, contaminado. A doença pode aparecer de duas formas: leishmaniose tegumentar, que ataca a pele e as mucosas, e leishmaniose visceral, que ataca órgãos internos.

Atualmente ainda não existem vacinas contra a leishmaniose humana. As medidas mais utilizadas para a prevenção e o combate da doença se baseiam no controle de vetores e dos reservatórios, proteção individual, diagnóstico precoce e educação em saúde.

Conforme informa o médico veterinário Luís Antônio Sangioni, desde 2011 são registrados casos em Santa Maria. Em São Borja e Porto Alegre, casos anteriores a 2017 também foram registrados. Casos desenvolvidos em humanos só foram registrados em 2020.

Transmissão:

A leishmaniose é transmitida por insetos hematófagos, isto é, que se alimentam de sangue, como é o caso do mosquito palha. Eles apresentam cor amarelada com muitas cerdas no corpo e asas. Costumam ser encontrados em lugares úmidos, escuros, onde existam muitas plantas.

Luís Antônio Sangioni, médico veterinário, explica que o mosquito se contamina quando suga o sangue de um indivíduo infectado. Para entendermos melhor, o professor Sangioni ressalta que há uma diferença entre contaminação e infecção. No caso da Leishmaniose, os vetores - os mosquitos, são os contaminados. Já os animais e humanos, após picados pelo mosquito, são infectados.

As fontes de infecção das leishmanioses são, principalmente, os animais silvestres e os insetos flebotomíneos que abrigam o parasita em seu tubo digestivo, porém, o hospedeiro também pode ser animais comuns ao convívio humano como cão doméstico e o cavalo.
A doença não é contagiosa nem se transmite diretamente de uma pessoa para outra, nem de um animal para outro, como informa o médico veterinário. A transmissão do parasita ocorre apenas através da picada do mosquito fêmea infectado. Na maioria dos casos, o período de incubação é de 2 a 4 meses, mas pode variar de 10 dias a 24 meses.

Sintomas:

Sangioni explica que há diferenças nos sintomas da Leishmaniose visceral e cutânea.
– Leishmaniose visceral: febre irregular, prolongada; anemia; indisposição; palidez da pele e ou das mucosas; falta de apetite; perda de peso; inchaço do abdômen devido ao aumento do fígado e do baço.
– Leishmaniose cutânea ou tegumentar: duas a três semanas após a picada pelo flebótomo aparece uma pequena úlcera (cavidade na pele) avermelhada que vai aumentando de tamanho até formar uma ferida recoberta por crosta ou secreção purulenta. A doença também pode se manifestar como lesões inflamatórias nas mucosas do nariz ou da boca.

Diagnóstico e Tratamento:

O diagnóstico da leishmaniose é realizado por meio de exames clínicos e laboratoriais e, assim como o tratamento com medicamentos, deve ser cuidadosamente acompanhado por profissionais de saúde. Sua detecção e tratamento precoce devem ser prioritários, pois ela pode levar à morte, alerta Sangioni.

Para os cães acometidos pela doença, já existe tratamento autorizado no país, conforme Nota Técnica nº 11/2016, devendo ser prescrito e acompanhado por médico veterinário.

Prevenção:

– fazer dedetização, quando indicada pelas autoridades de saúde;
– evitar banhos de rios ou açudes localizados perto de mato;
– utilizar repelentes na pele, quando estiver em matas de áreas onde há a doença;
– usar mosquiteiros para dormir;
– usar telas protetoras em janelas e portas.

Outras medidas importantes são manter sempre limpas as áreas próximas às residências e os abrigos de animais domésticos, realizar podas periódicas nas árvores para que não se criem os ambientes úmidos e propícios à disseminação do mosquito, além de não acumular lixo orgânico.

TaylineManganeli
Bolsista de comunicação da Ciência Rural

 

09/05/22

NANOTECNOLOGIA: UMA REALIDADE NA MEDICINA VETERINÁRIA

Entre as vantagens está a melhoria da eficiência terapêutica e a redução do custo do tratamento farmacológico

A nanotecnologia veio para ocupar um papel fundamental de maior impulso à ciência no século XXI. Ela pode ser aplicada nas diferentes áreas do conhecimento que precisam cada vez mais da nanoescala, seja para propriedades químicas, mecânicas, magnéticas, eletrônicas ou óticas. Dentro da medicina veterinária não é diferente, a aplicação da nanotecnologia no campo de medicamentos e vacinas para animais promete impactos positivos.

Para entender melhor:
Um nanômetro equivale à bilionésima parte de um metro. Ou seja, a nanotecnologia trabalha com partículas minúsculas que fogem dos olhos humanos.

Essa tecnologia em ascensão, ganhou notoriedade nos anos 2000, como informa a doutoraSônia de Avila Botton, professora no Departamento de Medicina Veterinária Preventiva, do Centro de Ciências Rurais da Universidade Federal de Santa Maria. Segundo ela, a nanotecnologia é vista como uma alternativa promissora no atual contexto de inovação brasileira.

Seja envolvendo a saúde animal, o diagnóstico e o uso terapêutico no controle de doenças em medicina veterinária, a nanotecnologia é um campo da ciência que organiza as estruturas em nano escalas, ou seja, no tamanho que vai de 1 a 100 nanômetros. Uma pesquisa realizada pela doutora Sônia Botton e Lara BaccarinIaniski, mestre em Ciências Farmacêuticas, analisou a aplicabilidade dessa tecnologia na medicina veterinária de 2013 a 2020. Na pesquisa, constatou-se que o uso da nanotecnologia na área ainda é incipiente, mas pode ser vista de maneira positiva. As pesquisadoras salientam que vários pontos devem ser analisados, incluindo alguns efeitos adversos e implicações para validar o uso seguro da nanotecnologia na medicina veterinária.

Assim como para humanos, a nanotecnologia na medicina veterinária tem possibilitado tratamentos de última geração.Na pesquisa de Botton e Ianiski, percebe-se que a passagem de nanopartículas para locais específicos pode ocorrer de forma passiva ou ativa por meio de vetorização. Na chamada vetorização ativa, o mecanismo de ação é devido ao acoplamento de uma porção de direcionamento (ligantes específicos). Todavia, na forma passiva, o mecanismo é suportado pelas propriedades da molécula nanoestruturada. A combinação da vetorização passiva com a vetorização ativa pode potencializar o efeito, aumentando assim a eficácia do tratamento.

Benefícios da nanotecnologia:

A farmacêutica Lara menciona que a nanotecnologia é capaz de reduzir resíduos farmacológicos, como por exemplo os antibióticos. Na pesquisa realizada, constatou-se que as formulações de nanopartículas requerem doses terapêuticas mais baixas do que as drogas convencionais. Essa característica é muito importante na medicina veterinária, isso porque permite menores doses de medicamentos e favorece a redução dos resíduos de fármacos, especialmente antimicrobianos em carcaças e outros produtos de origem animal. Além disso, Lara afirma que é possível observar uma redução significativa no custo do tratamento.

Outro benefício apontado pela farmacêutica, tem relação com a conservação de produtos. Embalagens fabricadas a partir da nanotecnologia prometem evitar e/ou dificultar a proliferação de microrganismos.

No diagnóstico por imagem, a tecnologia também é uma aliada. As nanopartículas aumentam a resolução das imagens, aumentando assim a sensibilidade e a rapidez de detecção das lesões.

Por meio do trabalho, Sônia e Lara constatam que a nanotecnologia pode gerar vários benefícios para diferentes áreas da indústria e da ciência, incluindo humana, animal e ambiental. Dentro da medicina veterinária, o uso de nanoestruturas na farmacologia e imunologia é promissor, demonstrando muitas possibilidades, desde aplicações básicas, até as mais complexas. As pesquisadoras ressaltam que o assunto carece de estudos para validar seu uso seguro na veterinária. Portanto, aspectos relacionados à ecotoxicidade e a bioacumulação de nanopartículas em animais devem ser avaliados para garantir a segurança dessas substâncias nanoestruturadas.

Em relação às perspectivas futuras, as pesquisadoras acreditam que maiores investimentos em ciência e tecnologia são fundamentais para contribuir para o avanço e fortalecimento da nanotecnologia no Brasil e, principalmente, dentro da medicina veterinária.

TaylineManganeli
Bolsista de comunicação da Ciência Rural

 

05/04/22

INOVAÇÃO CONTRA A POLUIÇÃO: SAIBA COMO MÉTODOS NATURAIS PODEM AJUDAR NA DESCONTAMINAÇÃO DE SOLOS


Técnica promissora ajuda no tratamento do solo e água, sendo capaz
de descontaminar ou despoluir até mesmo grandes áreas
.

Os resíduos gerados pela atividade humana e industrial, quando despejados incorretamente, afetam os ecossistemas naturais, poluindo os recursos hídricos e degradando o solo com substâncias tóxicas. O derramamento de petróleo e seus derivados, a aplicação de agrotóxicos e a dispersão de metais pesados são exemplos. Essas atividades resultam em diversos problemas ambientais. Atualmente, a biorremediação é vista como uma saída para a descontaminação dessas áreas afetas.

Há algum tempo, a única solução encontrada para a reconstituição das áreas afetadas consistia na coleta e retirada de material contaminado, destinado muitas vezes de forma incorreta. Essa prática, além de ser cara, pode ocasionar a contaminação de outra área durante o transporte do material ou sua deposição.

Nesse contexto, a biorremediação é uma técnica que favorece o meio ambiente porque utiliza organismos vivos, como bactérias, fungos e plantas para reduzir ou remover um contaminante de determinado local. Rodrigo Jacques, Engenheiro Agrônomo e professor do Departamento de Solos da UFSM, afirma que além de não ser cara, é uma tecnologia baseada em processos naturais, amigável com a natureza: "já é um processo que ocorre na natureza de forma rotineira, todo o processo já era realizado por esses microrganismos, a diferença é que acompanhamos e selecionamos as espécies capazes de realizar a descontaminação com maior eficácia", completa o professor.

Passo a passo da biorremediação

O processo que utiliza organismos vivos para fazer a descontaminação do ambiente, realiza a quebra das substâncias tóxicas com a ajuda de enzimas. Como relata o professor Rodrigo, todo o processo é acompanhado por técnicos capacitados que realizam avaliações a partir da coleta de amostras por determinado tempo.

A biorremediação é capaz de reduzir o impacto dos poluentes orgânicos no solo através dos processos metabólicos de bactérias e fungos, que transformam os materiais contaminantes em fontes de energia e carbono para o seu crescimento.

Jacques explica que para o processo ocorrer, o primeiro passo é encontrar no meio ambiente os chamados microrganismos degradadores. Nesta etapa, os técnicos realizam uma visita à uma área contaminada com o mesmo poluente e retiram uma amostra do solo. A partir disso realizam no laboratório a seleção e a produção dessa espécie em grande escala. Esse método produzirá inoculantes - substâncias concentradas de microorganismos.

Com o material pronto, o solo a ser despoluído será pulverizado com inoculantes. É necessário estar atento às condições favoráveis do solo para a proliferação da espécie degradadora, dentre elas, a umidade da terra.

Para conter a poluição inorgânica, causada pelos metais pesados, é necessário estabilizar o poluente através do cultivo de plantas que retêm os metais nas raízes. Esse processo é chamado de fitoestabilização. Por outro lado, existem outras espécies capazes de absorver a acumular o material tóxico em seus galhos, segurando em seus tecidos uma alta concentração de metais. Esse método é chamado de fitoextração. Após, as plantas são cortadas e destinadas corretamente, para gerar energia através da incineração por exemplo.

Solos poluídos x contaminados

O docente explica que há uma diferença entre solos contaminados e solos poluídos. A contaminação ocorre quando a liberação de substâncias tóxicas altera as características naturais de um local. Já a poluição ocorre após a contaminação, quando as substâncias tóxicas causam prejuízos visíveis ao local. Assim, toda poluição é uma contaminação, mas nem toda contaminação é uma poluição.

Como os solos contaminados podem afetar o ser humano e suas atividades

Atualmente, um dos principais contaminantes do solo são os defensivos agrícolas. Parte dos defensivos são degradados pelos microorganismos do solo, mas outras frações são absorvidas pelo solo e podem ser levadas para águas superficiais ou atingir os lençóis subterrâneos.
Para o professor Rodrigo, todos poluentes podem afetar o ser humano de distintas maneiras: "Uma célula humana, ou de um animal do solo, todos vão sentir o efeito. Geralmente o dano é na célula, paralisando um processo celular como a produção de proteínas. Todos os seres vivos estão suscetíveis aos danos das substâncias tóxicas. "

O engenheiro agrônomo ressalta que quando o poluente atinge a camada da superfície do solo, já há perda na biodiversidade de microorganismos, minhocas e dos outros organismos que vivem no solo. Posteriormente as plantas vão sentir esse efeito, reduzindo a produtividade e qualidade. Este é o caso dos metais pesados, através das plantas, eles podem ser levados ao ser humano. É o que ocorre em plantações em solos contaminados. Os vegetais chegam ao ser humano e por ele são consumidos. Esse fato pode estimular o aparecimento de várias doenças, dentre elas o câncer.

Tayline Alves Manganeli
Bolsista de Comunicação

 

22/03/2022

RAIVA HERBÍVORA: estudo do caso registrado na região central no Estado
Ocorrido em 2021 na cidade de Itacurubi, o caso contou com duas técnicas distintas para detecção do vírus da raiva.

No ano passado, o setor de virologia Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em colaboração com o Laboratório de Diagnóstico Veterinário da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), campus Santiago e Laboratório veterinário Qualem diagnosticaram um caso de raiva herbívora em propriedade no município de Itacurubi – RS.

A revista Ciência Rural conversou com JucianeBonella, Médica Veterinária pela UFSM e Monique Togni Martins, Dra. em Ciência Animal, para entender como foi realizado o diagnóstico.

O proprietário buscou ajuda do setor após registrar a morte de 42 bovinos da sua criação em um curto intervalo de tempo – pouco mais de 20 dias. Com a identificação de mordidas no dorso dos animais, foi realizada uma necropsia de uma fêmea após aeutanásia. A equipe também observou material do tipo líquido à espumoso nas meninges dos bovinos.

Com as amostras coletadas, foram realizadas análises histopatológicas e dois testes na virologia: imunofluorescência direta e transcrição reversa seguida da reação em cadeia da polimerase (RT-PCR). Como explica JucianeBonella, a principal técnica utilizada para detecção da raiva é a imonuflourescência direta, no entanto esse teste teve resultado negativo no caso estudado. A investigação seguiu com a realização de outro teste diagnóstico, a RT-PCR.Inicialmente houve a extração do RNA da amostra e em seguida, o RNA viral foi utilizado como molde para a síntese de uma fita dupla de DNA complementar que foi utilizado na PCR. O resultado foi então positivo para a presença do vírus da raiva.

Monique Togni relata que o proprietário perdeu cerca de 60 a 65 animais, dentre eles, bovinos e equinos. Após o diagnóstico, as autoridades foram informadas para realizar o controle dos morcegos hematófagos. Aliado à isso, houve a necessidade de vacinação do rebanho para evitar futuros surtos.

Entenda os termos científicos:

Necropsia: exame cuidadoso de todos os órgãos e coleta adequada de seus fragmentos. Seu uso é fundamental para a confirmação do diagnóstico, afim de esclarecer ou até mesmo corrigir o diagnóstico clínico.

Meninges: as meninges são três membranas que revestem o sistema nervoso central, garantindo a proteção contra choques mecânicos e a regulação da pressão no interior.

Transcrição reversa: é a síntese de DNA a partir de uma molécula de RNA.

Tayline Alves Manganeli
Bolsista de Comunicação da Ciência Rural

 

14/03/2022

SAIBA O QUE É A RAIVA HERBÍVORA E COMO ELA PODE AFETAR ANIMAIS E HUMANOS
Conhecer a doença e notificar as autoridades ainda é a melhor forma de prevenção

A raiva é uma doença infecciosa viral aguda, causada por um vírus do gênero Lyssavirus, da família Rhabdoviridae. No Brasil, houve um decréscimo na ocorrência da doença em cães e gatos a partir da implantação do Programa Nacional de Profilaxia da Raiva pelo Ministério da Saúde em 1973. Entre outras ações, a vacinação antirrábica canina e felina em todo o território nacional permitiu o controle da raiva urbana no país. Em alguns estados como o Rio Grande do Sul, a raiva urbana é considerada erradicada. No entanto, a raiva herbívora, que afeta principalmente os bovinos, continua trazendo prejuízos ao agronegócio brasileiro e gaúcho.

Transmitida principalmente pela saliva de um animal infectado, a raiva pode acometer todos os mamíferos, inclusive o homem, e caracteriza-se como uma encefalite progressiva e aguda com letalidade de aproximadamente 100%. Para que ocorra a infecção, é preciso a inoculação do vírus contido na saliva do animal infectado, o que ocorre principalmente através de mordedura. A partir disso, o vírus se multiplica no ponto de inoculação, atinge o sistema nervoso periférico e, posteriormente, o sistema nervoso central. Após isso, atinge vários órgãos e glândulas salivares, sendo eliminado na saliva das pessoas ou animais doentes.

No Brasil, a vacinação antirrábica anual é recomendada para cães e gatos. Com a intensificação das ações de vigilância e controle da raiva canina e felina nos últimos 30 anos, o Brasil alcançou significativa redução nas taxas de mortalidade por raiva humana, com o predomínio de casos em caráter esporádicos e acidentais. No período de 2010 a 2021, foram registrados 40 casos de raiva humana no país, sendo que em 2014, não houve caso.*

O que é a raiva herbívora?

Ainda muito frequente no Rio Grande do Sul, a raiva denominada herbívora afeta os animais de produção como bovinos, ovinos e equinos. Gisane Lanes de Almeida, Fiscal Estadual Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do RS e Médica Veterinária pela UFSM, afirma que a doença pode levar muitos animais de um rebanho à morte, pois quando o primeiro adoece e morre já não há muito o que se fazer, pois invariavelmente outros animais do rebanho já estarão infectados.

O vírus da raiva herbívora é transmitido aos animais principalmente pelos morcegos hematófagos. Por isso, estar atento à presença deles e das lesões decorrentes de suas agressões (mordidas) no rebanho é muito importante para o controle da doença. Após a exposição, a Médica Veterinária explica que leva em torno de 30 a 60 dias para o início dos sinais clínicos. Como a doença afeta o sistema nervoso, ela causa prejuízos neurológicos irreparáveis ao animal, sendo fatal. Gisane Lanes explica que os primeiros sinais envolvem a dificuldade de locomoção. Com o passar dos dias, esses sinais se agravam, o animal apresenta cada vez mais dificuldade se locomover até que se deita e não consegue mais se levantar. Entre 07 e 10 dias após o início dos sinais, o animal morre em decorrência da doença.

Importância da vacinação

Atualmente existem vacinas que protegem os animais da raiva herbívora, no entanto, a vacinação não é obrigatória. Por isso, no caso do proprietário do rebanho notar sinais de raiva em seus animais, deve imediatamente notificar às autoridades para que medidas de controle e prevenção sejam adotadas. Descobrir possíveis abrigos dos morcegos transmissores também é essencial para evitar as perdas decorrentes da doença. No Rio Grande do Sul, as suspeitas da doença, assim como a presença de morcegos hematófagos e/ou suas agressões devem ser notificadas nas Inspetorias de Defesa Agropecuária.

Em 2021 a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul emitiu alerta sanitário para raiva de herbívoros, orientando os produtores rurais a vacinar ou revacinar seu rebanho em algumas regiões do estado. No ano passado, a secretaria contabilizou 48 casos de raiva em herbívoros em 21 municípios.**


Caso de raiva herbívora no município de Itacurubi gentileza de
Monique Togni Martins e Carla Weiblen URI Santiago

O professor Paulo Michel Roehe, Médico Veterinário e especialista em virologia, fala que após ser vacinado pela primeira vez, o bovino precisa receber uma segunda dose (reforço) entre os 20 e 30 dias seguintes e, então, somente uma aplicação a cada ano. Além disso, segundo o professor Roehe, é possível que o animal infectado transmita a raiva para pessoas, o que representa um grande perigo para a saúde humana, tendo em vista a letalidade da doença.

Como o vírus age no homem

O vírus da raiva tem um período chamado de incubação, ou seja, demora um tempo para causar a doença, o que permite que a pessoa exposta seja vacinada e desenvolva uma reposta imune capaz de bloquear os danos. O tempo de incubação do vírus varia de acordo com o local da inoculação (quanto mais perto da cabeça, menor o tempo), a carga viral e a natureza do vírus. Este é um período assintomático, que pode se estender de alguns dias a mais de um ano. Os primeiros sintomas geralmente só aparecem quando o vírus alcança o sistema nervoso central. No início, são sintomas inespecíficos, como mal-estar geral, febre baixa, dor de cabeça e de garganta, falta de apetite, enjôos, sonolência, irritabilidade, inquietude e sensação de angústia.

A inflamação progressiva do encéfalo provocada pela proliferação do vírus no sistema nervoso central pode gerar confusão mental, desorientação, agressividade, crises convulsivas, espasmos musculares involuntários e dolorosos, salivação intensa, dificuldade para respirar e engolir. Assim o vírus da raiva atinge inúmeras áreas do sistema nervoso central e produz uma síndrome paralítica generalizada, que evolui para coma e morte por parada respiratória.

Fui exposto ao vírus, e agora?

A raiva pode ser transmitida ao homem de duas formas: por meio da mordida, ou através do contato acidental com a saliva do animal contaminado - caso que ocorre geralmente quando se fala de raiva herbívora.

Gisane Lanes explica que o contato acidental ocorre quando o criador nota que o animal está com dificuldades para se alimentar e salivando. Em grande parte dos casos, pensa-se que são sinais de engasgamento e toma-se a iniciativa de colocar a mão na boca do animal. Com esse gesto, a pessoa pode acidentalmente ser infectada com a raiva.

Após a exposição, o indivíduo deve lavar abundantemente o ferimento com água e sabão e procurar assistência médica o mais rápido possível. Se necessário, ele será submetido à aplicação de vacina e/ou soro antirrábico, procedimento chamado de profilaxia pós-exposição, como informa a médica veterinária. Além da profilaxia pós-exposição, existe a profilaxia pré-exposição. Trata-se de uma vacina destinada principalmente aos médicos veterinários e profissionais que atuam no controle da doença que, pelo alto risco de exposição, devem se manter constantemente imunizados.

Gisane alerta que a população deve ser aliada das políticas públicas de prevenção à doença. Estar atento ao que ocorre em seu redor, notificando às autoridades de possíveis casos de raiva são cruciais para o controle da doença, evitando mortes de animais e pessoas. O diagnóstico da raiva requer o envio de cérebro resfriado (bovinos, caninos, felinos e ovinos) ao laboratório. Para o diagnóstico de raiva em equinos o melhor material é a medula espinhal, além do cérebro. O diagnóstico é realizado pela técnica de imunofluorescência associada à prova biológica (inoculação em camundongos ou em cultivo celular).


Imunofluorescência para o diagnóstico da raiva herbívora
Setor de Virologia UFSM

Para o diagnóstico pode também ser usada a técnica de PCR.


Técnica de PCR para o diagnóstico da raiva herbívora - Itacorubi, RS - Junho de 2021
Setor de Virologia - UFSM

Tayline Alves Manganeli
Bolsista de comunicação da Ciência Rural

*Os dados são do Ministério da Saúde do Brasil, publicados em 2022.
**Dados divulgados em informe da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do RS, publicado em 2022.

 

 

 

31/01/22

GALOPE CENTENÁRIO: CONHEÇA MAIS SOBRE O CAVALO CRIOULO
Descendente de andaluzes e lusitanos, raça crioula existe a mais de 400 anos.

Gateados, tostados, tordilhos, tubianos, mouros e rosilhos. Os cavalos crioulos se apresentam nas mais variadas pelagens, mas uma característica principal traz em comum: a beleza incomparável. Além da grande utilidade para o trabalho no campo, a raça crioula também predomina nas provas esportivas e de lazer.

Descendente de raças portuguesas e espanholas, o cavalo chegou ao território que mais tarde denominara-se Brasil após o ano de 1500. Atualmente existem mais de 400 mil cavalos crioulos no país, conforme dados da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos – ABCCC.

História

A raça crioula é originária da mistura de andaluzes e lusitanos, cavalos europeus que foram trazidos à América a partir da colonização. Como informa o médico veterinário e docente na Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Carlos Eduardo Nogueira, os descentes da miscigenação se adaptaram muito bem à região sul da América, especialmente ao bioma pampa.

Por muitos anos, essa raça se criou livre, enfrentando extremos de temperatura e qualidade de pasto. Tais fatores, segundo o professor Carlos, fomentaram características comoa rusticidade e resistência que permanecem nos genes do cavalo crioulo.

Por influências locais e ambientais, os cavalos de cada região apresentam derivações distintas. Segundo o professor Nogueira, a raça crioula da Argentina possui cavalos mais altos e robustos. Já os chilenos, são mais baixos, de grande habilidade e com feições refinadas. Os equinos do Rio Grande do Sul têm muita influência chilena, principalmente através do garanhão “La Invernada Hornero” que produziu muitos potros na cidade de Uruguaiana – RS. O cavalo morreu aos 26 anos de idade, o que prova outra característica marcante da raça crioula – a longevidade.

No século 20, a raça recebeu o reconhecimento pelas suas virtudes, por meio da criação da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Crioulo – ABCCC, em 1932. Atualmente sua sede funciona em Pelotas – RS. A ABCCC desenvolve quatorze provas que selecionam o cavalo crioulo, realizando a otimização morfológica e funcional da raça. A principal prova, denominada Freio de Ouro, mostra as habilidades funcionais dos equinos. O Freio de Ouro é dividido em sete provas, cada uma tem uma pontuação específica a ser conquistada pelo animal e pelo ginete. Quem obtiver melhor pontuação na soma das etapas é o grande campeão.

Características da raça crioula

O cavalo crioulo é conhecido principalmente pela rusticidade. Como ressalta o Doutor em Medicina Veterinária João Malheiros, o histórico de vivência da raça crioula foi que gerou um cavalo forte e longevo. Por ser criado nas padrarias sem o auxílio do homem, a raça é capaz de sobreviver a condições adversas de temperatura e má alimentação. O especialista ainda ressalta que por isso, a dieta que é recomendada para outras raças geralmente não se aplica ao crioulo, pois causa estranhamento pelo sistema digestivo.

Outras características físicas podem ser observadas na raça crioula. Uma delas é referente à altura. A mínima admitida para as fêmeas é de 1,38 metros e nos machos de 1,40 metros, já a máxima para fêmeas é 1,48 m e para machos é de 1,50 m. O peso varia entre 400 e 450 quilos. João Malheiros atenta para os detalhes de tipicidade racial: cabeça e orelhas curtas, olhos expressivos, narinas amplas - mas não arredondadas, e boca menor.

De acordo com o padrão da raça, o Cavalo Crioulo pode apresentar uma infinidade de pelagens, com exceção da pintada e albina total. As mais conhecidas são baia, bragada, colorada, gateada, lubuna, moura, rosilha e tubiana.


O especialista lembra que o crioulo é cavalo de cela, não puxa charrete. Além disso, apresenta movimentos ágeis e responde satisfatoriamente aos comandos. No que se refere ao tempo de vida, Malheiros ressalta que é um cavalo de tardio crescimento. A desmama ocorre de cinco a sete meses de vida e com cinco anos de idade ele já pode ser considerado um adulto. Sua resistência às doenças também é uma característica curiosa, tendo em vista que o linear de dor é superior as demais raças.

Quanto à criação, o professor Carlos Moreira explica que é um equino fácil de criar, pois é dócil e voluntarioso. Mas ele atenta para os cuidados necessários como a orientação de um especialista. Por ter características de um cavalo livre, a raça precisa de amplo espaço para se desenvolver, por isso, segundo ele, cavalos criados em cocheiras apresentam sérios problemas.

Atualmente o Cavalo Crioulo é considerado o animal símbolo do Estado do Rio Grande do Sul, através de lei sancionada pelo Governador Olívio Dutra em 2002. Além disso, é frequentemente associado à figura do gaúcho e homem do campo, o que valoriza e ressalta as antigas tradições gaúchas.

Tayline Alves Manganeli
Bolsista de Comunicação da Ciência Rural

 

06/12/21

PIOR CRISE HÍDRICA NO BRASIL DOS ÚLTIMOS ANOS AFETA O BOLSO DA POPULAÇÃO

Devido à escassez das chuvas, o produtor também enfrenta custos maiores com energia e o problema da escassez de água no sistema de irrigação das plantações

Além da atual crise hídrica afetar o bolso da população brasileira, a economia mundial não escapa desse impacto. Isso porque o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de commodities ligadas ao agronegócio do mundo e, devido a crise, a economia e consequentemente o lucro gerado pelas commodities sofre um significativo baque. O Rio Paraná, um dos mais importantes rios do país, por exemplo, tornou o transporte de grãos e minérios um desafio por conta do baixo nível de água.

Devido à escassez das chuvas, o produtor também enfrenta custos maiores com energia e o problema da escassez de água no sistema de irrigação das plantações. Com isso, o preço dos alimentos das prateleiras dos mercados fica um pouco mais salgado, visto que o produtor tem que gastar mais durante a produção.

Mas o que de fato é essa crise hídrica e de onde ela vem? Bom, a crise hídrica é resultado dos baixos níveis de água nos reservatórios, que usualmente precisam de níveis normais para atender as necessidades da população. No país, a falta de água se tornou um problema mais grave a partir de 2014, sendo a região sudoeste a mais afetada durante o ano.

Para nos ajudar a compreender melhor o fenômeno da crise hídrica, conversamos com a Mirta Teresinha Petry, professora na área de Engenharia de Água e Solo, na disciplina de Irrigação e Drenagem, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Ela é graduada em Agronomia pela UFSM e possui mestrado em Agronomia, na área de Concentração: Biodinâmica do Solo e doutorado em Ciência do Solo pela mesma Universidade.

Atualmente também participa do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Agrícola, e do Grupo de Pesquisa "Manejo da Água em Sistemas Agrícolas", o qual coordena.

Segundo a professora, nitidamente podemos perceber que atualmente temos temperaturas maiores do que tínhamos há 80 ou 100 anos. Isso se dá, em parte, porque hoje temos uma maior população, mais automóveis, prédios, asfalto, concreto, etc. Tal urbanização, causada pelo ser humano, implica diretamente no aquecimento climático. De acordo com pesquisas do Painel Intergovernamental de mudanças climáticas, se as emissões continuarem dentro das tendências atuais, o aquecimento pode chegar a 4,8ºC até 2100.

“O que estamos experimentando hoje no Brasil são extremos climáticos que certamente são consequências das alterações climáticas. Os verões com chuvas muito abaixo da média, sobretudo no sudeste, são exemplos disso”, explica Mirta.

As principais causas para a falta de água no Brasil são:

- Diminuição do nível de chuvas
O desmatamento na floresta amazônica está diretamente relacionado à falta de chuva no país. Isso por causa do fenômeno dinâmico dos "rios voadores" que leva umidade a várias regiões da América do Sul. O vapor formado nas águas tropicais do oceano Atlântico é alimentado pela umidade da floresta amazônica. Toda essa umidade atravessa a Amazônia até encontrar o paredão da Cordilheira dos Andes. Ali, uma parte da umidade transforma-se em chuva e alimenta nascentes de grandes rios, como o Rio Amazonas. A outra parte, é direcionada para as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, ocasionando as chuvas. De acordo com Mirta Petry, entre junho de 2020 e junho deste ano, nós tivemos 32% menos chuvas do que o normal.

“A degradação de certos biomas, queimadas no cerrado, mata atlântica e pantanal atuam fortemente nas alterações de regulação das chuvas”, completa Mirta.

- Aumento do consumo de água
No Brasil, o aumento do consumo de água deve-se ao crescimento populacional, industrial e da agricultura. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), de cada 100 litros de água retirados de manciais (rios, reservatórios ou água subterrânea), 72 são usados na irrigação agrícola

- Desperdício de água
Grande parte do consumo de água no Brasil deve-se à irrigação na agricultura, sendo esse o setor mais responsável pelo uso de água.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria, a demanda global por água no setor industrial deve aumentar, até 2050, cerca de 400%. No Brasil, a cada segundo, são retirados dos rios 2,3 milhões de litros para uso industrial. O consumo de água na indústria só perde para o da agricultura.

Grande parte do problema do desperdício de água nas indústrias está nos vazamentos e nos métodos obsoletos de distribuição e a ausência de um sistema de tratamento e a possibilidade de reuso dessa água.

Hoje, passamos pela pior seca dos últimos 91 anos. Conforme um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do setor agropecuário caiu de 2,6% para 1,7%,. Previsões da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que a próxima safra de soja e de milho pode ser prejudicada pela estiagem.

A falta de chuva também fez com que os reservatórios das hidrelétricas atingissem níveis críticos. As hidrelétricas das Regiões Sudeste e Centro-Oeste, que geram 70% da energia do Brasil, estão operando com os reservatórios em 22,5% da capacidade de armazenamento. Em 2001, quando o país passou por um período de restrição energética, os níveis estavam em 23,4%.

“No sul do país, por mais que ainda não tenhamos dados suficientes para dizer que o La Niña do ano passado, por exemplo, esteja dentro dessas alterações, a comunidade científica acredita que possivelmente está, visto o comportamento da temperatura e da movimentação geral da atmosfera”, diz Mirta.

Nos últimos 12 meses, a tarifa cobrada pela energia elétrica subiu 16,07%, mais que o dobro da inflação acumulada no período, que ficou em 9,3% pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Além dos reajustes no preço da conta de luz e da utilização da bandeira vermelha na tarifa, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) criou uma tarifa chamada de “escassez hídrica”. A nova bandeira tarifária será de R$ 14,20 e terá vigência de setembro de 2021 a abril de 2022. Com o novo valor, o preço da conta de luz deve subir, em média, 7%.

A aceleração inflacionária aumenta diretamente o custo de vida da população, o que empurra, ainda mais, famílias de baixa renda para a fome. De acordo com pesquisa realizada pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan), no final de 2020 cerca de 117 milhões de brasileiros, pouco mais que a metade da população, convivia com algum nível de insegurança alimentar.

Uma alternativa são as fontes sustentáveis de energia, mas o setor ainda anda a passos curtos em comparação à demanda. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a energia solar produz apenas 1% da eletricidade brasileira, enquanto a eólica responde por 8,6%. Enquanto isso, as hidrelétricas geram 64,9%, e as termelétricas, 13,8%.

*Fonte das imagens: https://pixabay.com/pt/

Elisa Dessbesell de Campos
Bolsista de Comunicação Social da Ciência Rural

 

23/11/21

SECA E GEADA: VEJA COMO ESSAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS AFETAM A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS


Maior probabilidade de eventos climáticos extremos dificulta o planejamento do plantio e diminui a produtividade das lavouras.

 

A safra 2020/21, aguardada como recorde pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), teve grandes impactos após as geadas de inverno e a longa estiagem. Esses eventos climáticos diminuem a oferta de alimentos e dificultam ainda mais o planejamento do agricultor, que ainda usa a sazonalidade como meio de previsão para plantio e colheita.

Aliado aos períodos de seca, outro problema que preocupa produtores é o aquecimento global. Segundo o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), a temperatura global pode subir de 1,5°C a 2°C neste século, caso não haja uma forte redução nas emissões de gases de efeito estufa. As temperaturas cada vez mais elevadas, trazem prejuízos constantes às lavouras e tornam ainda mais necessária a presença da chuva. O déficit de água afeta diretamente o desenvolvimento da planta. Conforme nos explica o professor de Agronomia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Thomas Martin, a redução de produtividade é intensa quando existem estresses hídricos durante a etapa de florescimento. Isso ocorre porque as plantações possuem diferentes necessidades de água, conforme a cultura, temperatura, vento, estágio de desenvolvimento e área foliar. "A cultura do milho chega a ter 12mm de evapotranspiração durante o seu florescimento, ou seja, a demanda hídrica é muito intensa. Caso essa demanda não for suprida pelo solo haverá redução nos componentes de produtividade", exemplifica o professor.

Alencar Junior Zanon, também docente na UFSM - na área de Fitotecnia,também afirma preocupação com a cultura do milho durante a seca. Nesta última safra, ele nos informa que a cultura teve uma quebra de 50%. Segundo aConfederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), essa perda representa 22 milhões de toneladas a menos na segunda safra no país. A situação é diferente com a plantação de arroz. Apesar da cultura necessitar de muita água, o professor Alencar salienta que no Rio Grande do Sul, não houve prejuízo associado ao problema da estiagem. Dados do Instituto Rio-Grandense do Arroz, publicados em julho deste ano, mostraram recorde de produção no Estado, com 8,52 milhões de toneladas de arroz em base casca.

Outro fenômeno que prejudica as plantações é a geada, presente principalmente nos Estados do sul do país durante o inverno. Ao falar do evento, o professor Thomas salienta que trigo é uma das principais culturas agrícolas cultivadas no período de junho a outubro. No Estado do Rio Grande do Sul foram registradas temperaturas extremamente baixas (menores que 5ºC), por longos períodos durante a safra passada. Nesse sentido, Thomas Martin comenta que as lavouras de trigo onde houve grandes períodos de geada foram afetadas de forma negativa.

Consequências aos produtores e consumidores

Os problemas enfrentados na produção por conta dos eventos climáticos refletem em consequências para a sociedade. Com o milho prejudicado, o professor Zanon alerta para a consequente alta no preço da ração. Esse aumento gera outras elevações de preço, como no da carne, pesando no bolso do consumidor final. Do mesmo modo, os alimentos também tendem a diminuir no prato dos brasileiros com esse aumento de valores. Com a safra de soja prejudicada, o valor do óleo de cozinha também tende a subir.

A instabilidade cada vez maior do clima, também gera insegurança aos produtores que planejam a safra levando em consideração a sazonalidade. Algumas alternativas, apontadas pelos especialistas entrevistados envolvem o escalonamento da época de plantio e semeaduras de cultivares que são mais eficientes no uso da água. Manter-se informado sobre a previsão climática para fazer o plantio quando se tem umidade suficiente no solo, também auxilia os produtores.

Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc)

O zoneamento agrícola é um instrumento utilizado para minimizar os riscos relacionados à fenômenos climáticos. O estudo feito permite aos municípios identificar a melhor época de plantio das culturas, nos diferentes tipos de solo e ciclos de cultivares. Martin considera o zoneamento agrícola um importante aliado dos produtores, principalmente em ambientes com alta variabilidade. Usar o zoneamento agrícola permite quantificar os riscos climáticos envolvidos na condução das lavouras que podem ocasionar perdas na produção.

Tayline Alves Manganeli
Bolsista do setor de Comunicação da Ciência Rural

 

13/10/21

CONTA DE LUZ MAIS CARA PODE REDUZIR A OFERTA DE CARNES NO PAÍS


Setores como abatedouros/frigoríficos e aviários, são os mais prejudicados com a situação.

O aumento da conta de luz, consequência da grave crise hídrica, traz várias consequências aos brasileiros, dentre elas a diminuição da oferta de carnes. Isso ocorre a partir de uma pressão ainda mais inflacionária dos alimentos, bem como o aumento do custo de produção nas empresas. A falta de chuva também diminui a qualidade do pasto, imprescindível em fazendas onde o gado é criado solto.

O preço da energia elétrica já subiu quase três vezes mais que a inflação ao longo dos primeiros nove meses de 2021, refletindo em um aumento disseminado nos preços de diversos produtos e serviços. O aumento de 5% na energia elétrica em agosto ainda reflete o reajuste de 52% aplicado em julho sobre a bandeira tarifária vermelha patamar 2, que passou de R$ 6,24 para R$ 9,49 a cada 100 kW/h consumidos. O mercado de carnes, é um dos grandes afetados. A alta, representa um efeito cascata em todo o sistema, desde a fazenda, até a indústria e comércio.

Segundo o Doutor em Produção Animal, professor Leonir Luiz Pascoal, na medida em que a conta de luz sobe, presenciamos um aumento de todos os insumos necessários para a criação dos animais. Desde os valores gastos com ração até a conta de energia dos frigoríficos, tudo contribui para a soma no preço final do produto, pesando no bolso do consumidor.

Os setores de abatedouros/frigoríficos e aviários, são os mais prejudicados na opinião do professor Leonir. “Nos frigoríficos o item expressivo é o consumo de energia. O frango também está em situação delicada porque além disso, o produtor tem o gasto ainda com os animais em vida, com a energia para manter o aquecimento do aviário”, lembra o professor ao mencionar sobre a importância da energia no sistema de aquecimento dos aviários.

Além da seca ter causado esse efeito de alta em todo o setor por conta da aumento no preço da energia, o setor de carnes também precisa de chuvas regulares para aumentar a qualidade das pastagens que alimentam os bovinos. Em contrapartida, até os produtores que criam gado em confinamento também enfrentam aumento de custos, principalmente com o milho e a soja por causa da quebra de safra, também causada pela seca. Esses grãos tão importantes, viram ração para alimentar os animais. Desde 2020, os produtores já passavam por dificuldades em comprar ração com preço acessível. Segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), gastos com estes insumos representam em média 75,8% dos custos de produção. As projeções indicam um total de aumento de 39,8%, para o milho, e de 7,2%, para a soja ao fim do ano.
De acordo com a Consultoria LCA, a maior alta neste ano continuará sendo no preço da carne de boi (17,6%), seguida da de porco (15,1%) e de frango (11,8%). Alternativa às carnes, o valor do ovo de galinha também deve subir (7,6%).

 

CARNES DE SEGUNDA FORAM AS QUE MAIS SUBIRAM

As carnes de segunda, mais consumidas pela população de baixa renda, foram as que mais subiram. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a costela teve alta de 29,74%, enquanto o músculo aumentou em 27,67% e também foram registrados avanços de 26,79% e 20,75%, respectivamente, no cupim e do acém.

Com isso, a carne bovina está diminuindo cada vez mais no prato dos brasileiros. Segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o consumo brasileiro de carne bovina foi de 29,3 quilos por habitante em 2020, uma queda de 5% em relação aos 30,7 quilos por habitante de 2019, ano em que o consumo já havia recuado 9%. O patamar de 2020 é o menor da série histórica da Conab, que tem início em 1996. Alimentos como a carne de frango e também o ovo, que geralmente costumam substituir a carne bovina, também devem ficar mais caros.

Tayline Alves Manganeli
Bolsista do setor de Comunicação da Ciência Rural

 

30/08/21

TOXOPLASMOSE: a importância do monitoramento constante

O Toxoplasma gondii ainda representa um grande perigo para a saúde humana, mesmo após quase 100 anos de seu descobrimento.

 

Popularmente conhecida como “doença do gato”, a toxoplasmose é uma doença infecciosa provocada pelo protozoário Toxoplasma gondii encontrado nas fezes de gatos e outros felinos infectados. Atualmente, é uma das zoonoses - doenças transmitidas por animais, mais comuns em todo o mundo. Com alta facilidade de transmissão, especialistas afirmam que a contaminação nem sempre se dá de maneira direta, podendo ocorrer através de ingestão de água ou consumo de alimentos contaminados.

O Toxoplasma gondii foi descoberto em 1908 simultaneamente por Splendore no Brasil em coelhos e por Nicolle & Manceaux em roedores na África do Norte. Observando o protozoário no microscópio, constataram que ele tinha um formato semi-curvo, e então o batizaram com a junção das palavras “toxo” e “plasma”, que significam respectivamente “arco” e “forma” em grego. O T. gondii foi uma homenagem ao roedor em que o protozoário foi detectado por Nicolle & Manceaux.

A doença pode ser transmitida via oral ou congênita – de mãe para filho, durante a gravidez. A forma mais comum de infecção é por meio da ingestão de água ou alimentos contaminados com os oocistos esporulados do protozoário ou da ingestão de tecidos cárneos consumidos cru ou mal passados contendo cistos com bradizoítos. Os felinos em si, não representam o grande problema. É preciso que a pessoa tenha manipulado fezes antigas de felinos, ocorrendo a inalação ou ingestão acidental do parasita ali presente. O contato com os gatos infectados não é suficiente para que haja transmissão da toxoplasmose.


A professora Fernanda Flores Vogel, responsável pelo laboratório de doenças parasitarias na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), alerta que para o controle da toxoplasmose devem ser instituídas medidas para conscientização da população. A pesquisadora participou do diagnóstico e caracterização molecular do protozoário durante o surto de toxoplasmose ocorrido em 2018, em Santa Maria-RS. Neste episódio, em que se constatou mais de 1.500 casos confirmados - como informa o Centro Estadual de Vigilância em Saúde, a causa foi a ingestão de oocistos presentes na água.

 

Sintomas e tratamento:

Os sintomas da toxoplasmose são variáveis e associados ao estágio da infecção, agudo ou crônico. A maioria dos casos de toxoplasmose são assintomáticos ou apresentam sintomas inespecíficos, como cansaço, mal-estar, dor de cabeça, dor de garganta, dor muscular e alterações nos gânglios linfáticos. Pessoas com baixa imunidade podem apresentar sintomas mais graves, incluindo febre, confusão mental, falta de coordenação e convulsões.

A maior preocupação reside no grupo das gestantes. Mulheres infectadas durante a gestação podem sofrer aborto ou antecipar o nascimento do bebê. Ainda há chances da criança nascer icterícia, macrocefalia, microcefalia ou com crises convulsivas.

 

Prevenção:

Émerson Salvagni e Jéssica dos Santos Ribeiro Madureiro, ambos membros da Vigilância Ambiental da 4ª Coordenadoria Regional da Saúde, afirmam que o consumo de água tratada é o mais seguro: “O uso de fontes alternativas de abastecimento como poços e açudes são um risco para a saúde, pois não se têm informações sobre sua qualidade, sem monitoramento ou controle.”, acrescenta a engenheira química Jéssica. Outro alerta importante, segundo ela, é para a limpeza das caixas de água, que deve ser feita no mínimo uma vez ao ano.

Além disso, outras estratégias são importantes, como: alimentar os gatos com ração ou outros produtos comerciais de qualidade, em casos de gatos que comem carne, utilizar somente se for bem cozida; manter seus gatos dentro de casa e coletar suas fezes diariamente; ter cuidado ao manusear as fezes de felinos e dar destino adequado às mesmas; isolar os animais domésticos das áreas de preparação de alimentos; evitar o uso de produtos animais crus ou mal cozidos (especialmente derivados de caprinos e bovinos); utilizar luvas ao manipular a terra, principalmente no caso de gestantes.

O diagnóstico da toxoplasmose é feito pelo Clínico Geral ou Infectologista através da avaliação dos sintomas e da realização do exame de sangue para detectar a presença de anticorpos IgG e IgM no corpo, que são produzidos para combater o parasita causador da doença. Conforme orienta o Ministério da Saúde, a maioria das pessoas saudáveis não necessitam de tratamento para a toxoplasmose, já que o organismo é capaz de combater o parasita naturalmente. No entanto, perante sintomas, o tratamento procede-se com remédios que devem ser indicados pelo médico. Para gestantes e crianças, o Ministério da Saúde adota protocolos com recomendações a serem seguidas, caso a caso.

Tayline Alves Manganeli
Bolsista do setor de Comunicação da Ciência Rural

 

 

23/07/21

Febre Aftosa: Rio Grande do Sul entra na Zona Livre sem Vacinação

Ainda que a doença esteja erradicada no estado, produtores agropecuários devem continuar seguindo as medidas de biossegurança para evitar um possível retorno da doença.

Em maio deste ano, o estado do Rio Grande do Sul foi reconhecido oficialmente como zona livre de febre aftosa sem vacinação. O novo status sanitário foi confirmado em assembleia geral da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Esta é uma conquista histórica para o estado e seus pecuaristas. Ainda assim, será necessário manter o rigor nos protocolos sanitários, para que se garanta a zona livre.

Conhecida no Brasil desde a década de 1870, a febre aftosa é uma doença infectocontagiosa aguda ou subaguda, causada pelo vírus da família Picornaviridae do gênero Aphthovirus. Bovinos, suínos, ovinos, bubalinos e outros mamíferos de casco fendido (bipartido) podem ser acometidos pela doença, que é altamente contagiosa em animais suscetíveis.

Diego Viali dos Santos trabalha no Ministério da agricultura (MAPA) na área de epidemiologia da Aftosa. Para ele, a doença é a principal comorbidade animal e sanitária que afeta o comércio internacional. Países que não têm a doença não compram produtos de origem animal ou colocam diversas restrições para comprar de países que têm ou que vacinam contra a febre aftosa.

O vírus da febre aftosa possui diferenciações e são classificados em sete subtipos: A, O e C: mais comuns distribuídos em todos os continentes e os únicos que foram identificados no Brasil; SAT-1, SAT-2 e SAT-3: Identificados inicialmente na África do Sul e disseminado em outros continentes, com exceção da América; Ásia-1: Encontrado inicialmente no continente asiático. Foi responsável pelo surto que ocorreu no Reino Unido, de 1996 a 2000 e dizimou quase 60% da população de bovinos.

Os primeiros registros da doença no Brasil foram em 1870, no sul do país. Em 1989, mais de 100 focos de febre aftosa foram identificados no Rio Grande do Sul após o ingresso de gado uruguaio contaminado no território gaúcho. Em 1993 a aftosa é controlada com a vacinação do rebanho e medidas sanitárias. O Rio Grande do Sul registra apenas quatro focos. Após quase três anos sem registrar casos em seu rebanho, estados do sul são autorizados a exportar carne para a Europa. Além disso, em 1998, o estado conquista a condição de zona livre de aftosa com vacinação, concedida pela OIE.

Em 2000 o estado gaúcho volta a registrar focos de aftosa, suspendendo o processo que transformaria o Estado em zona livre de aftosa sem vacinação. Milhares de animais são abatidos para tentar controlar a expansão da doença. Já em 2002, o estado estabeleceu sua condição sanitária de zona livre com vacinação novamente, o que durou até maio deste ano, quando o estado passou para a zona livre sem vacinação.

A transmissão da febre aftosa acontece quando há o contato com o vírus expelido pelo animal infectado ou em período de incubação, no ar expirado, saliva, fezes e urina, leite e sêmen e carne infectados com as mucosas das vias digestivas ou vias respiratórias do animal suscetível.

Essa transmissão pode ocorrer de diferentes formas. Para Fernando Groef, Coordenador do Controle da Enfermidade da Secretaria da Agricultura (SEAPA), o principal problema da aftosa é o fluxo dos animais entre propriedades, que é o maior transmissor em sistemas comerciais como é a agropecuária no Rio Grande do Sul, por exemplo.

“Exposições, feiras, troca de reprodutores e transferência de pastagem por exemplo contribuem para o aumento desta mobilização”, completa Fernando.

Esses eventos, propiciam que o contato direto ou indireto (animal infectado para animal vulnerável, através da ingestão de água e alimentos contaminados e também através de gotículas expelidos pelos animais doentes) entre animais seja maior.

Outras formas de transmissão também são os veículos animados (humanos), inanimados (veículos e objetos) e a aerotransportação do vírus (até 60 km sobre a terra e 300 km sobre o mar).
Gisane Lanes de Almeida é fiscal agropecuária em Santa Maria e relata que a febre aftosa é uma doença que se dissemina com muita facilidade.
“Além disso, o vírus tem uma capacidade de resistência no ambiente muito grande. As pessoas que trabalham com os animais podem ficar com suas roupas contaminadas e acabar contaminando outros rebanhos e o vírus também pode ficar preso nas rodas dos carros”, diz Gisane.

Inicialmente silenciosa, a doença causa febre (39,5 a 40,6ºC) nos bovinos, Os primeiros sinais da patologia, acontecem entre 02 a 14 dias do contato com o vírus. Alguns sinais são: Formação de vesículas (aftas), que estouram causando erosões e úlceras na região da língua, gengiva, palato mole, narinas, focinho, espaço interdigital, coroa do casco e epitélio mamário; Redução da produção de leite; Salivação excessiva por ptialismo;Descarga nasal serosa incolor; Manqueira.

De acordo com Gisane, “juntos, esses sinais são críticos pois causam, além de muita dor no animal, um grande prejuízo no rebanho ao qual ele faz parte e em possíveis rebanhos que o animal possa vir a ter contato”.
Algumas complicações que a doença causa e que é importante que os produtores estejam atentos para identificar se há suspeita de febre aftosa são: apatia, dificuldade de locomoção e ficar de pé, deformação dos cascos, falta de apetite, perda de peso permanente, infecções secundárias, mastites, abortos, diminuição permanente da produção de leite, doença cardíaca e morte.

É fundamental que pecuaristas e produtores rurais fiquem atentos e, caso confirmem suspeita da doença, notifiquem a Inspetoria da sua cidade, para que sejam feitos os exames específicos, realizados nas redes de laboratórios oficiais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. De acordo com Fernando, a campanha de vacinação realizada por todos esses anos no estado não protegeu o ingresso do vírus nos animais, e sim preveniu que houvesse focos explosivos da doença. Dessa forma, é importante que profissionais da área sigam os protocolos de biossegurança para evitar o retorno do vírus.

“É fundamental a vigilância do produtor agropecuário, criador, funcionário veterinário, inseminador, veterinário da prefeitura, todos profissionais que estão envolvidos no trabalho, para que se notifique a tempo caso haja suspeita”, explica Fernando.

Quando um animal é infectado, leva no mínimo 15 dias para se recuperar. A recuperação da perda de peso é lenta, a produção leiteira raramente é recuperada e as taxas de concepção tendem a ser menores. Ainda, os animais podem continuar portadores dos vírus por seis meses ou até três anos.

Não há tratamento para a doença e por isso que sua prevenção deve ser reforçada. Ainda que não tenha uma grande taxa de mortalidade, possui grande taxa de morbidade, ou seja, quando infecta, afeta muitos animais juntos. Todos os animais acometidos (infectados e recuperados) e suscetíveis que entraram em contato com indivíduos infectados, são e devem ser sacrificados. Seus cadáveres devem ser destruídos, juntamente com os objetos e produtos dos animais na zona infectada, para evitar futuras transmissões da doença.

Elisa Dessbesell de Campos
Bolsista de Comunicação

 

01/07/21

CORONAVÍRUS BOVINO (BCOV) É DIFERENTE DO VÍRUS CAUSADOR DA COVID-19

Comum em bovinos, o coronavírus que ataca o gado não é transmissível para os seres humanos

O coronavírus bovino (BCoV), descrito pela primeira vez na década de 70, difere-se do coronavírus que se hospeda em humanos, o SARS-CoV-2. Este último, causador da Covid-19 foi descoberto recentemente e tem como provável ancestral o coronavírus de morcegos. O BCoV, por sua vez, atinge apenas bovinos e não é transmitido para o homem a partir do contato com os animais ou consumo de carne e seus subprodutos. O esclarecimento é feito pelos pesquisadores e especialistas em virologia Mathias Martins e Diego Diel.

A pandemia causada pelo novo coronavírus tem trazido reflexões e questões relacionadas às mais diversas áreas como educação sanitária, econômica e social, se tornando um problema de saúde única. Com o tempo, surgiram questionamentos quanto às origens do vírus e como este pode se propagar, tendo em vista que há vários anos já foi constatado vírus pertencentes à mesma família viral (Coronaviridae), que atacam mamíferos, como os bovinos.

O médico veterinário e pesquisador Mathias Martins explica que entre o coronavírus bovino e o humano, existem diferenças importantes. A primeira delas se refere à gama de hospedeiro, ou seja as espécies animais que podem ser infectadas. Também é importante observar a diferença na patogenicidade, a capacidade de causar a doença, bem como, a gravidade que ela pode atingir.

Desde que foi descrito pela primeira vez, o BCoV traz prejuízos econômicos aos produtores rurais, seja na pecuária de corte ou de leite. Isso porque quando ataca o rebanho, pode causar diarreia neonatal em bezerros e disenteria de inverno em bovinos adultos, associado em alguns casos com doenças respiratórias. O professor e também pesquisador Diego Diel alerta para os casos mais graves, quando ocorre a mortalidade dos animais devido a desidratação extrema.

 

Transmissão e diagnóstico

A forma mais comum de transmissão do coronavírus bovino é por meio da via oral-fecal. Porém, a presença de gotículas e ingestão de água e ração contaminadas são também porta de entrada para o vírus.

A gravidade dos sinais clínicos depende da idade do bezerro e de seu estado imunológico. Isso costuma ser observado pelos produtores nos meses de inverno, já que o vírus é mais estável no frio. Por sua vez, a disenteria de inverno é encontrada geralmente em bovinos adultos. Os sinais clínicos incluem diarreia com sangramento e diminuição da produção, perda de apetite e alguns sinais respiratórios. O vírus também pode causar doença respiratória leve ou pneumonia em bezerros até seis meses. Além disso, é importante estar em alerta aos animais que não apresentam sintomas do BCoV e acabam transmitindo a infecção, eles são chamados de portadores assintomáticos.

 

Tratamento

Assim como ocorre para outras espécies de coronavirus, não há tratamento para o BCoV, apenas terapias de suporte. No entanto, existem vacinas desenvolvidas contra o coronavírus bovino, uma forma de prevenir a doença. O imunizante é devidamente registrado junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e de uso exclusivo dos médicos veterinários.

Por serem vírus de espécies diferentes, constata-se que a vacina contra o coronavírus bovino não protege humanos da Covid-19, da mesma forma em que os animais não precisam tomar a vacina contra o SARS-CoV-2. O pesquisador Martins ainda reforça da impossibilidade do BCoV causar a Covid-19, sendo uma doença registrada em humanos. "Hoje estão disponíveis diversos estudos demonstrando que o SARS-CoV-2 tem capacidade limitada de se manter viável fora de um hospedeiro. Além dos bovinos não serem suscetíveis à infecção por SARS-CoV-2, ou seja, sem possibilidade de a carne estar infectada, foi demonstrado que a principal forma de transmissão viral é o contato direto entre uma pessoa infectada e outra suscetível (não imune)", ressalta o especialista. Desta forma, o risco de uma pessoa se infectar por SARS-CoV-2 através da carne bovina, seja pela manipulação ou pelo consumo, é altamente improvável ou inexistente.

Tayline Alves Manganeli
Bolsista do setor de Comunicação da Ciência Rural

 

PERFIL DO CIENTISTA

Leandro Souza da Silva é professor titular do Departamento de Solos do Centro de Ciências Rurais da Universidade Federal de Santa Maria (CCR/UFSM) e Editor-Chefe da área vegetal da Revista Ciência Rural. O pesquisador conta um pouco da sua trajetória acadêmica para a Ciência Rural.

O docente é Técnico em Agropecuária formado pela Escola Agrotécnica Federal de Sertão (EAFS), além disso é Engenheiro Agrônomo graduado pela Universidade de Passo Fundo (UPF), com mestrado e doutorado em Ciência do Solo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Sua trajetória na pesquisa iniciou-se ainda na UPF, entre os anos de 1989 e 1994 quando cursava Agronomia. Participou de uma seleção para bolsista de iniciação científica no grupo de biotecnologia, conduzido na época pelas professoras Lizete Augustin, Magali Grando e Eunice Calvete. O pesquisador ressalta que neste grupo teve as primeiras experiências com os protocolos de pesquisa, a escrita acadêmica com a elaboração de resumos e relatórios, a participação em eventos científicos e entre outras experiências na área. “Eu fui percebendo que aquele ambiente de pesquisa era também uma alternativa profissional, incluindo o gosto que já tinha despertado pela carreira docente. Também me fez perceber a necessidade de continuar estudando após a graduação, o que me levou a cursar o mestrado e, depois, o doutorado”, complementa.

A sua linha de pesquisa é na área de Química e Fertilidade do Solo, mas também atua com vários outros assuntos. Os projetos, em sua maioria, concentram-se em estudos como, os solos de terras baixas (várzeas) e o manejo da fertilidade da cultura do arroz irrigado por alagamento. Leandro Souza da Silva comenta que o interesse por essa temática surgiu nas primeiras disciplinas do curso de Agronomia, quando recebeu um convite do professor Pedro Escosteguy para fazer parte do grupo de pesquisa dele, em decorrência do desempenho que obteve na disciplina ministrada pelo professor. Já no doutorado iniciou algumas parcerias com o Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA), local que atuou por alguns meses antes de entrar na UFSM em 2002, assim acabou direcionando suas pesquisas para essa cultura.

 

Relação com a Ciência Rural

Seu primeiro contato com o periódico científico foi como autor, sendo seu primeiro trabalho publicado uma Nota produzida ainda na época do doutorado. Atualmente, o docente possui 25 artigos publicados na Ciência Rural, nos quais parte são derivados de seus próprios projetos de pesquisa e outros são de parcerias que ocorreram com outros grupos de pesquisa da UFSM. O pesquisador destaca os trabalhos oriundos com os colegas do Departamento de Solos e com o professor Ênio Marchesan do Departamento de Fitotecnia.

Em 2006 foi convidado para aturar como Editor Associado da Revista na área de produção vegetal. “Era uma época que as tramitações eram todas impressas e vinham pelo Correio. Nos dias de reunião da equipe editorial, geralmente às quartas-feiras, haviam as “pilhas” de envelopes para cada Editor olhar, avaliar os pareceres dos revisores e dar os encaminhamentos”, lembra Leandro Souza da Silva.

Nesse sentido, ainda destaca como o periódico cresceu com a indexação nos meios eletrônicos, pois possibilitou a publicação de pesquisadores tanto de diversos lugares do Brasil, quanto de pesquisadores do exterior, dessa forma contribuindo para o reconhecimento e a internacionalização da UFSM. Em 2011, foi convidado pelo professor Rudi Weiblen para dividir as tarefas de Editor-Chefe. Ficou responsável pela área vegetal, função que exerce até hoje.

“Quanto a sua importância para mim, o que posso dizer é que eu estou prestes a completar 20 anos de UFSM e já são 15 anos colaborando diretamente com a revista. Ela já faz parte da minha jornada profissional como docente e pesquisador”.

 

Contribuição da ciência para a sociedade

O professor afirma que a importância da pesquisa está na forma como é usado o conhecimento gerado e adquirido ao longo do tempo para providenciar à sociedade serviços e soluções. Nesse viés, Leandro Souza da Silva menciona com exemplo, as informações e documentos produzidos por sociedades científicas, junto a vários pesquisadores, nas atualizações e recomendações técnicas da pesquisa para cultura do arroz irrigado e no manual de clonagem e adubação para os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina são de suma importância para o sucesso do agronegócio e setores envolvidos.

Quando questionado se a ciência é valorizada nos dias atuais, o pesquisador reflete sobre como o avanço da ciência está em tudo na contemporaneidade, entretanto apesar disso, a sociedade continua desigual.

“Enfim, parece que aquilo que já sabemos hoje seria suficiente para termos uma vida muito boa, mas alguns setores da sociedade e, principalmente, muitos governantes não entendem como podemos usar a ciência para uma vida melhor e que seja também social, econômica e ambientalmente sustentável”.


Eduarda de Medeiros Paz
Bolsista do Setor de Comunicação da Ciência Rural

 

20/05/21

IRRIGA GLOBAL: A AGRICULTURA CONECTADA

Tecnologia desenvolvida em 1999, está presente em 18 países e auxilia produtores rurais a alcançar uma irrigação eficiente, poupando água e energia.

A Irriga Global, empresa criada em 1999 na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), é responsável pelo monitoramento e manejo da irrigação de aproximadamente 300.000 ha, em 42 tipos distintos de culturas. A atividade configura o modelo da agricultura 4.0, que objetiva oferecer informações essenciais e precisas ao produtor agrícola, guiando suas decisões com assertividade e confiança.

A empresa é uma das primeiras startups criadas em ambiente acadêmico na UFSM. Hoje, sua tecnologia alcança as regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil, além de 17 países: Uruguai, Paraguai, Argentina, Estados Unidos, Chile, México, Itália, Austria, Eslováquia, Hungria, Sérvia, Romênia, Ucrânia, Rússia, Turquia, África do Sul e Suíça.

Reimar Carlesso, idealizador e CEO da Irriga Global nos conta que inicialmente a ideia era desenvolver um aplicativo capaz de entregar informações corretas de quando e quanto deveria ser irrigado, para diminuir a utilização de recursos naturais e em consequentemente, aumentar a produtividade. Em um cenário desprovido de maiores tecnologias e com a Internet recém chegando à cidade, este foi o primeiro projeto no Rio Grande do Sul a instalar a rede de comunicação no meio rural. “Na época a conectividade era limitada, então houve uma demora na expansão da tecnologia, pois precisávamos de um desenvolvimento maior na rede”, comenta o CEO Reimar Carlesso.

Com o avanço na tecnologia e a implementação de novos sensores capazes de captar e gerar informações em tempo real, o aplicativo desenvolvido pela Irriga tornou-se fundamental à agricultura gaúcha e brasileira, ganhando adesão por grande parte dos produtores rurais. Em 2014 a empresa recebeu do governo suíço a proposta de ampliar o sistema em escala Europa. Este foi o princípio da expansão dessa tecnologia para o mundo todo.

O aplicativo desenvolvido na década de 90, é aprimorado constantemente, ao passo da evolução tecnológica. Após sua expansão viabilizou-se o monitoramento com a utilização de estações de campo, que coletam em tempo real os dados de precipitação/irrigação e umidade do solo de cada uma das áreas monitoradas. A plataforma também permite que o produtor receba todas as informações por meio de mensagens eletrônicas (SMS), WhatsApp ou e-mail.

COMO FUNCIONA O MONITORAMENTO DA IRRIGAÇÃO:

A Irriga Global recomenda diariamente a lâmina de água que deve ser aplicada em cada área cadastrada na plataforma e estima a necessidade de irrigação para os próximos sete dias. A disponibilização das recomendações é feita através do site Irriga Global ou do aplicativo de mesmo nome. Além disso, também é fornecida a previsão de ocorrência de chuvas para os próximos dias.

Segundo Luan de Ávila, Técnico em Agropecuária e Representante Comercial da Irriga, é realizada uma coleta de informações por pivô, utilizando a sonda FDR para captar informações precisas sobre a porcentagem de umidade do solo, em 3 profundidades diferentes. A FDR é uma técnica que contempla as características para um equipamento que monitora a água no solo. Posteriormente, são recolhidas amostras do solo que são enviadas para análise em laboratório. Através desse estudo, é possível determinar o perfil de cada solo.

GESTÃO DA ENERGIA EM TEMPO REAL

O sistema desenvolvido pela Irriga permite a gestão da energia em tempo real com o monitoramento diário de cada campo irrigado. A partir dessa ferramenta torna-se possível a redução de custos, eliminação de multas tarifárias, e a priorização do uso da energia no horário reservado, com base nos horários de tarifa reduzida.

Outras ferramentas também estão disponíveis dentro da plataforma, como o controle de aplicação de agroquímicos. Ela oferece uma previsão das condições meteorológicas para aplicação nas próximas 24h, tendo em vista as condições variáveis de vento, radiação solar, temperatura e umidade relativa do ar.

A agricultura 4.0 trouxe muitas mudanças para os produtores rurais. Segundo Reimar Carlesso: “dar suporte aos agricultores na tomada de decisão é fundamental”. Por isso, contar com a tecnologia proporciona a otimização da produção e gestão agrícola em diferentes estágios, aprimorando o controle, o monitoramento e a forma de se trabalhar.

Tayline Alves Manganeli
Bolsista do setor de comunicação da Ciência Rural

 

12/05/21

 

Fenômenos meteorológicos e a vulnerabilidade da Agricultura

O produtor rural deve entender os fenômenos meteorológicos, como se comportam e como podem ajudar, atrapalhar ou até destruir a produção, para que assim se encontre maneiras de amenizar ou até mesmo evitar os riscos

Quando falamos sobre bom rendimento e produtividade no campo, a meteorologia deve ser um dos maiores aliados do produtor rural. Isso porque o clima é um dos fatores que mais impactam a produção agrícola, seja ele qual for. A depender do clima, etapas importantes como plantio e colheita podem ser atrasadas, por exemplo, o que modifica todo o ciclo produtivo.

Nereu Streck, professor da UFSM no departamento de Fitotecnia, possui graduação em Agronomia e mestrado em Agronomia (Agrometeorologia) pela UFSM e PhD em Agronomia (Agrometeorologia) pela Universidade de Nebraska - Lincoln, USA. De acordo com ele, a produção agrícola é altamente vulnerável em relação a fenômenos meteorológicos, e, por isso, agricultores e demais profissionais das áreas rurais devem sempre estar de olho na previsão do tempo, tão como buscar entender mais sobre o assunto. Uma boa forma de fazer isso, é procurar consultores e assistência técnica, para assim aprimorar o desempenho das lavouras e produção de animais.

“Essas são algumas boas estratégias para reduzir os riscos, porém, não conseguimos eliminar o problema, somente amenizá-lo. Uma alternativa mais efetiva também é o seguro de lavoura, mas que ainda não é muito usado no Brasil, principalmente pelo alto investimento que requere”, explica Nereu.

Outra importante ferramenta que pode ser usada pelos profissionais rurais, é o Zoneamento Agrícola de Risco Climático. O aparato auxilia a minimizar os riscos na agricultura relacionados aos fenômenos climáticos e permite identificar a melhor época de plantio das culturas, nos diferentes tipos de localidades, solo e ciclos de cultivares. Esses parâmetros são analisados a partir de uma metodologia desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e apoiada pelo Ministério da Agricultura. Assim, são quantificados os riscos climáticos envolvidos na condução das lavouras que podem ocasionar perdas na produção. Atualmente, os estudos de zoneamentos agrícolas de risco climático já contemplam 40 culturas, sendo 15 de ciclo anual e 24 permanentes, além do zoneamento para o consórcio de milho com braquiária, alcançando 24 Unidades da Federação.

Para ajudar ainda mais o produtor, é importante também que ele entenda os fenômenos meteorológicos, como se comportam e como podem ajudar, atrapalhar ou até destruir seu trabalho.

A temperatura, por exemplo, pode causar a queima das folhas, caso esteja muito elevada, acima de 35º. Além disso, também faz com que a necessidade hídrica das plantas fique elevada. Já quando temos temperaturas muito baixas, a planta identifica uma fase de reserva de energia. Sendo assim, ela paralisa seus processos, abortando a floração e impactando seu ciclo reprodutivo significativamente. Em climas muito frios, a produção vegetal pode ainda congelar e consequentemente paralisar o seu processo de crescimento.

As chuvas, como já sabemos, causam grande influência no trabalho agrícola. Podemos identificar três tipos desse fenômeno: as orográficas, comuns em regiões montanhosas, pelo bloqueio das massas de ar úmido por parte do relevo; as convectivas, que ocorrem em todo o mundo, advindas do calor, com curta duração e forte intensidade; e as frontais, que ocorrem em função do encontro entre massas de ar frio e quente.

Como podemos ver, o fenômeno das chuvas é simples, mas traiçoeiro. As recentes mudanças climáticas têm afetado suas frequências e forças. Além disso, enquanto, por exemplo, o trigo vem a sofrer com o excesso de água, o complexo hortifrutigranjeiro é impactado com a falta. Por isso, é preciso, além de investir na redução dos impactos, adaptar as culturas às condições mais favoráveis ao seu desenvolvimento. A tecnologia tende a ser uma boa saída nesse caso.

Para Nereu, os produtores agrícolas devem ficar também atentos aos ventos. Dependendo de sua força, às vezes até se escalando para vendavais, os prejuízos à lavouras e produção de animais podem ser catastróficos. Isso porque não existe uma proteção a se fazer em grande escala para resguardar a lavoura por exemplo. Em ventos mais amenos, uma opção é usar um quebra-ventos, uma barreira vegetal usada para proteger as plantas contra a ação de ventos fortes, além de proporcionar um ambiente favorável à produtividade das lavouras e dos animais. Porém, não é sempre que isso é suficiente.

“Em ventos mais velozes, como os vendavais, o quebra-ventos possui pouca eficiência”, fala Nereu.

Outros fenômenos meteorológicos que causam importantes impactos na produção rural são: a luminosidade, chuva de granizo e umidade do solo. Como disse Nereu Streck, por conta da agricultura ser extremamente vulnerável em relação aos efeitos e fenômenos meteorológicos, é fundamental que os profissionais das áreas rurais e agrárias se especializem no tema, busquem consultorias e assistências. Dessa forma, será possível que se planeje e programe a sua produção rural, evitando assim vários riscos de atrasos e destruição do trabalho feito.

Elisa Dessbesell de Campos
Bolsista de Comunicação da Ciência Rural

 

22/04/21

Perfil do Cientista:

Enio Marchesan é Professor do Departamento de Fitotecnia do Centro de Ciências Rurais da Universidade Federal de Santa Maria (CCR/UFSM) e conta um pouco da sua trajetória acadêmica para a Ciência Rural.

 

Enio Marchesan é Engenheiro Agrônomo, formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em 1977. Marchesan começou sua trajetória na pesquisa científica através de trabalhos encaminhados para reuniões técnicas de culturas agrícolas e para congressos. "Considero muito importante os pesquisadores apresentarem os seus projetos e resultados nesses eventos, pois incentiva quem está começando a continuar na área, permitindo também, muitas vezes, a ter o nome em trabalhos publicados, já no início da vida acadêmica.", destaca Enio. Foi assim que surgiu seu gosto pela pesquisa.

Em 1979, ingressou para o Mestrado em Fitotecnia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Já em 1988, começou o doutorado em Fitotecnia na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, uma unidade da Universidade de São Paulo (USP/ESALQ), o qual finalizou em 1991. Hoje em dia, leciona as disciplinas de graduação em Agronomia e no programa de pós-graduação em Agronomia do Departamento de Fitotecnia da UFSM.

A Fitotecnia é um ramo dentro das ciências agrárias, a qual consiste em estudar o crescimento e a melhor produção possível de plantas. Ou seja, o objetivo é otimizar as culturas com o aumento de produção e o rendimento de cada cultivar. Segundo Enio Marchesan, a sua linha de pesquisa é ampla, já que atua em ambientes de terras baixas, de áreas de várzea ou de áreas de arroz. "Os principais trabalhos que desenvolvi em minha trajetória são relacionados ao cultivo de arroz", explica Enio. "No entanto, trabalhei com outros tipos de grãos, como canola, girassol, sorgo, milho, soja e entre outros.".

Relação com a Ciência Rural

Marchesan possui diversos trabalhos publicados na Revista Ciência Rural e afirmou que a relação com o periódico começou a partir do mestrado. "Nessa etapa da vida acadêmica dos pesquisadores, é necessário conhecer os princípios da pesquisa científica, como a metodologia e tudo que está envolvido no procedimento de um trabalho apto para ser publicado em revistas científicas da área.", explica o Engenheiro Agrônomo. Ademais, o Enio enfatizou como a revista cresceu em nível de qualidade, visto que precisava se equiparar com outras nacionais e internacionais e por isso, os pesquisadores tiveram a oportunidade de crescer junto com ela.

Contribuição da ciência para a sociedade

O pesquisador é membro do Grupo de Pesquisa em Arroz Irrigado e Uso Alternativo de Áreas de Várzea (GPAI/UFSM), o qual desenvolve projetos para potencializar o uso cada vez mais intensivo e sustentável das áreas de arroz, por exemplo, a produção sem uso de defensivos como alternativa de mercado. Enio afirmou que o grupo tem muito a contribuir para a sociedade, "buscando o bem-estar dos diferentes atores e segmentos envolvidos, como o produtor, atender as demandas do mercado, o que os consumidores desejam e focar em um sistema de produção que proteja os solos, os recursos naturais e o ambiente.".

Além disso, o engenheiro agrônomo acredita que a ciência é valorizada hoje, mas ainda existe uma falta de comunicação entre a sociedade e os cientistas. "Nós temos que nos comunicar melhor com a sociedade nesses aspectos, demonstrar essa importância, como é que a ciência é produzida e como afeta o dia a dia das pessoas". Neste sentido, obter mais conhecimento através dos recursos disponíveis, como os periódicos científicos, de acordo com Marchesan é uma maneira de capacitar-se para oferecer alternativas e para interpretar os problemas propostos e ajudar os diversos segmentos da sociedade.

Por Eduarda de Medeiros Paz
Bolsista do Setor de Comunicação da Ciência Rural.

 

19/04/21

AVANÇOS NA PRODUÇÃO AGRÍCOLA: A TECNOLOGIA COMO FERRAMENTA PARA CRIAR MELHORES CONDIÇÕES NO CAMPO


Profissionais da área devem conhecer as novas demandas tecnológicas, pois a modernização no campo não para e a competitividade no mercado é alta.

Por muitos anos, trabalhadores agrícolas carregaram o trabalho da produção de alimentos e derivados nas costas, sem a ajuda de materiais inovadores. Com o avanço da globalização e da tecnologia, hoje, esses profissionais podem contar com diversos facilitadores não só para produzir mais, como também para produzir melhor.

Dessa forma, é fundamental que os profissionais da área (consultores agrícolas, produtores rurais e gestores da agroindústria) se especializem, busquem consultoria e conheçam as novas demandas tecnológicas, pois a modernização no campo não para e a competitividade no mercado é alta.

Alexandre Monteiro Chequim é Engenheiro Agrônomo pela UFSM e CEO da DigiFarmz Smart Agriculture. A empresa, por meio de estudos especializados, realiza indicações para produtores, agrônomos e consultores sobre o manejo fitossanitário das doenças da soja. A plataforma digital combina dados de pesquisas, informações climatológicas, genética de cultivares, datas de semeadura, local e outros parâmetros, para assim garantir uma produção de soja de maior qualidade.

Para Alexandre, há hoje uma demanda muito expressiva de aumento de alimentos para a população. Como essa geração toda de alimentos não pode passar pelo aumento das áreas, a tecnologia entra para ajudar.

“Temos que otimizar cada vez mais o uso da área para prover mais alimentos e derivados com uma eficácia muito maior, e assim também impactando menos o meio ambiente, e usando menos recursos e químicos” explica o Engenheiro Agrônomo.

Thomas Newton Martin, Agrônomo e Professor do departamento de Fitotecnia da UFSM, explica que essa tecnologia deve estar alinhada com os princípios de sustentabilidade.

“Seja ela econômica, e então aumentando a produtividade, maior retorno financeiro, menor custo e consequentemente maior retorno do capital investido; social, facilitando o dia a dia do manejo e das práticas nas culturas que a propriedade se dedica; ou ambiental, evitando com que hajam contaminações do solo e das águas subterrâneas, bem como poluição do ar”, completa o Professor.

Bom, e quais são as principais inovações tecnológicas que auxiliam o produtor rural? Thomas analisa que a mais impactante é a utilização de microrganismos capazes de fixar nitrogênio, solubilizar fosfatos, inibir doenças radiculares, estimular a produção de fitormônios e reduzir a incidência de doenças. Além disso, os produtos biológicos à base de Bradyrhizobium, Azospirillum, Bacillus, Pseudomonas e Trichoderma, estão proporcionando uma revolução social, ambiental e econômica na produção de grãos.

Também é importante lembrar que são diversas áreas da tecnologia moderna que atuam junto ao campo atualmente. Algumas delas são:

-Biotecnologia:
A tecnologia torna a produção mais eficaz. Permite identificar e selecionar genes de interesse, obtendo características agronômicas positivas como tolerância a clima adverso, resistência a doenças e outras necessárias para diminuir perdas e ter altas produtividades. Também possibilita a criação de organismos geneticamente modificados (OGMs).

-Tecnologia de Mecanização Agrícola:
Essa tecnologia introduziu tratores guiados por GPS, GNSS (sistema de navegação global por satélite), sistemas de irrigação controlados por telemetria, sensores e drones que conseguem identificar pragas e doenças. Com isso, vemos aumento da produtividade, redução dos custos de produção, colheitas com operações mais rápidas e eficientes, maior determinação nas decisões com base em informações meteorológicas, dados do solo, localização geográfica etc.

-Internet das Coisas (IoT):
Aqui falamos de sensores, satélites, aplicativos, inteligência artificial. O princípio é a conexão de dispositivos, objetos e serviços por meio da internet, utilizando seus padrões e suas tecnologias. É um dos pilares para a agricultura de precisão, pois consegue integrar diversas informações do campo, como localização geográfica, previsões meteorológicas, dados do solo e dados das máquinas em atividade. Com essas informações, dependendo do que o solo precisa, da máquina, ou da previsão meteorológica, o agricultor consegue tomar decisões mais rápidas e melhores que impactam diretamente nos resultados.

-Agricultura de Precisão:
Utilização de aparelhos tecnológicos avançados para analisar de forma precisa as condições das áreas de atividades agronômicas baseada no princípio da variabilidade do solo e clima. A partir de dados específicos de áreas geograficamente referenciadas, é implantado o processo de automação agrícola, e os adubos e agrotóxicos são dosados. Assim, é possível identificar a diversidade espacial e temporal no campo. Em consequência, temos melhorias no manejo das culturas, menos contaminação dos solos das áreas produtivas, aperfeiçoamento do uso de insumos agropecuários, redução dos custos de produção e aumento de produtividade.

 

30/03/21

Horst Wißdorf; Hassen Jerbi; Miriam Meier-Schellersheim. 2021. Anatomical Differences of the Donkey, Mule, and Horse. An Analysis Relevant to Veterinary Medicine. 144 pp. ISBN 978-3-8316-4873-3. Utzverlag GmbH, München.

Este livro é o primeiro trabalho a descrever a anatomia aplicada das espécies domésticas da família Equidae. Durante a furtividade, os burros tiveram grande importância econômica como animais de carga em muitos países montanhosos, em minas e em áreas inacessíveis. Nos últimos anos, muitos burros foram mantidos como animais de estimação nos países ocidentais e usados para fins recreativos e turísticos. Em nossa região, esses animais são os mais comuns em algumas partes da Argentina e recentemente seu número aumentou no Uruguai. A mesma forma de cruzamentos com o cavalo (mulas, hinnies) está presente na região. Todos esses animais precisam de assistência veterinária e para enfrentar esses desafios você não precisa de um conhecimento anatômico sólido, ser capaz também de saber as diferenças entre burros, mulas e cavalos.

Atualmente, além da escassez de livros sobre anatomia de burros e mulas, não existe nenhum livro que contemple as espécies citadas de forma comparativa, por isso é importante que este tipo de bibliografia apareça.

Esta edição em inglês corresponde à tradução do original que apareceu no passado, intitulado: "Unterschiede in der Anatomie von Esel / Muli und Pferd Eine veterinärmedizinisch Zusammenstellung".

Este livro foi produzido por especialistas em anatomia de cavalos, como o Prof. Horst Wissdorf, que de 1972 a 1996 foi diretor do Departamento de Embriologia e Anatomia Aplicada da Universidade de Medicina Veterinária de Hannover. Wissdorf é também autor de um dos melhores livros sobre anatomia e profecia de cavalos: "Praxisorientierte Anatomie und Propädeutik des Pferdes". No livro que apresentamos, com a ajuda de um dos melhores anatomistas do momento, o Prof. Hassen Jerbi da Tunísia, que realizou a maior parte das dissecações que surgiram em minha mente.

O objetivo do livro é descrever as diferenças anatômicas por meio de descrições concisas, juntamente com fotos de animais e espécimes vivos. Este livro contém 144 páginas distribuídas em 16 capítulos (disponíveis na versão impressa e em pdf) nos quais são descritos todos os artifícios e sistemas do burro e da mula, marcando as principais diferenças com o cavalo.

Para os interessados em pesquisa, uma literatura para cada capítulo é fornecida no final do livro. O texto, muito breve, é profusamente ilustrado, destaca todas as diferenças de Importância Veterinária, entre outras: a inserção de uma sonda nasogástrica; injeções e extrações de sangue da veia jugular externa; a pele como órgão; diferença nos sinais vitais, como temperatura, batimentos cardíacos e frequência respiratória, etc.

O livro complementa de forma significativa o conhecimento contido em livros especializados em anatomia, propedêutica e clínica de cavalos, e não apenas relevantes para veterinários e estudantes de veterinária, mas também de interesse para proprietários e criadores. Portanto, é um complemento ideal na biblioteca de qualquer um deles.

William Pérez
Unidad Académica de Anatomía, Facultad de Veterinaria, Universidad de la República, Montevideo, Uruguay.
vetanat@gmail.com
https://orcid.org/0000-0002-9647-4731

 

23/03/21

CULTIVAR PLANTAS AJUDA A DIMINUIR O ESTRESSE E ANSIEDADE DURANTE A PANDEMIA
Com plantas em casa, podemos cultivar paciência e esperança em dias melhores


Professora Daniela Simão também apostou no cultivo das plantas em sua casa

 

Cuidar da saúde física e mental sempre foi indispensável para manter a qualidade de vida. Durante a pandemia e o consequente isolamento social, ampliar esses cuidados tornou-se ainda mais importante. As plantas foram grandes aliadas para quem buscou um passatempo, uma forma de amenizar a solidão ou deixar a casa mais colorida e acolhedora.

Ter plantas em casa é uma maneira de estarmos em contato direto com a natureza, o que por si só, já proporciona sensações de bem estar e relaxamento, afirma a bióloga e professora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Daniela Simão. Em conversa com a Ciência Rural, ela ressalta que estudos científicos demonstram há vários anos que o contato diário com plantas, previne uma série de problemas de saúde, como diabetes, obesidade e problemas cardíacos, bem como, auxilia nos casos de depressão e ansiedade, melhorando a qualidade de vida e saúde física, mental e emocional.

Isso se explica, segundo a professora, porque durante a atividade as pessoas se mantêm focadas somente no que estão fazendo. Utilizando os sentidos, especialmente visão, tato e olfato, essa prática melhora também a concentração e a capacidade de atenção. Benefícios físicos também podem ser notados. A bióloga cita a redução da frequência cardíaca, a melhora no sistema imunológico e habilidades motoras. “Acredito também que, ao acompanharmos o ciclo de vida das plantas (germinação, desenvolvimento das primeiras folhas, flores e frutos), podemos desenvolver também a paciência e, por que não, a esperança em dias melhores”, complementa.

Estatisticamente, houve uma maior procura pela compra de plantas, o que foi notado por quem trabalha no ramo. Hazael de Almeida, coordenador do setor de Floricultura do Colégio Politécnico da UFSM, integra a Floricultura Floresce - a única floricultura escola do Brasil, e nos afirma ter notado uma crescente busca por espécies que podem ser cultivadas em casa. Ele nos relata que o setor também precisou se reinventar. Como a floricultura situa-se dentro da Universidade e fica fechada durante a pandemia, a forma de continuar a atividade de comercialização das plantas é através da “Polifeira”, uma feira localizada na Avenida Roraima, em Santa Maria – RS.

Ao longo dos 12 primeiros meses de pandemia no Brasil, as vendas desse setor tiveram um crescimento de 30% a 35%, conforme nos informa Walter Luis Winge, Presidente da Associação Rio-Grandense de Floricultura – AFLORI. Segundo ele, a comercialização de plantas aumentou após a Páscoa, em abril de 2020, quando de fato a maioria das pessoas isolou-se em casa. A partir de então, até fevereiro de 2021, houve um aumento de cerca de 40% na procura de plantas se relacionado aos meses do ano anterior.

Além de auxiliar o comércio local, cultivar durante a pandemia é uma atividade terapêutica e recreativa, podendo ser contemplada em qualquer idade. A professora Daniela Simão recomenda que essa atividade pode e deve ser incentivada por pais e professores, já que desenvolve inúmeras habilidades, como a coordenação motora, a concentração e criatividade. A criança pode aprender não apenas sobre as plantas, mas também sobre outros seres vivos ao seu redor, como fungos e bactérias que habitam o solo, insetos e outros animais que podem visitar as flores.

A atividade também promove a aproximação familiar, através do compartilhamento de responsabilidades e tarefas entre pais e filhos. Neste caso, é importante selecionar a espécie adequada, evitando plantas que podem causar intoxicações sérias em crianças menores e em animais de estimação.

Em relação aos cuidados com as plantas, a bióloga relembra que toda espécie precisa de cuidados básicos como luminosidade, água e nutrientes, sendo que cada uma tem a sua necessidade particular. Ela recomenda que no caso de não possuir muita experiência, a dica é sempre consultar um profissional da área que vai poder lhe indicar a planta adequada para seu ambiente.

Sua recomendação é das plantas suculentas, que são de fácil manutenção, com regas mais espaçadas, embora precise de locais que recebam luz solar direta, pelo menos por 4 horas diárias, de preferência no início ou final do dia. Para ambientes menos iluminados - como os apartamentos, são recomendadas as chamadas folhagens, pois não necessitam que a luz incida diretamente sobre ela, sendo suficiente apenas uma boa claridade.

O interesse por essa atividade, também resulta na criação de mini-hortas, proporcionando uma alimentação mais saudável a quem adota essa prática. Conforme orienta a professora, salsinha, cebolinha, manjericão, hortelã e capim-cidreira são relativamente fáceis de serem cultivados em residências, mesmo em apartamentos - embora necessite de luz solar direta para um melhor desenvolvimento, e podem dar aquele toque saboroso e saudável nas refeições diárias.

Cuidar de plantas foi outra grande (re)descoberta da humanidade durante a pandemia, período que estamos tão longe uns dos outros, mas tão próximos de si mesmos. Permitir-se viver momentos de relaxamento e distração com certeza podem auxiliar a enfrentar esse momento tão delicado.

Por Tayline Alves Manganeli
Bolsista do setor de comunicação da Ciência Rural

 

 

22/03/21

PERFIL DO CIENTISTA: JULIANA CARGNELUTTI

Juliana Felipetto Cargnelutti é Professora Adjunta do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva (CCR/UFSM) e conta um pouco da sua trajetória no meio acadêmico para o nosso Perfil do Cientista.

Juliana Felipetto Cargnelutti possui graduação em Medicina Veterinária, concluída em 2008, pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Logo após, ingressou no mestrado na mesma instituição, finalizando em 2010. Diante disso começou o doutorado e em 2013, iniciou o pós-doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária da UFSM, com foco em Medicina Veterinária Preventiva/Virologia Veterinária, com término em 2018. Ainda na graduação começou a se interessar pela área da pesquisa científica, assim ingressou em grupos de pesquisa. Foi bolsista de iniciação científica (PIBIC-CNPq) na área de patologia clínica e, além disso, atuou na área de medicina veterinária preventiva. Com essas experiências, Cargnelutti percebeu que gostaria de seguir no campo da docência e buscou aperfeiçoar-se no âmbito acadêmico, o qual atua hoje.

A pesquisadora é responsável pela disciplina de Doenças Infectocontagiosas dos Animais Domésticos, coordena o Laboratório de Bacteriologia, orienta alunos no Programa de Pós-graduação em Medicina Veterinária/UFSM e no Programa de Residência na Área Profissional da Saúde em Medicina Veterinária, e também é editora associada da Ciência Rural.

Sua área de pesquisa é a de Doenças Infectocontagiosas dos Animais Domésticos. Por muitos anos, ressalta a pesquisadora, trabalhou na área de virologia veterinária e, após ingressar na UFSM como docente, começou a trabalhar também com doenças bacterianas dos animais domésticos, tanto em pesquisas relacionadas ao diagnóstico dessas doenças, quanto em medidas preventivas e na busca de métodos alternativos para o tratamento de doenças bacterianas causadas por bactérias multirresistentes aos antibióticos.

Relação com a Ciência Rural

Como já mencionado antes, Cargnelutti é editora associada da Revista. Atua, em especial, na área de doenças infectocontagiosas dos animais, mas também contribui com as atividades dos professores e editores-chefe Rudi Weiblen e Leandro Souza na parte administrativa.
Sua relação com a Ciência Rural começou ainda como aluna de graduação. Questionada se lembrava de seus primeiros trabalhos publicados no periódico, Juliana relembra que foi como aluna de iniciação científica, nos quais foi co-autora de três artigos. Já, como autora principal, um dos seus primeiros artigos publicados na Revista foi em 2014 e possui o título, “Pseudovaríola e estomatite papular em bovinos no Estado de Rondônia, Brasil”. Entre os trabalhos publicados como co-autora e autora principal, a pesquisadora possui 10 trabalhos na Ciência Rural. “A Revista CR tem grande importância na minha vida profissional, pois além de ser um excelente local para a publicação dos resultados das pesquisas realizadas pelo nosso grupo, é um local de formação como editora e como avaliadora de artigos científicos”, relata Cargnelutti.

A valorização da ciência

Qual a importância da ciência para a sociedade? Cargnelutti evidencia que toda a pesquisa tem o objetivo de trazer respostas, aperfeiçoar métodos e produtos e até mesmo preencher lacunas para questões relevantes à sociedade. “A situação da pesquisa, tanto no Brasil quanto no mundo, melhorou muito, mas no Brasil ainda não se dá o devido valor a essa atividade. Então, ainda é necessário maior investimento nessa área e a valorização dos pesquisadores e dos alunos, porque é através dos estudos e pesquisas científicas que conseguimos evoluir em todos os setores”.

Nesse contexto, a divulgação científica realizada pelo periódico é de suma necessidade para os avanços de pesquisas. “A Revista Ciência Rural contribui para a valorização da ciência, pois é um periódico amplo, o qual permite publicar pesquisas das diferentes áreas das ciências agrárias”. Além disso, ainda ressalta que “a Revista está indexada em diferentes plataformas de pesquisa, e que atualmente publica apenas em inglês, o que permite uma maior visibilidade dos trabalhos.”, destaca Juliana.

Por Eduarda de Medeiros Paz
Bolsista do Setor de Comunicação da Ciência Rural

 

08/02/21

VACINAS CONTRA A COVID-19: SÃO SEGURAS? COMO ELAS AGEM NO ORGANISMO?

Em andamento desde o dia 20 de janeiro, a vacinação contra a Covid-19 no Brasil ainda permanece lenta. Falta de vacinas e insumos para a fabricação das mesmas são apontados como maiores problemas.

O calendário marcava o dia 1º de dezembro de 2019, quando foi diagnosticado o primeiro caso de ser humano infectado com coronavírus. Desde então, esse novo vírus assombra bilhões de pessoas causando a COVID-19, doença que apresenta um quadro clínico variável, podendo apresentar desde infecções assintomáticas até os quadros mais graves. A busca pela cura é incessante. Ainda não foi desenvolvido nenhum medicamento capaz de controlar o vírus já presente no corpo, no entanto, métodos de prevenção começaram a ser investigados. Em outubro de 2020, o mundo presenciava cerca de 200 propostas de vacinas em testes. Destas, 44 chegaram aos estudos clínicos, que consiste na a experimentação em humanos, e apenas um grupo de 10 projetos atingiu a terceira fase. Quatro meses depois, a longa caminhada para a imunização já alcança diversos países, através de cinco principais vacinas: Coronavac, Moderna, Pfizer/BioNTech, Sputnik V e AstraZeneca/Oxford.

Os dados fornecidos pelo Consórcio de Veículos de Imprensa, no último sábado (30), mostram que pouco mais de 2 milhões de pessoas já foram vacinadas no Brasil, o equivalente a 0,95% da população brasileira. Um número relativamente pequeno, quando comparado ao total de casos confirmados da doença, que atinge uma marca de mais de 9,2 milhões. Os grupos que estão recebendo a vacina incluem profissionais da saúde que atuam no atendimento de pacientes com coronavírus, idosos que vivem em lares de longa permanência ou acima dos 75 anos e indígenas.

Com a demasiada atenção da mídia no entorno dos processos para a aprovação do uso das vacinas, muito foi questionado sobre a eficácia e sobre os efeitos colaterais das mesmas. Um período marcado por diversas notícias falsas, que atrapalham significativamente o trabalho de quem propaga informações corretas. Muitos pensamentos já foram desmentidos pelo programa “Saúde Sem Fake News”, do Ministério da Saúde. Ideias que defendem que a vacina causa câncer, transmite o vírus HIV ou pode transformar o ser humano em um réptil, já foram derrubadas através do órgão máximo de saúde no Brasil.

Em entrevista à Ciência Rural, o professor e virologista Eduardo Furtado Flores explicou sobre a composição das vacinas e como elas agem em nosso organismo.

Vacinas como a Coronavac, utilizam o próprio coronavírus inativado, acrescido de adjuvante (sais de alumínio), que potencializa a reposta imune. Já as da Oxford/AstraZeneca e Sputnik V, usam um adenovírus - um grupo específico de vírus, de primatas que carrega e entrega os antígenos do coronavírus no organismo da pessoa vacinada. As do modelo Moderna e Pfizer, usam uma tecnologia ainda mais inovadora. São compostas de RNA mensageiro (RNAm), que codifica a proteína capaz de gerar imunidade. Todos os modelos preveem a aplicação de duas doses e somente cerca de 15-20 dias após a segunda dose, podemos dizer que estamos adequadamente imunizados.” menciona o professor.

A resposta do organismo à vacinação ocorre de duas formas: o organismo pode preparar uma resposta humoral, formada por anticorpos que irão combater o agente, caso o organismo seja exposto uma segunda vez. Outra reação é através de uma resposta celular, com a produção de linfócitos-T (células que amadurecem para atacar diretamente ou produzir substâncias para combater o ataque ao invasor). Desta forma, as vacinas agem de modo a simular o ataque do vírus e preparam o organismo para uma infecção futura.

Ao nos vermos tão próximos de sermos vacinados por completo e voltar à normalidade, muitas dúvidas surgem, como por exemplo, por quanto tempo ficaremos imunizados, após tomar a vacina. De acordo com o professor Eduardo Flores, esse período ainda não pode ser estimado, então a resposta é incerta. “É possível que tenhamos que nos vacinar anualmente, caso o vírus siga circulando na população.”, ressalta.

Em relação a eficácia de cada vacina, a dúvida é sobre qual a que mais protege. Segundo o professor, 50% de eficácia já é capaz de desacelerar massivamente a proliferação do vírus. Tendo em vista isso, vacinas acima desse percentual, podem ser autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Segundo dados publicados recentemente pelos órgãos de saúde, os percentuais de eficácia de cada vacina são:

Nenhuma vacina, no entanto, é 100% eficaz. A da gripe, por exemplo, é aplicada todos os anos e possui sua taxa entorno de 60%. Para doenças infecciosas, o importante é levar em conta a taxa de reprodução/transmissão do vírus, também chamada de R0. Ela indica o número de pessoas que são infectadas a partir de uma pessoa infectada. No caso da Covid-19, esse número varia de 2 a 3, isso representa que cada pessoa doente pode transmitir o vírus para duas ou três pessoas, e assim por diante.

Assim, é compreensível que qualquer uma dessas vacinas possua alto grau de sucesso. Em relação à Coronovac, produzida pelo Instituto Butatan em parceria com a Sinovac, da China, ressalta-se que outros números também devem ser levados em consideração. Ela mostrou-se 50,38% eficaz contra o contágio do coronavírus, ou seja, uma pessoa vacinada tem a metade das chances de contrair a doença do que uma pessoa não-vacinada. Dos outros 49,62% que podem ser contagiados, apenas 22% podem precisar de assistência médica, sendo que 78% desenvolverão poucos sintomas, como por exemplo, uma leve dor de cabeça. No entanto, nenhum deles precisará de internação hospitalar, pois a eficácia em casos graves ou moderados é de 100%.

O Brasil é um país exemplo em campanhas de vacinação há várias décadas. No entanto, agiu de forma diferente no combate à uma das maiores pandemias da história. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), se houvessem materiais necessários, teríamos capacidade de vacinar 5 milhões de pessoas por dia, através das 47 mil salas de vacinação espalhadas pelo país. Isso significa que em menos de dois meses, toda a população brasileira já estaria imunizada.

O professor Eduardo Flores já recebeu a primeira dose da vacina em Santa Maria – RS, por estar atuando como coordenador do diagnóstico de COVID-19 na UFSM. Ao ser questionado sobre seu sentimento em relação a sua vacinação, ele nos diz que “a vacinação representa um triunfo da ciência sobre o atraso”. No entanto, nos faz um alerta: “é imprescindível continuar seguindo os protocolos de distanciamento social e de higiene, pois além de não ter recebido a segunda dose ainda, pouquíssimas pessoas já foram vacinas, o que ainda representa um grande desafio pela frente.”.



Por Tayline Alves Manganeli
Bolsista do setor de Comunicação da Ciência Rural


Link dos dados sobre o número de vacinados:
https://www.gazetadopovo.com.br/republica/breves/numero-de-pessoas-vacinadas-contra-covid-19-no-brasil-ultrapassa-2-milhoes/

 

14/12/20

PERFIL DO CIENTISTA - CIÊNCIA RURAL

Oceanógrafo Bernardo Baldisserotto

Com diversos artigos publicados na Ciência Rural, Bernardo é atualmente revisor do periódico. Em entrevista, o professor e oceanógrafo nos contou sobre sua trajetória acadêmica.

O ponto de partida da trajetória acadêmica de Bernardo Baldisserotto foi com a faculdade de Oceanografia Biológica, iniciada em 1983, na Universidade Federal de Rio Grande (FURG). Após a conclusão do curso, Baldisserotto iniciou o mestrado no ano de 1987 e o doutorado, quatro anos mais tarde, em Fisiologia Geral, pela Universidade de São Paulo (USP). Logo após, iniciou seu pós-doutorado em Fisiologia de Peixes, em 2001, na MacMaster University, no Canadá.

Seu caminho enquanto pesquisador científico iniciou através de um estágio no Laboratório de Plantas Aquáticas da FURG, quando ainda era graduando. Durante o estágio, teve a oportunidade de participar de diversos estudos e experimentos, exercendo, também, monitoria em Bioquímica e em Fisiologia Animal Comparada.

O professor, quando questionado sobre suas primeiras memórias com a pesquisa, mencionou que recorda com clareza de seu primeiro estudo, divulgado na Comparative Biochemistry and Physiology, enquanto ainda era monitor na FURG. "Durante a graduação uma pessoa marcou singularmente a minha trajetória foi o professor da disciplina de Fisiologia Animal Comparada na época, Euclydes dos Santos Filho. Ele estimulou o meu crescente interesse para a fisiologia.", conta Bernardo Baldisserotto. Dessa forma, já formado, direcionou suas investigações para esta área, a qual considera ser rica e abrangente, lhe permitindo vivenciar muitas experiências.

Dentre as pessoas que marcaram com carinho a trajetória do professor está Dra. Olga Mimura, que foi a inspiração para que Bernardo se aprofundasse na área de aquicultura. Anos mais tarde, com o ingresso na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e término do doutorado em Fisiologia Geral, conseguiu o credenciamento no programa de pós-graduação em Zootecnia.

 

RELAÇÃO COM A CIÊNCIA RURAL

A relação de Bernardo Baldisserotto com a Ciência Rural iniciou em 1999, quando publicou seu primeiro artigo, com o título: "Sobrevivência de alevinos de Jundiá (Rhamdia quelen Quoy & Gaimard, 1824) à variação de salinidade da água". Durante os experimentos desta pesquisa, foram colocados cerca de 50 alevinos em tanques de 250 litros, com circulação fechada, bio-filtro e aeração constante. Nessas condições, a sobrevivência dos alevinos foi observada ao longo de 96 horas. "Os resultados demonstraram que o aumento da concentração de sal causou uma elevação da porcentagem de mortalidade e alteração do comportamento alimentar. Através disso, o sal marinho pode ser testado na prevenção ou tratamento de doenças nos peixes.", explica o professor.

Nos vários anos dedicados ao mundo científico, a análise mais marcante para Baldisserotto foi a primeira com a temática de anestesia de peixes, compondo o trabalho: "Anestesia de jundiás com eugenol: tempo de indução, resposta ao cortisol e análise sensorial do filé". O artigo, publicado em 2010, identificou o tempo de indução e recuperação anestésica dos peixes jundiás, expostos ao eugenol - um forte antisséptico. A repercussão do trabalho é comprovada através do Scopus, que indica que este artigo foi mencionado cerca de 90 vezes, servindo de referência para outros trabalhos científicos.

Atualmente, Bernardo Baldisserotto, é autor e revisor da Revista Ciência Rural. Associando a fisiologia à piscicultura, sua principal linha de pesquisa baseia-se nas descobertas e no uso de óleos essenciais de plantas como anestésicos para animais aquáticos, bem como, promotores de crescimento e antibacterianos em peixes. O pesquisador também desenvolve trabalhos com abordagens em regulação iônica de animais aquáticos, principalmente os peixes.

"No meio científico, tenho sido reconhecido pelo meu trabalho, o que me dá muita satisfação. Várias das minhas pesquisas não têm uma aplicação imediata porque são de fisiologia de peixes, mas os mais aplicados à piscicultura, eu espero que de alguma forma, estejam sendo aproveitados pela sociedade." Comenta Bernardo, quando indagado sobre o reconhecimento que recebe da sociedade. Com muitos anos de dedicação e com 31 pesquisas publicadas no periódico da Ciência Rural, professor Bernardo sente-se orgulhoso do trabalho prestado à comunidade científica.

Por Tayline Alves Manganeli
Bolsista do Setor de Comunicação da Ciência Rural.

 

03/11/20

CIÊNCIA RURAL SE REINVENTA NA PANDEMIA
O Periódico Ciência Rural, existente desde 1971, está mudando as formas de comunicação com seu público.

Com o objetivo de alcançar o público-alvo de uma maneira mais dinâmica, facilitando o entendimento dos artigos publicados no periódico Ciência Rural, o setor de Comunicação da revista está desenvolvendo um projeto de produção de podcasts de divulgação científica. Os episódios são produzidos por uma equipe composta por três bolsistas de Comunicação Social e uma Jornalista. Em cada episódio, são realizadas entrevistas com os autores dos artigos e eles são orientados a usar uma linguagem acessível, que possa ser entendida por quem não é da área, facilitando assim, um melhor entendimento da comunidade geral. Todas as etapas são feitas de maneira remota. Depois de concluída a gravação e edição, o episódio é lançado na plataforma de streaming de músicas Spotify. Por enquanto, a Ciência Rural produz uma edição por mês, com uma duração média de 8 minutos.

A Jornalista Maria Luiza De Grandi, uma das responsáveis pela execução do projeto, conta que os podcasts surgiram como uma alternativa para difundir o conhecimento científico de forma fácil e acessível durante a pandemia. Tendo em vista que o rádio há vários anos oferece uma significativa parcela de contribuição à sociedade, ele serviu como base para as novas tecnologias, como os podcasts, tão popularizados atualmente. Foi pensando nisso e no fato de que a Ciência Rural possui uma considerável fração de público internacional, que os primeiros passos foram dados buscando usufruir dessa nova e potente mídia. Assim, os episódios “podem ser ouvidos quando quiser e onde estiver”, como afirma a jornalista Maria Luiza.

A Ciência Rural possuí um projeto em parceria com o Núcleo de Tecnologia Educacional da UFSM (NTE), com a produção de vídeos e reportagens presenciais. Com o atual período de isolamento social, que nos impôs várias restrições, os vídeos não puderam mais ser gravados. Assim, a ideia da realização de podcasts veio como uma alternativa. No entanto, com o tamanho sucesso e repercussão das edições, Maria Luiza nos afirma que esse novo método veio para ficar e continuará de forma ativa pós-pandemia.

Rudi Weiblen, Editor Chefe do periódico Ciência Rural, também se mostra convicto acerca do ótimo resultado apresentado pelo uso desse método inovador. “Certamente os podcasts vão alcançar um grande número de ouvintes(...), o grupo de comunicação da Ciência Rural está de parabéns, pois estão conseguindo levar os trabalhos publicados através das variadas mídias sociais, o que é muito importante para transmitir a ciência ao público geral”, nos disse Rudi.

Os podcasts estão disponíveis no Spotify e podem ser acessados através do link: https://open.spotify.com/show/376cYsN6XSBBmc8lDbjmVx?si=vtmAbPGRQlKE8rtpQZ3rVw

Através dessas iniciativas, portanto, a Ciência Rural expande suas formas de chegar até seu público-alvo, valorizando ainda mais a produção científica e permitindo que os indivíduos tenham acesso a ela de uma maneira fácil e prática, com uma linguagem compreensível.

Por Tayline Alves Manganeli
Bolsista do Setor de Comunicação da Ciência Rural.

 

28/10/20

Ciência Rural participa da 35ª Jornada Acadêmica Integrada


(Em 2020, JAI contou com sua primeira edição no formato online)

A Jornada Acadêmica Integrada (JAI), que promoveu sua 35ª edição na semana passada, é um dos maiores eventos da universidade e busca promover a iniciação dos alunos de graduação e de pós-graduação no meio acadêmico.
Na última quinta-feira (22), ocorreu a apresentação do trabalho "Divulgação científica pelas ondas do rádio: a experiência do periódico científico Ciência Rural" durante a Jornada Acadêmica Integrada (JAI) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O trabalho foi desenvolvido pela equipe de comunicação da Ciência Rural, composto pelas bolsistas Elisa Campos, Eduarda Paz, Francine Rodrigues e a jornalista Maria Luiza De Grandi. A apresentação se deu de forma remota, através de vídeo-chamada e teve duração de 10 minutos.


(Elisa Campos durante sua apresentação na 35ª JAI)

Representando o time da Ciência Rural, a bolsista Elisa Campos, do 8º semestre de Jornalismo, apresentou o trabalho. Em entrevista, Elisa conta que a oportunidade veio a somar na sua rotina acadêmica e que todos os comentários feitos pelos avaliadores foram extremamente válidos. Durante a explanação, Elisa contou como a Ciência Rural está expandindo suas estratégias de divulgação científica, adentrando os mais variados meios de comunicação, como é o caso do rádio, através da elaboração de podcasts.
O Editor Chefe da Ciência Rural, Rudi Weiblen, ao conversar com nossa equipe sobre a importância da realização desse trabalho, destacou: "Achei muito importante a participação do pessoal da comunicação, pois os podcasts são extremamente relevantes, tendo em vista que o entendimento dos artigos não é muito fácil por parte dos leitores". O sucesso da apresentação na JAI vem a servir, de agora em diante, como estímulo para a realização de um trabalho cada vez mais eficaz. Os podcasts vieram reinventar a Ciência Rural e como nos afirmou o editor chefe Rudi: "esse é o novo formato de levar ciência à comunidade em geral".

Por Tayline Alves Manganeli
Bolsista do Setor de Comunicação da Ciência Rural

 

31/07/20

Método inovador mede o teor de clorofila nas folhas de milheto: Pesquisa na Ciência Rural

Com o objetivo de encontrar outras formas para medir a clorofila das plantas, pesquisadores da Shanxi Agricultural University, em Jinzhong, China, estabeleceram um método para detectá-la em folhas de milheto em diferentes estágios de crescimento, com base em dados hiperespectrais. Os resultados do estudo foram publicados no artigo “ Estimativa do teor de clorofila para folhas de milheto utilizando imagens hiperespectrais e uma rede neural convolucional por atenção ” no periódico Ciência Rural (vol. 50, no. 3). Métodos tradicionais de medir a clorofila consomem muito tempo de trabalho, danificam as folhas das plantas e não podem ser usados em grandes áreas. Por isso, os pesquisadores desenvolveram essa nova forma de detecção e utilizaram o método para folhas de milheto, forrageira de clima tropical que apresenta boa qualidade nutricional quando utilizada como alimento para aves, porcos e ruminantes. Os parâmetros característicos foram extraídos com base em informações espectrais e de imagem e a análise foi feita com o teor de clorofila, para seleção dos parâmetros característicos.


(Imagem: Pixabay)

Segundo o pesquisador Xiaoyan Wang, com base nos resultados da pesquisa, um dispositivo portátil de detecção de clorofila pode ser projetado e implantado em máquinas agrícolas no futuro, para monitoramento on-line do conteúdo de clorofila das plantas. Para saber mais sobre a pesquisa, leia o press release produzido Por Maria Luiza De Grandi, jornalista do periódico Ciência Rural, e Xiaoyan Wang, Shanxi Agricultural University, Jinzhong, China , clicando no link abaixo. A Ciência Rural possui uma parceria de divulgação científica com o ScieELO e, assim, publica press releases no blog SciELO em perspectiva.

Confira:
https://pressreleases.scielo.org/blog/2020/06/01/metodo-inovador-mede-o-teor-de-clorofila-nas-folhas-de-milheto/#.Xx9WR-HPxPY

Elisa Dessbesell de Campos
Estagiária de comunicação

 

A coloração da semente de soja influência na sua qualidade: Pesquisa na Ciência Rural

Com o objetivo de avaliar a influência da presença de sementes esverdeadas de soja em sua qualidade fisiológica, pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e da Universidade de Passo Fundo (UPF) realizaram o artigo “Sementes de soja esverdeada: efeito na qualidade fisiológica”, publicado no periódico Ciência Rural (vol. 50, no. 2). Para a pesquisa, foram usados seis lotes de sementes de soja da Cultivar com 0, 7, 8, 16 e 18% de sementes esverdeadas. Com elas, foram feitos testes de primeira contagem de germinação, condutividade elétrica, emergência em campo, envelhecimento acelerado, índice de velocidade de emergência, tetrazólio, comprimento, massa seca e curva de crescimento de plântulas.


(Imagem de Joseano Graciliano da Silva)

Depois das avaliações, foi constatado que as sementes esverdeadas apresentam menor viabilidade e vigor devido a maior deterioração, pois a clorofila não degrada e reduz a qualidade fisiológica de sementes de soja. Nas palavras do pesquisador Joseano da Silva, “se quantificado o número de sementes esverdeadas no lote e observado que mais de 9% do lote apresenta sementes esverdeadas, este deve ser descartado como sementes, ou seja, não deve ser comercializado”. Para saber mais sobre a pesquisa, leia o press release produzido por Maria Luiza De Grandi, jornalista do periódico Ciência Rural, e Joseano Graciliano da Silva, agrônomo, Universidade Federal de Pelotas , clicando no link abaixo. A Ciência Rural possui uma parceria de divulgação científica com o SciELO e, assim, publica press releases no blog SciELO em perspectiva.

Confira:
https://pressreleases.scielo.org/blog/2020/06/05/a-coloracao-da-semente-de-soja-influencia-n a-sua-qualidade/#.Xxbafp5KjIU

Elisa Dessbesell de Campos
Estagiária de comunicação

 

02/06/20

"Meningioma raro retrobulbar e de quiasma óptico em cão" - Pesquisa na Ciência Rural

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) realizaram uma pesquisa a partir do caso de uma cadela Dachshund, de 14 anos, que apresentava um tumor raro na região retrobulbar e no quiasma óptico. O caso chamou a atenção dos pesquisadores para possíveis tumores na região acometida, e os mesmos publicaram o artigo "Meningioma raro retrobulbar e de quiasma óptico em cão", na Ciência Rural (vol. 49, no. 7).

Ao chegar ao Hospital Veterinário Universitário (HVU), a cachorra apresentava sonolência, cabeça pressionando, andar compulsivo, e circulando para o lado direito. Os profissionais fizeram exames oftalmológicos, ultrassonográficos e neurológicos que mostraram uma lesão multifocal. A dona do animal optou pela eutanásia. Na necropsia, foi constatado que se tratava de um tumor raro, na região retrobulbar.

Para saber mais sobre a pesquisa, assista o vídeo completo: https://ntetube.nte.ufsm.br/v/1588958839?fbclid=IwAR2KdSOR5O5XaRjsENAB_gh4Gq02l4MzVgVOh3ni8I6tDvhJ3E1w_wqC3j0

 

04/05/2020

CIÊNCIA RURAL TRAZ INFORMAÇÕES SOBRE O COVID-19

Em meio à pandemia do COVID-19, no Brasil e no mundo, a Ciência Rural buscou trazer informações para os seus visualizadores acerca do novo corona vírus. Assim, entramos em contato com o professor e virologista, Eduardo Furtado Flores, sobre algumas dúvidas recorrentes que a comunidade tem referentes ao Covid-19. São três vídeos dessa série e, nesse primeiro, o professor comenta sobre a manifestação e o desenvolvimento do vírus nos seres humanos.
Ele explica que a doença é respiratória e que a contaminação ocorre pela boca, nariz ou olhos. Os sintomas mais frequentes são: febre, tosse seca, e fadiga ou cansaço muscular. Eventualmente pode haver dor de garganta. Assista ao material completo nas redes sociais da Ciência Rural.

Link: https://www.facebook.com/rural.ciencia/videos/2012706228873442/

Elisa Dessbesell de Campos
Estagiária de comunicação

 

04/05/2020

CIÊNCIA RURAL TRAZ INFORMAÇÕES SOBRE O COVID-19 - PARTE 2

Seguindo a série de entrevistas com o professor e virologista, Eduardo Furtado Flores, sobre dúvidas recorrentes que a comunidade tem referentes ao COVID-19, conversamos sobre a virulência do vírus comparado com outros coronavírus e sobre qual a previsão de duração da pandemia.
Ele explica que nós temos mais dois ou três coronavírus que causam resfriados comuns. Porém, esse novo coronavírus, não é igual a esses outros. O COVID-19 é um vírus que provavelmente passou de morcegos para humanos e, sempre que vírus passam de uma espécie para outra, ele tende a ser mais agressivo. Quer saber mais sobre isso? Assista ao material completo nas redes sociais da Ciência Rural.

Link: https://www.facebook.com/rural.ciencia/videos/264195034616528/


Elisa Dessbesell de Campos
Estagiária de comunicação


04/05/2020

CIÊNCIA RURAL TRAZ INFORMAÇÕES SOBRE O COVID-19 - PARTE 3

Para finalizar a série de vídeos com o professor e virologista, Eduardo Furtado Flores, sobre dúvidas recorrentes que a comunidade tem referentes ao Covid-19, perguntamos sobre orientações para prevenir-se do Covid-19. São algumas delas: evitar aglomerações; sempre que tocar em um objeto potencialmente contaminado, fazer a higienização das mãos com álcool em gel 70% ou água e sabão e evitar levar as mãos ao rosto.
O virologista também alerta para que as pessoas fiquem atentas para onde estão buscando informações. É de extrema importância checar a veracidade e fonte das informações que estão circulando sobre o coronavírus. Segundo Eduardo Furtado, deve-se levar em conta recomendações ditas por médicos e profissionais da área, que entendem do assunto. Para saber mais, confira o vídeo completo nas redes sociais da Ciência Rural.

Link: https://www.facebook.com/rural.ciencia/videos/2380352258931098/

Elisa Dessbesell de Campos
Estagiária de comunicação

 

04/05/2020

EM VÍDEO, RUDI WEIBLEN EXPLICA SOBRE O PROCESSO DE SUBMISSÃO DA CIÊNCIA RURAL

Em mais uma entrevista com o editor-chefe do periódico da Ciência Rural, Rudi Weiblen, conversamos sobre como submeter artigos científicos na revista. Ele conta que é melhor que os trabalhos sejam enviados em inglês, pois isso aumenta o número de profissionais que irão avaliar o artigo.
O periódico possui um software que localiza os principais
avaliadores relacionados ao assunto do artigo ao redor do mundo. Assim, os artigos selecionados para a Ciência Rural são avaliados pelos melhores profissionais. Fala também sobre a importância da carta ao editor,título, objetivos e conclusão;

Para assistir ao material completo, acesse o link a seguir: https://ntetube.nte.ufsm.br/v/1587047848

Elisa Dessbesell de Campos
Estagiária de comunicação


27/04/2020

Neste vídeo, o editor-chefe da Ciência Rural, Rudi Weiblen, conta para nós um pouco da história da revista. Ele explica o que motivou a criação da revista, que na verdade surgiu de uma atualização de um periódico que já existia na Universidade Federal de Santa Maria. Confira!

Para assistir ao material completo, acesse o link a seguir: https://ntetube.nte.ufsm.br/v/1585933537.

 

27/09/2018

Entre os dias 26 e 28 de setembro, acontece, em São Paulo, a conferência SciELO 20 anos, que abordará as principais questões conceituais, políticas, metodológicas e tecnológicas sobre o estado da arte da comunicação científica. Além disso, se discutirão as principais tendências que estão moldando o futuro da publicação científica aberta e os impactos dessas inovações para os periódicos em Acesso Aberto de hoje, em especial, os da Rede SciELO. O editor-chefe da Ciência Rural, Rudi Weiblen, está presente no evento.

Na foto (da esquerda para direita): Edemar Corazza, editor da Pesquisa Agropecuária Brasileira, Rudi Weiblen, Silvia Galetti, da revista Arquivos do Instituto Biológico e Renato Paiva, do periódico Ciência e Agrotecnologia.

 

18/09/2018

Gilson Volpato ministra curso na primeira edição do Propague: "A arte da redação científica"

Nos dias 10,11 e 12 de setembro, no Centro de Convenções da Universidade Federal de Santa Maria, aconteceu o evento Propague: A Arte da Escrita Científica, com o Professor Doutor Gilson Volpato. O evento foi uma realização da Editora UFSM e teve o apoio do Centro de Ciências da Saúde e da revista Ciência Rural. Durante os três dias foram abordados questões práticas para a elaboração e publicação de textos científicos, bem como discussões sobre a educação e metodologia científica. A reportagem da Ciência Rural esteve com Gilson durante os dias de evento e disponibiliza aos nossos leitores duas entrevistas em vídeo sobre redação científica. Confira!

https://www.youtube.com/watch?v=5K5LoOprPOA&t=3s
https://www.youtube.com/watch?v=Nyg9hbrF33o

Quem é Gilson Volpato?
O palestrante Gilson Volpato possui reconhecimento nacional na área de redação científica. Formado em Biologia pela 1978, em sua carreira científica estudou fisiologia e comportamento animal e se dedicou paralelamente ao ensino da redação científica e do processo de fazer ciência. Ministrou seus primeiros cursos em 1986 e contabiliza mais 1.000 cursos no Brasil e exterior. Em 2017 se tornou cofundador e presidente do IGVEC, Instituto Gilson Volpato de Educação Científica (igvec.com), que visa difundir a mentalidade científica para todo o sistema educacional, da pré-escola à universidade, com desdobramento para toda a população.

 

 


 

 

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Ciência Rural
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