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O Pércio Reis é palco de muitos dos eventos do CT, desde palestras até solenidades. Quem nunca sentou pelo menos uma vez no charmoso auditório do prédio principal não teve uma experiência completa no Centro de Tecnologia. Mas de onde vem esse nome? Qual a história do auditório? Pouquíssima gente sabe responder. Certa vez, o aluno Radamés Saraiva precisava fazer um trabalho de aula no curso da Engenharia Acústica e recorreu à voz da experiência: o professor aposentado do curso de Engenharia Civil José Antonio Brenner, que deu um relato mais do que completo sobre o nosso Pércio. E é ele quem nos contará essa história. Confira!

 

20160805 PERCIO REIS

Na extremidade sul do pavimento térreo do Centro de Tecnologia, havia uma sala cuja maior medida se estendia por toda a largura do edifício. Era a sala nº 121 que, por suas dimensões, era usada como auditório. Entretanto, não tinha condições adequadas para esse tipo de uso. Ao contrário, entre outros fatores, havia, nas duas faces menores, janelas altas, em posição prejudicial às atividades.

Em 1980, na gestão do Prof. Gilberto Aquino Benetti na direção do Centro de Tecnologia (1977-1982), fui designado presidente da Comissão para Otimização do Espaço Físico do Centro de Tecnologia/UFSM – Reorganização do espaço para reforma total. Foi decidido então transformar a grande sala em um auditório com os requisitos adequados à finalidade. Nesse período, elaborei, como voluntário, o projeto de Arquitetura do auditório e acompanhei a execução da obra dirigida pelo Prof. Adarcy Antoniazzi.

Foi construído um estrado elevado em cerca de 60 cm para o destaque da mesa dos eventos, acessível por degraus nas extremidades. Para a plateia foi destinado o espaço após os dois pilares cilíndricos, reservando o espaço anterior a eles para e circulação principal e acesso à parte posterior da plateia por escada.

Dentro das possibilidades do pé direito, para promover a melhor visibilidade, a plateia foi construída em escalões, com capacidade para 120 poltronas fixas. Entre a primeira fila fixa e o estrado foi reservada uma distância capaz de receber mais uma fila de poltronas móveis, mantendo espaço adequado à circulação.Na extremidade do largo corredor de acesso ao auditório, foi criada uma antecâmara como ambiente de passagem, de apoio e de separação com a circulação geral.As janelas altas foram fechadas internamente com alvenaria, mantendo externamente a linguagem das fachadas. Novas janelas foram abertas na parede lateral do auditório.

Também como voluntário, o Prof. Paulo de Tarso Fontoura da Silva elaborou o projeto e instalou o sistema de ar-condicionado central com dutos e difusores de teto à vista. Parte do equipamento foi instalada sob a plateia, espaço também utilizado para a função retorno. Em época não identificada, o ar condicionado central foi desativado e substituído por sistema Split.

 

Homenagem – Inauguração

 

O novo espaço recebeu a denominação de “Auditório Pércio Reis”, em justa homenagem a um dos mais ilustres professores do Centro de Tecnologia.

 

Pércio Gaspar Reis

 

Nasceu em Guaíba, em 1914, filho de Percio Victor Reis e de Maria Luiza Reis. Formou-se Engenheiro Civil pela Escola de Engenharia da URGS (UFRGS), em 1941. Em 22 de setembro de 1942, casou com Eleonora Adolphina Jungbluth em Porto Alegre. Na década de 1950, ele foi Diretor Geral da Viação Férrea do RGS. Por decreto de 1954, o Presidente da República o nomeou Membro do Conselho de Administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico. Em 1959, foi designado Diretor Geral da Comissão Estadual de Silos e Armazéns – CESA. De 1961 a 1963 exerceu a Direção Geral do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagens–DAER. Em 1962, foi nomeado membro do Conselho da Comissão do Plano do Carvão Nacional, como representante do Estado do Rio Grande do Sul.

Por seu notório saber, o Eng. Pércio Gaspar Reis foi convidado a lecionar na UFSM. Aceitando o convite, em 1965 ingressou como professor da disciplina de Estradas, no Curso de Engenharia Civil do Centro de Tecnologia. Trouxe consigo grande experiência profissional na área de ferrovias e rodovias. Naquele ano, depois de ter exercido com brilhantismo tantos cargos ligados à Engenharia, o Prof. Pércio, aos 51 anos de idade, transferiu-se para Santa Maria, com residência no Edifício Província, na Rua do Acampamento, nº 60, apartamento 123.

Dedicou-se, então, integralmente ao ensino, no Curso de Engenharia Civil.

De caráter íntegro e incorruptível, Pércio Gaspar Reis desempenhou com honestidade, competência e dedicação todos os cargos públicos que exerceu. De espírito generoso, carismático e despretensioso, conquistou plenamente a estima, o apreço e a admiração de seus colegas, alunos e amigos. Foi paraninfo de várias turmas de Engenharia Civil.

O Prof. Pércio Gaspar Reis sofria de grave cardiopatia. Estava em plena atividade quando foi internado, no antigo Hospital Universitário Centro, em Santa Maria, atual Edifício de Apoio Didático e Comunitário, na Rua Floriano Peixoto. Faleceu aos 64 anos de idade naquele hospital, em 22 de novembro de 1978, devido a um infarto agudo do miocárdio – aterosclerose coronária.

 

Inauguração

 

Na antecâmara do Auditório Pércio Reis, estão afixadas uma fotografia do homenageado e uma placa alusiva, datada de 9 de dezembro de 1982, certamente a data da inauguração.

 

 

O teor do documento epigráfico revela e eterniza no bronze, de forma verdadeira e sucinta, os sentimentos devotados ao saudoso professor pelos setores humanos integrantes do Centro de Tecnologia/UFSM.


José Antonio Brenner