100 anos de José Mariano da Rocha Filho

No dia 12 de fevereiro o fundador da UFSM completaria 100 anos. Oitavo filho de Maria Clara e José Mariano da Rocha, nasceu em Santa Maria, na mesma casa em que viveu durante toda a sua vida.

Um homem e seu ideal. Esse é o resumo da história que funde criador e obra: o médico José Mariano da Rocha Filho e a Universidade Federal de Santa Maria. O homem que desde os tempos de líder estudantil, na década de 30, sempre teve na interiorização do ensino superior o seu sonho maior. A luta foi ferrenha, o trabalho árduo, a fé imbatível. Fez tanto que conseguiu: no dia 14 de dezembro de 1960 era criada a primeira Universidade Federal do interior do Brasil.

O movimento de Mariano para criar a Universidade derrubou as barreiras que represavam a saída do ensino superior das capitais para o país. A criação da Universidade de Santa Maria abriu caminhos para que outras se instalassem por em muitas cidades de nosso estado e do interior do Brasil, tornando as consequências da fundação da UFSM tão ou mais importantes que a própria obra inicial. Com a criação da nova instituição, o Rio Grande do Sul passava a ser o único estado da federação com duas universidades federais.

O Reitor Mariano costumava dizer que “há no Brasil uma forma intolerável de colonialismo, a do colonialismo universitário”. Pregava que a tendência brasileira de estabelecer seus centros de cultura e educação na orla atlântica deveria ser combatida. Segundo ele “ninguém seria capaz de imaginar que conseguíssemos tão belos resultados, não porque descresse de nossa imaginação, otimismo e espírito de luta, mas porque eram muitos aqueles que, arraigados às idéias da era colonial de nossa civilização, descriam de toda a iniciativa visando valorizar o homem do interior”.

A Universidade de Santa Maria foi exaustivamente planejada para promover o desenvolvimento e a autonomização do interior, fruto de suas visitas aos principais centros de ensino da Europa, América e Ásia. A primeira dessas viagens, percorrendo mais de duas dezenas de universidades, ocorreu em 1953, sete anos antes da implantação da UFSM e um ano antes da criação da Faculdade de Medicina de Santa Maria. Segundo ele “um dos maiores males de nosso País tem sido a falta de planejamento, por isso a cidade universitária foi exaustivamente planejada, não para 10, 20 ou 50 anos, mas para atender com possibilidade de contínuo aperfeiçoamento a mocidade estudiosa do interior do Rio Grande e do Brasil para sempre”.

Mariano foi um visionário, um pioneiro e imprimiu essas qualidades na sua obra. O que parecera absurdo transformou-se em modelo. A primeira grande vitória na gênese da Universidade foi a campanha para anexar a faculdades do interior (Farmácia de Santa Maria e Direito e Odontologia de Pelotas) na Universidade de Porto Alegre, que então passou a denominar-se Universidade do Rio Grande do Sul. A luta culminou com a renúncia do reitor Armando Câmara e toda a cúpula diretiva da URGS.

Em 1948, Mariano da Rocha fundou a Associação Santa-mariense Pró Ensino Superior, com a finalidade de mobilizar a população de Santa Maria e do Interior do Rio Grande em prol da criação da Universidade. A ASPES serviu de modelo a inúmeras outras associações do interior do Rio Grande e do Brasil que lutaram pela descentralização do ensino superior. Mariano considerava fundamental o envolvimento da comunidade e da sociedade na sua obra educacional e, nesse sentido, teve amplo apoio da imprensa da época, para o que certamente contou o fato dele próprio ser jornalista.

Em 1960, o projeto da universidade, foi aprovado pelo Presidente Juscelino Kubsticheck. Estava dada a largada para a concretização do sonho da cidade universitária. Os recursos para a construção e funcionamento da universidade foram buscados com bravura junto ao governo estadual e federal e utilizados com um ímpar senso de empreendimento.

Quando o Reitor Mariano deixou o cargo, em dezembro de 1973, a UFSM possuía extensões em 14 cidades gaúchas, com 22 cursos superiores em funcionamento, e uma em Roraima. Pela importância de sua obra, José Mariano da Rocha Filho é considerado hoje um homem que viveu a frente de seu tempo, um gaúcho iluminado que mostrou ao Brasil que a Educação é o único caminho!