O Censo do MEC e o Bônus Demográfico

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Gestão Universitária, 12/11/2013, Artigos

Divulgado pelo MEC, o Censo 2012 é oportuníssimo para cotejá-lo com o Bônus Demográfico, por serem irmãos siameses, relacionados e imbricados e com certeza oferecendo dados a se justificarem.

O total de alunos matriculados na educação superior brasileira ultrapassou a marca de 7 milhões em 2012. São os dados do Censo da Educação Superior divulgados pelo MEC. O número representa aumento de 4,4% no período 2011–2012 Enquanto o número de matrículas nas instituições públicas cresceu 7%, o aumento na rede particular foi de 3,5%, ainda que responsável por 73% do total.

“Estamos em um sistema em forte expansão, com mais ingressantes que concluintes”, observou o ministro, Aloizio Mercadante, ao apresentar os dados gerais do Censo,. “Não é tarefa fácil assegurar qualidade da expansão de acordo com a demanda por vagas. Temos um compromisso no MEC de assegurar a qualidade do ensino superior.”

Considerada apenas a rede federal, o número de matrículas cresceu 5,3% no mesmo período, superando a marca de 1,08 milhão de estudantes. As instituições federais representam 57,3% da rede pública de educação superior.

“Temos 7,2 milhões de estudantes do ensino superior e 7,1 milhões de inscritos no Enem [Exame Nacional do Ensino Médio]”, lembrou Mercadante. “Temos um volume equivalente de estudantes no Enem querendo entrar na universidade.”

Os 7.037.688 alunos matriculados em cursos de graduação no Brasil estão distribuídos em 31.866 cursos, oferecidos por 2.416 instituições — 304 públicas e 2.112 particulares. O total de estudantes que ingressaram no ensino superior em 2012 chegou a 2.747.089. O número de concluintes, a 1.050.413.

As universidades são responsáveis por mais de 54% das matrículas. As faculdades concentram 28,9%; os centros universitários, 15,4%; as instituições federais de educação tecnológica, 1,6%.
No período 2011-2012, o número de ingressantes nas instituições de educação superior cresceu 17,1%. Com taxa média de crescimento anual de 8,4% nos últimos dez anos, a rede federal registrou aumento no número de ingressantes superior a 124% entre 2002 e 2012. A rede já participa com mais de 60% dos ingressos nos cursos de graduação da rede pública.

Tecnológicos — O Censo mostra também a expansão do número de matrículas nos cursos tecnológicos. Entre 2011 e 2012, o total cresceu 8,5%. Nos cursos de bacharelado, o aumento foi de 4,6% e nos de licenciatura, de 0,8%.
Com esse aumento, os cursos tecnológicos representam 13,5% das matrículas na educação superior. Os de bacharelados e de licenciatura participam com 67,1% e 19,5%, respectivamente.
O segmento que mais cresce em número de matrículas são os cursos tecnológicos”, disse Mercadante. “Isso tem muito a ver com o atual momento do Brasil, com o mercado de trabalho aquecido.”

Enquanto em 2001 o trabalho com carteira assinada representava 45,3%, em 2011 o porcentual avançou para 56,0%. Mas, no mesmo tempo, a taxa de fecundidade da brasileira entrou em queda e por outro lado o número de idosos cresceu significativamente.

EAD – Distância — Entre 2011 e 2012, as matrículas avançaram 12,2% nos cursos a distância e 3,1% nos presenciais. Com esse crescimento, a modalidade a distância já representa mais de 15% do total de matrículas na graduação.
Dos estudantes optantes pela modalidade a distância, 72% estão matriculados em universidades. Os centros universitários detêm 23%.
A maioria dos matriculados no ensino superior a distância (40,4%) cursa licenciatura. Os que optaram por bacharelados são 32,3% e por tecnólogos, 27,3%.

O Bônus – O Efeito Cascata ou Residual

Conforme Samuel de Abreu Pessôa “o bônus demográfico( etapa do desenvolvimento demográfico conhecida por bônus ou dividendo demográfico) deve terminar em 2022, quando a taxa de crescimento da PIA –população com idade ativa – passa a ser menor que a taxa de crescimento da POT –população total. De 1970 até 2012 já correram 42 anos ou 81% dos 52 anos de duração do bônus demográfico.”

Como consequência direta no setor educacional, nos próximos anos a taxa de crescimento dos em idade escolar vai cair muito mas em contrapartida a taxa de crescimento da população idosa crescerá bem acima da POT, significando que esta excederá àquela perto de 1,3 milhão de pessoas.

A avaliação é preocupantíssima, sobretudo para quem não dá a mínima para (in)evolução estatística, refletindo no percurso do Fundamental ao Superior. Assim, é possível dizer que o cavalo passou encilhado, garboso, em trote majestoso e alguns não aproveitaram as oportunidades.

A competente e lúcida demógrafa Elza Berquó, entrevistada pela Infoglobo, é taxativa ao afirmar que “o país não aproveita a oportunidade única e histórica de educar melhor crianças e jovens para fazer frente aos desafios do futuro com o envelhecimento cada vez mais acelerado”, e continua “…é um paradoxo pensar que uma pessoa não necessariamente precisa se educar melhor para ter um salário satisfatório.”. Há uma grande oferta de mão de obra no mercado, mas para isso virar uma vantagem é preciso qualificação e capacitação. Estamos desperdiçando o bônus demográfico, último das próximas décadas.

Se o leitor até aqui ainda não ficou muito preocupado, siga adiante para os dados estarrecedores que levarão muitas IES a enxugarem suas plantas locais: a educação de jovens e adultos perdeu quase 1 milhão de alunos desde 2007; matrículas na educação profissional crescem 8,9% no país em 2012; o número de matrículas no ensino médio se mantém estável desde 2007.

 

Fontes:
Assessoria de Comunicação INEP
InfoGlobo Comunicação
Revista Melhor – Ed.Segmento
Jornal O Povo
Folha de São Paulo

 

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