Com Enem, dobra disputa por vagas nas universidades federais

Folha de S. Paulo, 20/11/2013, Online.

 

A disputa por vagas nas universidades e institutos federais mais do que dobrou nos últimos quatro anos. A transformação do Enem em um espécie de “vestibular nacional” e a criação de novas unidades no interior são duas causas da mudança.

Em média, oito candidatos disputavam cada vaga nas federais em 2008. Em 2012, essa proporção chegou a 17,3.

Embora a rede federal tenha se expandido nos últimos anos, a procura por vagas cresceu em ritmo muito mais acelerado no país.

Em quatro anos, o número de vagas em cursos presenciais saltou de 169,5 mil para 283,4 mil –o que corresponde a um incremento de 67,2%.

Ao mesmo tempo, a quantidade de inscritos aumentou 261,5% (1,3 milhão para 4,9 milhões), o que elevou a disputa por vagas.

A comparação foi feita pela Folha com base em números encontrados pelo censo do ensino superior.

Um dos motivos para esse movimento na educação superior está justamente na transformação do Enem em um vestibular nacional.

Ao adotar o exame como processo seletivo e aderir ao Sisu (sistema que considera apenas a nota na prova para o ingresso), as instituições passaram a receber inscrições de diversas partes do país.

Foi o que aconteceu com a UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia).

A instituição saltou de uma concorrência de 3,66 candidatos por vaga em 2008 para 52,13 no ano passado.

“Quando fazíamos processo seletivo interno, com divulgação própria, não tínhamos essa capilaridade toda”, afirma Luciana Santana, pró-reitora de graduação da federal do Recôncavo da Bahia.

Em 2009, a universidade recebeu 7.400 inscrições para seu vestibular. No ano seguinte, ao aderir ao Sisu, o número de inscritos passou para quase 40 mil.

INTERIORIZAÇÃO

O avanço da rede federal para municípios do interior do país, com abertura de novos campi, também contribuiu para o crescimento na procura por vagas.

“Isso foi uma ótima ideia, porque quem é daqui não tinha muitas oportunidades. Eu teria que cursar uma faculdade fora”, afirma Nádira Rocha, 18, estudante de engenharia de pesca na UFRB.

A jovem, que se formou na rede pública, mora em Governador Mangabeira, distante 14 km da sede da universidade, em Cruz das Almas.

A outra opção que Nádira considerou foi cursar oceanografia na Universidade Federal da Bahia, em Salvador (a 138 km de sua cidade).

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