Polêmica sobre a gestão do HUSM

ARazão.com.br, 28/11/2013, Geral

Membros do Consu devem votar amanhã se são contra ou a favor da adesão do HUSM a EBSERH

Mesmo com algumas entidades contra a adesão, o apoio pela união entre HUSM e EBSERH é grande enre lideranças da região Centro (Foto Deivid Dutra/A Razão)

O Conselho Universitário (Consu) vota amanhã, a partir das 8h, na Sala do Conselho, localizado no 9º andar da Reitoria da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), se o Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) deverá ou não ser administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH). Para o presidente da Agência de Desenvolvimento de Santa Maria (Adesm), Vilson Serro, a união das entidades de saúde é uma forma de atender melhor a população do município. “Estamos sempre em busca de um trabalho melhor para Santa Maria, em qualquer setor. Acreditamos que a Saúde da cidade se beneficiará com esta adesão”, destaca Serro.

Diversas entidades da cidade opinam sobre o assunto e divergem sobre qual a melhor decisão para o futuro do HUSM. Veja algumas opiniões abaixo.

Prós e contras

O que representantes de entidades dizem sobre a adesão do HUSM à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH):

A Favor

Elaine Resener, diretora geral do HUSM

Considera fundamental a adesão à EBSERH, pois isso garantirá a ampliação do hospital e a contratação de mais 900 servidores. Se o HUSM seguir sob a gestão direta da UFSM, haveria risco de fechamento de setores, com prejuízos ao atendimento à população da região. “Melancólico. É essa a palavra se tivermos de encolher o hospital”, diz Elaine.

Rosa Wolf, presidente do Conselho Municipal de Saúde

Em consulta interna, o Conselho votou favorável à adesão por considerar que isso não prejudicará o atendimento 100% gratuito no hospital. Segundo Rosa, metade dos conselheiros usa o HUSM e diz ter dificuldades no atendimento por causa da atual situação da instituição de saúde.

João Mário Cristofari, presidente da Associação dos Municípios da Região Centro (AM-Centro)

Em reunião no último dia 12, o Conselho de Prefeitos da AM-Centro votou favorável à mudança na administração por considerar que isso irá fortalecer o atendimento e garantir a ampliação dos serviços do HUSM. Cristofari diz que a necessidade de demissão de 170 funcionários contratados via fundação de apoio pesou na decisão dos prefeitos. “Não poderíamos deixar de acenar positivamente para essa adesão à EBSERH”, justifica.

Rodrigo Santos, presidente da União das Associações Comunitárias (UAC)

Em entrevista ao jornal A Razão na semana passada o presidente da UAC se mostrou favorável à EBSERH ficar responsável pela administração do HUSM. “Tem muitos setores que não funcionam, e as pessoas precisam ir para clínicas particulares. Para quê mais particular que isso? Se a empresa assumir, as coisas devem melhorar no HUSM”, conclui. Santos ressaltou que esta é a posição dele e não da União e que próximos dias a entidade deve anunciar uma decisão oficial.

Vilson Serro, presidente da Agência de Desenvolvimento de Santa Maria (Adesm)

Conforme o presidente da Adesm, uma votação foi realizada na Agência e o resultado, unânime, é de apoio à adesão do HUSM com a EBSERH. “A Saúde ainda deixa a desejar no município e aderir à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares visa atender melhor a população santa-mariense”, destaca Serro.

Contra

Rondon de Castro, presidente da Seção Sindical dos Docentes da UFSM (Sedufsm)

Acredita que a adesão à empresa pública será uma forma de privatização do HUSM. Haveria risco de o hospital passar a atender a planos privados, prejudicando o papel público da instituição. Além disso, uma pesquisa feita pelos sindicatos de servidores da UFSM teria revelado que a comunidade não desejaria a mudança na administração. “Posso afirmar categoricamente, tendo em vista a consulta que fizemos à população, que a EBSERH não será bem-vinda em Santa Maria”, diz.

Luiz Henrique Macedo, integrante do Diretório Central de Estudantes (DCE) da UFSM

O estudante de Medicina diz que o DCE é contrário à adesão por causa do risco de haver a presença do setor privado dentro do hospital de ensino. Segundo ele, o governo federal adotaria a política de transferir procedimentos de alta complexidade dos hospitais universitários para as mãos do setor privado. “Entendemos que o HUSM deva ser 100% público, sem nenhuma promiscuidade com o setor privado”, defende.

Carlos Renan do Amaral, ex-diretor do HUSM (entre 2006 até 2010)

Amaral lembra que o modelo da EBSERH é baseado no do Hospital de Clínicas, em Porto Alegre. “Mesmo com orçamento quatro vezes maior do que o HUSM, o Clínicas continua com os mesmos problemas: superlotação, falta de leitos, alguns serviços não funcionam. Como se pode apontar este modelo como solução?”, questiona o ex-diretor.

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