Chega ao fim greve estudantil

Folha do Noroeste, 14/09/2012

Após mais de três meses, estudantes deliberam pela saída do movimento

Há 107 dias, os estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) decretaram greve estudantil. Após não serem cumpridas algumas reivindicações expostas durante ocupação à reitoria, ocorrida em setembro de 2011, e em apoio às causas nacionais dos professores das instituições federais, os estudantes tentaram resgatar, através da greve, as reivindicações protocoladas. Além disso, a greve estudantil teve como intuito dar visibilidade a novas problemáticas da universidade decorridas da expansão do ensino superior, e garantir amparo jurídico aos alunos que poderiam sofrer qualquer tipo de assédio moral por participarem da mobilização da categoria.
Os estudantes lutaram pela ampliação do quadro de servidores do Núcleo de Apoio Pedagógico na UFSM, campi de Frederico Westphalen e Palmeira das Missões (UFSM/Cesnors), criação de uma secretaria da Pró-reitoria de Assistência Estudantil (Prae) na UFSM/Cesnors, ampliação da Casa do Estudante Universitário (Ceu) nos campi da UFSM, entre outras pautas locais e nacionais.
O fim
Depois de mais de três meses, a greve estudantil chegou ao fim. Em assembleia realizada na segunda-feira, 10, os estudantes da UFSM, em greve desde o dia 30 de maio, deliberaram pela saída do movimento. A assembleia contou com a participação de 70 estudantes. Desses, 36 votaram favoráveis à saída imediata, 16 favoráveis à saída unificada com os professores e 7 abstiveram-se.
Durante a assembleia foi apresentado um documento assinado pela reitoria da UFSM, a qual se comprometia em atender algumas exigências dos estudantes. Entre elas, estão o aumento do teto do benefício socioeconômico a partir de 2013 e internet nas Ceus em Frederico Westphalen.
Para o coordenador-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFSM, Marcos Vinícius Lazzareti, a greve dos discentes foi uma medida necessária. “Avaliamos ser fundamental a greve estudantil para garantir a proteção do estudante, visto que vários professores poderiam retornar a dar aula a qualquer momento sem que todos os alunos fossem avisados. Como a classe estudantil estava em greve, caso isso ocorresse, o estudante grevista teria o direito de pedir reposição das aulas. Nesse sentido avaliamos que a greve foi mais no sentido de garantir um amparo legal ao estudante”, explicou.
A greve estudantil trouxe saldo positivo para a educação, pois pautas foram discutidas e houve comprometimento por parte da universidade.
– O saldo da greve é positivo, apesar da maioria dos estudantes terem feito greve de pijama, e não participaram das mobilizações ficando em casa, o que enfraquece o movimento, que poderia ser potencializado com mobilizações massivas. Fomos uma das únicas universidades que conseguiu vitórias com greve estudantil no Brasil –, apontou o estudante de Engenharia Florestal, Vinícius Barth.
Outros estudantes não são tão otimistas com relação aos resultados positivos da greve. É o caso da estudante de Jornalismo, Kelin Ponciano. “Se for cumprido como prometido, possibilita uma série de melhorias, mas é dificil que se atenda à risca, sempre vai haver uma tentativa de boicotar alguma reivindicação”, comentou a estudante.
Conforme Lazzareti, a classe estudantil da UFSM conseguiu uma série de vitórias concretas, mas acredita-se que existem outros meios de luta estudantil e que mesmo, após ter saído da greve, a busca por uma universidade democrática e de qualidade deve continuar.
Mobilização
Na manhã de ontem, 13, universitários da UFSM/Cesnors e do Colégio Agrícola de Frederico Westphalen (CAFW) realizaram uma mobilização no hall de entrada do prédio principal do campus de Frederico Westphalen para lembrar que todos os campi compõem a UFSM. Além disso, os estudantes reuniram-se com representantes da Pró-reitoria de Infraestrutura (Proinfa) e da Prae para discutir algumas reivindicações estruturais e de assistência estudantil.
– Pintamos cartazes para demonstrar e deixar registrada a nossa insatisfação com a situação atual da universidade. Queremos que as Pró-reitorias estejam mais presentes no nosso campus, queremos ser tratados e respeitados como UFSM –, concluiu a estudante de Jornalismo, Laura Coutinho.

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