Para a Coperves, a nota 8,39 surprende positivamente

Diário de Santa Maria, 09/12/2013, Educação, p. 8

Apesar de boa nota dada pelos avaliadorres ao vestibular da UFSM, ainda há pontos a melhorar para os próximos concursos – FOTOS FERNANDA RAMOS, ESPECIAL

Ouvido pelo Diário, o presidente da Comissão Permanente de Vestibular (Coperves), Celso Arami, ficou surpreso com as notas atribuídas, que considerou muito boas:

– Talvez por lidar com demandas nas quais as pessoas que estão de fora da organização do evento não se preocupam, eu não daria mais do que 7,8. Acho que 10 seria a perfeição, e ela não existe. Só seria possível um 10 se os candidatos pudessem se preocupar só com a realização das provas, sem ter de ter medo de chegarem atrasados ou de não terem onde estacionar.

O presidente explicou que, a cada ano, a Coperves procura implementar medidas para melhorar a qualidade concurso. Em relação ao trânsito, ele não promete mais vagas de estacionamento no campus a curto prazo e diz que a preocupação é com a chegada e, não, com a volta para casa.

Em relação a questões de infraestrutura, como a limpeza dos banheiros, o presidente da Coperves afirma que concorda com os alunos e que essa é uma medida necessária na universidade, não apenas durante o vestibular.

Um deles diz respeito ao trânsito dentro do campus da Federal, onde o estacionamento é mal sinalizado (foto 1) e há poucas opções de retornos. Em compensação, os avaliadores destacaram a boa infraestrutura do campus, com espaço de lazer e descanso… – Divulgação

Já sobre os aparelhos de ar-condicionado, Arami explica que nem todas as salas têm ar-condicionado. Com isso, alguns candidatos poderiam ser beneficiados em relação aos locais onde há apenas ventilador.

Presidente reforça o zelo na elaboração das provas

O único ponto do qual o comandante da Coperves discorda é quanto à nota atribuída à prova. Segundo ele, as bancas são formadas por professores de departamentos dos cursos da Federal e coordenadas por uma professora. O processo de elaboração das provas vai de maio a agosto, e passa por uma série de etapas.

– Há uma boa revisão. A Coperves não escolhe os conteúdos e, sim, a banca, que é quem tem competência para isso, mas garanto que há um zelo muito grande. Quanto ao tipo de papel e a impressão, depende de licitação. Nunca tivemos problemas relevantes em relação a isso. Nossa equipe fica junto à gráfica, atenta à impressão. O que aconteceu foi que em uma questão, neste ano, um número ficou um pouco apagado. Escapou – diz Arami.

Concurso se sai bem no teste

…e salas de aula adequadas na maioria dos casos… O serviço de informações oferecido ao vestibulando, como o… – Divulgação

Nos três últimos dias, mais de 30 mil candidatos enfrentaram uma verdadeira maratona com um único objetivo: conquistar uma das 4.576 vagas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Para chegar até o fim, eles enfrentaram milhares de horas de estudo. Mas nem só de livros e determinação é feito o caminho da aprovação. O trânsito, a infraestrutura oferecida pela universidade, o acesso a informações coerentes e precisas e a qualidade das provas são questões determinantes.

Nos três dias de vestibular, encerrado ontem com a redação, o Diário propôs uma avaliação. Cinquenta pessoas envolvidas no concurso, entre familiares, vestibulandos e professores, deram as suas notas para o concurso observando quatro quesitos. Em cada um deles, foram ouvidas duas classes de entrevistados, que podiam dar notas de 0 a 10 (confira no quadro ao lado).

O vestibular se saiu bem na média geral: 8,39. Analisando os quesitos em separado, o trânsito é o melhor avaliado. Obteve o maior número de notas 10 – quatro no total – e um 9,5. Uma boa notícia para um fator que já foi alvo de críticas ferrenhas. Em edições anteriores, engarrafamento, atrasos e correria eram rotina na vida dos candidatos. A UFSM adotou medidas para conter o problema, como a mudança da data do concurso, que agora começa na sexta-feira de tarde e segue no final de semana, quando as vias que levam ao campus, em Camobi, são menos movimentadas. Mas os avaliadores também apontaram problemas, como a necessidade de mais vagas de estacionamento no campus e controle no trânsito para quem precisa voltar para o Centro.

…Saves (3), também foi considerado suficiente e acessível – Divulgação

– Para vir, estava muito melhor em relação ao ano anterior. Ontem, saímos ao meio-dia de casa e estava muito tranquilo. Mas a volta foi complicada. Pela Faixa Velha, demorei mais de uma hora para chegar em casa. A pista da direita estava muito rápida, e a da esquerda, demorada – relatou Silvana Frasson, 50 anos, mãe de candidato.

Qualidade das provas ficou com a nota mais baixa

O quesito provas obteve a média mais baixa: 7,78 na opinião de vestibulandos e professores. As críticas vão do tipo de papel à impressão, que teria prejudicado a leitura de uma questão. A forma de abordagem de alguns conteúdos e a exclusão de outros também figuram entre os problemas.

– No terceiro dia, não houve nenhuma questão sobre Brasil. Além disso, um texto de uma questão de globalização foi escrito há quase 20 anos. Isso é um desrespeito com o aluno que se dedicou a aprender os conteúdos propostos pelo edital – afirma a professora de História do Riachuelo, Liliane Jornada.

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