Incrível, sim

Diário de Santa Maria, 18/12/2013, Segundo Caderno, p.2

Segundo colocado em programa que buscava a mente mais brilhante do país, Marcelo Rossato festejou conquista com amigos

Antes da exibição do último episódio do game show Os Incríveis – O Grande Desafio, na noite de segunda-feira, uma pergunta pairava entre os cerca de cem convidados da festa organizada por Marcelo Cargnelutti Rossato (com direito a churrasco, salgadinhos e telão): “Será que ele venceu?”. O santa-mariense de 17 anos era um dos cinco finalistas da produção brasileira do canal pago NatGeo, que buscou eleger, entre 20 concorrentes, a mente mais brilhante do país. Mas devido a cláusulas contratuais, ele não contou a ninguém o resultado do programa. Nem mesmo para seus pais.

– Eu não viajei com ele. Foi minha filha quem foi acompanhá-lo. Na volta, nenhum dos dois me disse nada – contou a mãe do jovem, Isabel.

Nem ela nem ninguém na festa duvidava da capacidade do adolescente de derrotar seus adversários. Com uma habilidade natural para números, o estudante do 2º semestre do curso de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), já provou diversas vezes que é capaz de fazer cálculos complexos “de cabeça” – inclusive no programa. Mas teria ele organizado uma festa para celebrar algo que não fosse a vitória (e o prêmio de R$ 100 mil)?

– Ele não deu nenhuma pista. Eu perguntava coisas do programa para ele, ele explicava, e eu dizia: então tu ganhou! Aí, ele desconversava. Não sei mesmo – comentou o vizinho Hamilton Binato Jr, 14 anos, que assistiu a todos os programas junto com Marcelo.

Frederico Gassen, 15 anos – amigo que Marcelo fez em uma das Olimpíadas de Matemática que participou, veio de Venâncio Aires para apoiar o amigo – desconfiava de uma vitória.

– Não sei… Mas acho que ele ganhou. Está todo risonho – comentou.

Habilidade impressionou apresentadores, mas a decisão foi da plateia

A resposta à pergunta que não queria calar veio após cerca de 1h30min de programa. Marcelo foi vice. Não por falta de torcida, já que a galera que o adolescente juntou em sua casa acompanhou cada lance como se fosse um jogo de futebol. Nem por falta de habilidade, já que o santa-mariense embasbacou o time de apresentadores ao responder cinco equações, com sete operações cada, em 40 segundos, sem usar caneta ou papel. A questão é que a vitória não envolvida júri técnico, mas o voto de uma plateia de cem pessoas presente no estúdio. A ela impressionou mais a habilidade do pernambucano Arilson Arraes, 16 anos, de decorar fatos sobre as campanhas da Seleção Brasileira em Copas do Mundo. A simpatia do jovem e a situação financeira difícil de sua família também podem ter influenciado a decisão.

– Em um momento do programa, ele contou que morava em uma casa de 16 metros quadrados. As pessoas podem ter pensado em ajudá-lo por causa da questão social. E ficamos felizes por ele – comentou a irmã de Marcelo, Natalhye, 22 anos.

E foi a felicidade de estar entre os cinco melhores em um game show que reuniu 20 mentes brilhantes em um só lugar o motivo de Marcelo chamar todo mundo para acompanhar a finalíssima com ele. Antes mesmo do programa ir ao ar, o jovem contou, humildemente, que havia chegado mais longe do que imaginava. E, ao Diário, confessou:

– É melhor perder com os amigos do que perder sozinho.

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