Laboratório da UFSM, em Santa Maria, desenvolve novos produtos à base de leite

Diário de Santa Maria, 05.02.2014, Economia, Edição online

 

Laboratório da UFSM, em Santa Maria, desenvolve novos produtos à base de leite /Agencia RBS

Juliana Gelatti

Em uma sala no prédio 42 do campus da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), funciona um laboratório reconhecido pelo alto índice de boas ideias. Além dos produtos para alimentação criados, testados e adaptados pelos professores e alunos das aulas de tecnologia de alimentos, há projetos e programas voltados a produtores rurais, visando à profissionalização e a melhorias no processo produtivo.

O engajamento, tanto com a pesquisa aplicada aos alimentos fabricados à base de leite, na usina da UFSM e em outras fábricas, quanto na movimentação do mercado das agroindústrias da região pode contar pontos a favor da instituição para sediar o centro de inteligência do leite, que deve ser implementado pelo instituto gaúcho do leite, ainda em processo de constituição pela Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Seapa).

Entre as últimas novidades do laboratório de tecnologia de alimentos, chefiado pela professora Neila Richards, estão diferentes tipos de queijo, como o minas, o provolone, os queijos com temperos e os com fibras. Todos eles podem ser produzidos com leite de vaca ou de ovelha. Outra variação é o queijo sem lactose, adequado aos consumidores que têm restrição a laticínios por não possuírem no organismo a enzima que digere o açúcar do leite.

Ainda foram desenvolvidos recentemente doce de leite de ovelha com diferentes taxas de gordura e variados tipos de bebida láctea, feitos a partir do soro do leite.
_ O soro traz proteínas que são digeridas mais facilmente pelo organismo. O nosso corpo aproveita melhor os nutrientes do soro do que os do próprio leite. Esses nutrientes contribuem para o sistema imunológico e para ativar o cérebro. Com o soro, ainda conseguimos desenvolver o refrigerante à base de soro, que tem como grande vantagem trazer proteínas do leite e não precisar da adição de açúcar _ explica Neila.

Projetos têm objetivo de atender melhor a região

Atualmente, a usina que fabrica uma série de laticínios no campus da UFSM produz parte dos produtos desenvolvidos no laboratório, que também é responsável pelo acompanhamento e análise de tudo o que é feito lá, para garantir a correta classificação dos produtos. Algumas invenções de sala de aula acabam não indo para os supermercados por falta de matéria-prima, como é o caso dos produtos à base do leite de ovelha.

As graduações de Tecnologia de Alimentos e Agronomia já oferecem cursos de boas práticas em alimentação e capacitações para produtores rurais fabricarem compotas, laticínios e outros alimentos com orientação. Porém, a intenção dos professores desses e de outros cursos do Centro de Ciências Rurais é ampliar o trabalho, com o centro de inteligência do leite, um laboratório credenciado nacionalmente para fazer testes, e uma usina com mais equipamentos e tecnologia limpa, que elimina o mínimo de resíduos no meio ambiente.

Tudo isso depende de recursos que estão sendo pleiteados junto à Seapa, em um edital que deve ter o seu resultado divulgado nos próximos meses. Outra possibilidade é que, com a criação do instituto gaúcho do leite, seja desenvolvido o centro de inteligência, em que haja equipamentos e profissionais focados na criação e na melhoria dos produtos, além de vários tipos de cursos para profissionais, estudantes e agropecuaristas familiares.

 

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