De olho nas demandas do campo

Diário de Santa Maria, 27/02/2014, Economia, Pág. 08.

 

Inicialmente, a ideia era que a agrônoma e mãe Clarice Rubin Balardin tivesse uma ocupação em Santa Maria, já que o marido é professor na UFSM. Depois, é que as boas ideias que deram origem às empresas do Grupo Phytus mostraram que tinham tudo a ver com os potenciais da cidade e da região, como a proximidade com o meio rural e com as universidades.

A primeira empresa a ser criada, em 1999, foi a C&R Assessorias (Phytus Pesquisa), que realiza pesquisas e faz os testes finais de produtos agroquímicos e novas cultivares, cujos laudos são necessários para registro junto ao Ministério da Agricultura. Depois que a base de pesquisa estava bem assentada, surgiram a Phytus Ensino, que promove cursos presenciais e a distância para agrônomos, técnicos, biólogos e produtores em todo o país, e a Phytus Comunicação, que, entre outros produtos de assessoria e conteúdo, produz aplicativos que ajudam no manejo e na pesquisa em lavouras.

– A primeira demanda que identificamos foi a legislação, que exige inúmeros testes antes de autorizar a venda de agrotóxicos. Esses testes também servem para a elaboração da bula desses produtos, que são os medicamentos para as plantas, com todas as informações sobre como, quando e em que quantidade devem ser usados. Esses testes finais é que fazemos nos dois campos experimentais, um em Itaara e outro no Distrito Federal – explica a diretora geral Clarice Rubin Balardin.

Entre os valores prezados pela empresa, estão a isenção e a ética. Por isso, todas as normas que garantem a segurança nos testes são seguidas à risca, além do cuidado de, ao realizar cursos de aprofundamento a profissionais da área, não se falar em marcas, já que muitas multinacionais que fabricam fungicidas, herbicidas e inseticidas para diferentes culturas são clientes do Instituto Phytus.

– Uma marca não tem acesso ao que a outra está testando, e mesmo quem visita as estufas e ensaios não diferencia quais produtos foram aplicados em cada planta. Além disso, mesmo que os testes quanto aos efeitos dos agrotóxicos na saúde do consumidor e na sanidade da planta sejam feitos antes, em outras empresas de pesquisa, nada do que é produzido nos experimentos é consumido, bem como o acesso ao campo é restrito – diz Clarice.

Com base na pesquisa,

informação de amplo acesso

O Grupo Phytus se orgulha em aliar a pesquisa feita por profissionais especializados em diferentes áreas da agronomia e da biologia com a comunicação e a educação. Em vez de fazer assessoria a produtores, indicando que produtos usar para problemas pontuais, a empresa promove cursos presenciais, in company e a distância, para ampliar o alcance das descobertas feitas em laboratórios e campos experimentais. No site da empresa, os produtores também têm acesso ao Clube Phytus, em que são divulgadas informações embasadas em estudos próprios sobre diferentes culturas, do combate à lagarta da soja a melhorias no manejo de macieiras, por exemplo.

Outra grande novidade são os aplicativos para celular, que podem ser construídos sob encomenda das empresas ou são lançados de acordo com demandas internas da Phytus, para ajudar a calcular, por exemplo, a quantidade de produto que deve ser aplicada em um ou outro estágio do desenvolvimento das plantas de uma determinada cultura.

JULIANA GELATTI|JULIANA.GELATTI@DIARIOSM.COM.BR

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