Greve na UFSM! Precisamos de cautela

Diário de Santa Maria, 21/03/2014, Opinião, Pg. 4. 

Não me parece que greve dos técnico-administrativos das universidades federais seja uma atitude correta neste momento. Não podemos fazer greve a todo o momento sob a influência de partidos radicais dentro dos sindicatos e que estão mais preocupados em se eleger a cargos políticos do que defender os interesses da categoria. Além disso, não fazer greve por três votos de diferença causa menos prejuízos do que aprovar a greve pelos mesmos três votos de diferença.

Precisamos pensar como servidores públicos sem filiação partidária. Infelizmente, temos um acordo ruim em andamento, mas temos um acordo. Se a inflação corroeu os salários, é culpa desse acordo ruim assinado entre o governo e a Fasubra, entidade que representa os servidores Técnico-Administrativos em Educação das universidades federais e que tem pouca influência na defesa de nossos direitos, a exemplo do reajuste de 15% em três parcelas e a questão dos aposentados, que ainda não foram contemplados com alguns benefícios.

Atualmente, tivemos o aumento do step (percentual de diferença de vencimento entre os padrões de vencimentos) em janeiro de 2014, referente à progressão na carreira, teremos outra parcela do reajuste agora em março e, atualmente, temos uma mesa de negociação em Brasília-DF, ou seja, o governo está cumprindo a sua parte no acordo. Sem entrarmos em greve agora, poderemos ter mais prejuízos do que benefícios. Poderemos ser o “bode expiatório” do momento, recebendo represálias como o famoso corte do ponto para servir de exemplo, desencorajando as demais categorias dos servidores públicos, já que uma eleição se aproxima, e nenhum governo aceita desgaste nestas épocas.

Aliás, precisamos pensar duas vezes em desgastar o governo atual, pois é sabido que essa atitude favoreceria aqueles partidos que querem o poder, mas que não são simpáticos aos servidores públicos, arrocham salários, demitem servidores, trancam concursos públicos, privatizam serviços públicos etc., ou seja, partidos comprometidos 100% com a iniciativa privada. Não tenho filiação partidária e votei contra a greve na assembleia do dia 17/03/2014, porque sou da opinião que, por termos um acordo, devemos buscar outras formas de protestar, unidos com todos os servidores públicos federais, e evitar a greve ao máximo, principalmente sozinhos.

Servidor e membro do Conselho

de Ensino, Pesquisa

e Extensão da UFSM

REGIS SANTOS

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