Uma colheita de expectativas

Diário de Santa Maria, 31/04/2014, Economia, Pág. 05.

 

Na manhã de sábado, Tupanciretã sediou a 7ª Abertura Oficial da Colheita da Soja no Estado. O município é o que concentra a maior área de soja no Rio Grande do Sul. São 140 mil hectares de soja, 25% dos quais já colhidos. O objetivo das autoridades presentes era manter um clima de otimismo, já que a perspectiva é que se repitam os bons resultados colhidos no ano passado. Porém, os primeiros levantamentos apontam níveis de produtividade desiguais, já que algumas regiões registraram calor acima do que a soja resiste, e a qualidade pode ser comprometida. Ainda assim, durante a cerimônia que reuniu políticos e produtores, ninguém reclamou do tempo, e sim das más condições das estradas que escoam a produção e das ameaças que o setor agrícola sofre, como possíveis taxações extras.

Nenhum anúncio de mais recursos a serem injetados no setor foi feito. Em vez disso, os discursos exaltaram programas de estímulo já em andamento, como o Mais Água, Mais Renda, entre outros. Uma novidade comentada é a possível isenção de áreas irrigadas do seguro obrigatório.

Participaram da colheita simbólica o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Neri Geller, o governador Tarso Genro, o secretário de Agricultura, Pecuária e Agronegócio, Claudio Fioreze, deputados, entre outros. À exceção de Tarso que chegou de helicóptero, todos os mais de 300 participantes precisaram percorrer cerca de 20km de estrada de chão da problemática RSC-392, queixa antiga dos produtores da região. O asfaltamento da rodovia foi assunto de boa parte dos discursos dos representantes de entidades de produtores.

– Dentro de um ano, no máximo dois, vamos inaugurar esta estrada – disse Tarso.

Quanto à produtividade alcançada, o anfitrião do evento, Armindo Mugnol, é um caso exemplar: pelo altíssimo investimento em irrigação, está colhendo, em média, 70 sacas de soja por hectare. Porém, ele, outros produtores da região e boa parte dos agricultores gaúchos vê parte do que é investido em qualidade ser perdido em demora no escoamento, baixa capacidade de armazenagem, frete caro e ter que driblar dias de chuva para que a soja possa deixar as fazendas.

Ministro vai defender permissão a agrotóxicos

A proibição do uso de defensivos agrícolas, que está sendo defendida pelo Ministério Público, foi atacada pelo ministro Neri Geller:

– Proibir o glifosato e esses outros defensivos inviabiliza a lavoura. Eu sou produtor e sei disso. O posicionamento do Ministério da Agricultura é claro e não vamos deixar que a falta de informação seja uma barreira para o principal responsável pela balança comercial positiva do país.

No sábado à tarde, o ministro foi conhecer a UFSM e os projetos e as pesquisa na área do agronegócio.

JULIANA GELATTI

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