‘Não existe organização dos serviços’

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Diário de Santa Maria, 31/04/2014, Geral, Pág. 07.

 

Há cerca de 10 anos, o pediatra José Carlos Barradas teve de tomar uma decisão difícil: abrir mão da vaga de médico da prefeitura. Ele foi aprovado em primeiro lugar em um concurso, mas afirma que a estrutura da saúde básica de Santa Maria é a pior na qual já trabalhou.

– Não existe organização mínima dos serviços, falta qualificação e pessoal. Cada posto trabalha de um jeito, como quer. Além disso, faz falta um plano efetivo de cargos e salários. Não assumi na época porque o salário era ridículo. A prefeitura se preocupa em encontrar ações emergenciais, que funcionam como um remendo temporário, mas nunca com o planejamento a longo prazo. O que acontece quando surgem os contratos emergenciais é que os médicos selecionados ganham mais para fazer o mesmo trabalho daqueles que fazem parte do quadro de pessoal. Isso só desmotiva as pessoas – afirma Barradas.

Hoje, ele trabalha no Hospital Universitário (Husm) e diz que o local é um dos que precisam absolver a demanda reprimida por conta dos problemas nos postos.Sem encontrar atendimento nas unidades de saúde, muitas pessoas recorrem ao Husm.

– A maioria dos postos de saúde fecha cedo. Alguns atendem em apenas um turno. Depois das 16h, quando parte das unidades fecha, eu, que sou plantonista do Husm, sinto um aumento na demanda de trabalho no pronto-socorro do hospital. Mas o que eu acho mais preocupante mesmo é que falte planejamento a ponto de não haver estímulo para que a pessoa sonhe em trabalhar melhor – conclui o médico.

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