Para combinar literatura e jovens

Diário de Santa Maria, 26/04/2014, Mix, Pág. 04.

 

O que um adolescente mais gosta de fazer em seu tempo livre? Muitos podem responder que, além de encontros com amigos, a internet, as redes sociais, os aplicativos e os smartphones são o alvo de suas atenções. E de fato: atrativos da web chamam mais a atenção dos adolescentes em geral do que o ato de abrir um livro físico e focar em suas páginas cheias de letrinhas.

Foi justamente pensando no público jovem que ainda não enxerga a literatura como uma atividade atrativa que a campanha publicitária da Feira do Livro 2014, que começa neste sábado e vai até o dia 11 de maio, foi direcionada. O mote da campanha traz a tatuagem como maneira de expressão dos próprios jovens e apresenta a literatura como algo que marca, também.

Pensando nisso, a reportagem da revista MIX apresenta mais uma edição desta festa literária, pelo viés de jovens consumidores e produtores de literatura. Nas próximas páginas, você conhecerá a história de Carlos Henrique Maffini Machado, que, aos 17 anos, relançará seu primeiro livro. Também saberá sobre projetos como a Elo Editorial, editora independente criada por alunos da Produção Editorial da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e do Ateliê de Textos, feito por acadêmicos e professores do curso de Letras da UFSM, que ganhou o Prêmio RBS de Educação no ano passado.

Para o professor Jorge Luiz da Cunha, doutor em história e professor do Departamento de Fundamentos da Educação do Centro de Educação da UFSM, a leitura precisa ser estimulada, tanto dentro da família quanto na escola.

– Para legitimar a leitura, podemos chamar Paulo Freire e dizer que somos humanos na medida exata em que somos capazes de ler o mundo. Ler, compreender e explicá-lo também. Isso marca fundamentalmente a importância da leitura – ressalta o professor.

Cunha defende que a leitura precisa ser incentivada tanto nas formas tradicionais quanto nas mediadas pela tecnologia. Para ele, isso se faz com bons narradores, que saibam trazer o encantamento de uma narrativa. Ainda é necessário usar as ferramentas tecnológicas como algo que acrescenta e entender que elas podem ser usadas para promover o gosto pela leitura:

– Novas gerações vêm ao mundo com acesso à tecnologia que a minha geração não teve. Esse gosto não pode ser desprezado.

Cunha diz que toda a tecnologia deve ser aliada da leitura. As adapatações cinematográficas de best-sellers, por exemplo, são boa porta de entrada para gostar de ler.

– É necessária insistência e é preciso encontrar uma forma de apresentar a beleza dos relatos que a literatura oferece para que o jovem não perca a oportunidade de ter prazer com as narrativas – diz.

LICIANE BRUN|LICIANE.BRUN@DIARIOSM.COM.BR

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