Eu não sou macaco! Eu sou negro e exijo respeito!

Diário de Santa Maria, 30/04/2014. Opinião /Artigo, pág. 4

GUSTAVO ROCHA*

Deixo claro que não tenho nada contra os macacos, que também são seres vivos e merecem respeito. Sou contra este racismo arraigado em grande parte da humanidade. Sou contra a hipocrisia de milhares de brasileiros, que, mais uma vez, tentam inferiorizar a população negra.

Não é aqui, neste país tropical, que todos e todas consideram-se negros? País este onde a miscigenação surge como justificativa para diversos assuntos? Opa, cuidado! o correto é pronunciar afrodescendentes. O fato é que, neste país, as pessoas têm medo de pronunciarem as palavras negros e negras.

A grande maioria dos brasileiros se considera negra quando lhe convém, principalmente para afrontar segmentos e indivíduos da etnia afro. É isso aí, minha gente, já não basta o negro ser alvo da invisibilidade pelo racismo institucionalizado e estruturado em nossa sociedade patriarcal, machista e discriminatória, agora até o direito de sermos chamados de negros querem deturpar, mascarar? Ah! É mais fácil, cômodo e mesquinha mascarar o racismo, e, mais uma vez, deixar a discussão de lado e tudo acabar em “bananas”.

Afirmo em voz alta e bom tom: “eu não sou macaco, eu sou negro e exijo respeito!”

Exijo também educação, debates e ações. Vamos falar sobre o racismo, vamos configurá-lo e criminalizá-lo de fato. Vamos exigir mais políticas públicas de promoção à igualdade racial. Vamos desenvolver o senso crítico em vez de somente compartilharmos hashtags ou reproduzirmos ideologias.

Vamos falar de raça. Sim! De raça, pois, se o racismo se manifesta e ainda sobrevive em nossa sociedade, é porque a questão de raça (e limito-me ao nosso Brasil) ainda é latente e mal resolvida. A questão da raça em um sentido sociocultural, está demasiadamente e historicamente presente no imaginário social da grande massa nacional, em que o racismo se alimenta, é reproduzido, imbricado nas mídias e ainda mascarado no cotidiano, nos anúncios e nas entrevistas de mercado de trabalho e, não seria diferente, faz-se presente no campo futebolístico.

Chegou a nossa hora de discriminar. Basta ao racismo e aos racistas!

*Agente de aeroporto e estudante de Ciências Sociais na UFSM.

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