Detectores de inovação

Diário de Santa Maria, 08/05/2014, Economia, Pág. 8.

Os irmãos Leonardo e Thiago Guedes da Luz Martins entraram na faculdade de Engenharia UFSM com um sonho: inventar algo novo e abrir uma empresa que se tornasse uma grande indústria e projetasse Santa Maria no setor da tecnologia. Qual seria a invenção revolucionária ficou em aberto por um tempo. Um dia, o orientador do grupo de pesquisa e pai dos dois deu uma dica: fazer um estudo para transferir a tecnologia de um detector de cio em vacas de leite, até então só produzido em Israel, Alemanha e Itália.

– O objetivo do projeto era publicar um artigo. Mas aí vimos que era dali que poderia sair a nossa empresa – conta Thiago, que se formou em Engenharia Mecânica.

Mais tarde, um professor da Medicina Veterinária deu outra dica importante: ainda não existia nenhum aparelho capaz de verificar o nível de conforto dos bovinos, informação útil para assegurar a saúde e a produtividade do gado leiteiro. Alguns aprimoramentos no protótipo deram origem à coleira C-Tech, sigla para as palavras em inglês vaca, tradutor, conforto, controle e saúde. “Tradutor” é a palavra que melhor define a função do produto criado na Incubadora Tecnológica da UFSM:

– A coleira é um tradutor de vacas. Ela traduz para o produtor o que a vaca está sentindo e como ele pode melhorar o seu bem estar, que possibilita maior produtividade – explica o engenheiro eletricista Leonardo, conhecido como Guedes.

Incursão em novas áreas

Para vencer o primeiro desafio, de desenvolver o produto com finanças, insumos e profissionais limitados, os irmãos contaram com editais de fomento à pesquisa, que destinam verbas para projetos como os deles.

– Mas só podíamos pagar bolsas, e não salários. Precisamos transformar pesquisadores em engenheiros de indústria – diz Thiago.

Outro desafio foi ingressar em uma área nova: a pecuária.

– Descobrimos que as vacas são sensíveis, que só ruminam (processo que origina o leite) quando estão bem. Estudos atestam a eficácia de tocar música clássica para elas – diz Guedes.

Agora, os engenheiros precisam se tornar vendedores e conquistar o mercado, ainda conservador, dos pecuaristas.

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