Uma alegria no tratamento dos pequenos

Diário de Santa Maria, 13/05/2014, Geral, Pág. 10.

 

Robô de telepresença desenvolvido pela UFSM ajuda crianças com câncer

A interação entre um robô e crianças em tratamento contra o câncer já é realidade na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O dispositivo, desenvolvido pelo projeto Aplicação Clínica para Robô de Telepresença, está em fase de testes há cerca de duas semanas. Mas os pequenos já estão participando das atividades. Hoje, o robô estará no CTCriac, do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm), e amanhã, na Turma do Ique.

A versão atual do dispositivo já é a terceira desenvolvida desde o começo deste semestre por um grupo de 12 estudantes dos cursos de Engenharia de Controle e Automação, Terapia Ocupacional, Educação Especial e Desenho Industrial.

Conforme o professor Rodrigo da Silva Guerra, 35 anos, o equipamento, que ainda não tem nome, tem como objetivo criar uma ideia que possa ser copiada e ajudar no tratamento contra o câncer. A telepresença funciona da seguinte forma: o robô fica em um local junto com crianças que estão em tratamento, mas não precisam de isolamento, como uma sala de brinquedos, e as que estão isoladas podem visualizar as outras por meio do equipamento.

Durante essa brincadeira, que tem acompanhamento de alunos, o robô se desloca e mexe a câmera conforme a altura das crianças, que podem se comunicar entre si.

– A ideia é que as crianças possam resgatar a rotina de antes da doença com a telepresença e tentar diminuir o sofrimento – explica Guerra.

Desafio é trabalhar a humanização do equipamento

Mesmo ainda em fase de testes, já há intenção de que o dispositivo evolua. Alunos do projeto trabalham para que o robô tenha braços, a fim de que possa receber e dar abraços. Para isso, também há previsão de que o dispositivo diminua de tamanho, para ficar semelhante a uma criança, e que também tenha vestimentas de pelúcia.

Os participantes do projeto, Fernando Henrique Berwanger, 18 anos, e Lucas Berwanger Reichert, 19, estão projetando um rosto para o robô, para que ele possa mexer os olhos e a boca.

– Queremos trabalhar na humanização dele, no lúdico. Tudo para garantir uma maior veracidade e fazer com que as crianças se enxerguem também, resgatando a autoestima durante o tratamento – explica o professor.

Os materiais usados para a construção do robô são de baixo custo, o que possibilita outras pessoas ou mesmo empresas copiar o mecanismo. Para a fabricação, foram investidos cerca de R$ 5 mil, financiados pelo Ministério da Educação. Equipamentos como o desenvolvido na UFSM podem chegar a custar o dobro desse valor.

MANUELA VASCONCELLOS|MANUELA.VASCONCELLOS@DIARIOSM.COM.BR

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