A referência aeroespacial

Diário de Santa Maria, 21/06/2014, Economia, Pág. 08.

 

Lançamento de satélite, na quinta, projeta cidade e deve impulsionar desenvolvimento

juliana gelatti

juliana.gelatti@diariosm.com.br

O satélite é pequeno, o lançamento foi quase do outro lado do mundo e poucas pessoas assistiram. O ingresso do Brasil em um novo patamar tecnológico, com o lançamento do santa-mariense NanoSatC-BR1, na quinta-feira, foi bem diferente do jogo entre Inglaterra e Uruguai na Copa do Mundo, por exemplo, que atraiu a atenção de milhões de pessoas no mesmo horário. Mas os efeitos desse fato ainda vão ser sentidos pela população. Em Santa Maria, a participação de profissionais e estudantes locais no primeiro nanossatélite do país a entrar em órbita projeta a cidade como referência no Estado e no país. Veja ao lado a repercussão.

– O sentimento desse momento é que Santa Maria pode dizer: “sim, nós podemos”. Nós podemos nos desenvolver, podemos construir coisas que vão ser referência no país. É para pararmos com esse complexo de vira-lata de que aqui não tem nada. Tem sim, tem um nanossatélite em órbita – opina o gestor do Santa Maria Tecnoparque, Cristiano da Silveira.

As pessoas ouvidas pelo Diário salientam, em primeiro lugar, a importância de que o Brasil não precisa mais se envergonhar de nunca ter conseguido colocar em órbita um satélite. Com isso, o país está em um outro patamar, ainda com muitos avanços a fazer, mas um passo foi dado:

– Hoje, nessa área dependemos do que é de fora. Mas os países que detêm isso dificultam ao máximo o acesso. Quando começarmos a ter essa independência tecnológica, vai ser muito bom para o país, pois quem domina o céu, domina o mundo. Toda a comunicação, hoje, é via satélite. Por isso a importância de fazer isso em casa – diz João Batista Martins, coordenador da Santa Maria Design House (SMDH), que projetou um dos chips embarcados no NanoSatC-BR1.

Martins cita como exemplo o GPS, que é a forma de georreferenciamento usada no mundo todo mas que é dominada pelos Estados Unidos. Se um dia o país decidir barrar o acesso de estrangeiros a esse sinal, o resto do mundo não tem o que fazer.

Além disso, Santa Maria se projeta como uma referência no setor e crescem as chances de sediar o polo espacial gaúcho, que vem sendo pleiteado pelo governo do Estado. A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação já demonstrou apoio ao projeto do segundo nanossatélite gaúcho, a ser lançado em 2015.

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