Universidade vai ouvir alunos e pode investigar trote

Diário de Santa Maria, 15/08/2014, Geral, Pág. 10

Calouro entrou em coma e precisou ir para hospital. Ele ingeriu bebida alcoólica e estava com hipotermia

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) deve ouvir alunos do curso de Engenharia Civil que possam estar envolvidos no trote feito na quarta-feira, quando um calouro entrou em coma alcoólico. De acordo com Luciano Schuch, diretor do Centro de Tecnologia (CT) da instituição, a ideia é conversar ainda hoje com alguns estudantes sobre o episódio.

– Primeiro, vamos ouvir os calouros para ver se, de alguma forma, eles foram obrigados a ir até o Centro. Depois, vamos falar com os veteranos. Vamos entender o que aconteceu e, se for constatado que houve algum tipo de abuso, deve ser feita uma investigação – explica o professor.

A prática do trote é proibida pela Federal, mas a recepção é marca registrada do início do semestre. Há cursos que optam por iniciativas sociais, como o trote solidário. Mas as turmas costumam mesmo é promover festas que podem ter um final perigoso, como o dessa semana.

Durante o trote, que ocorria no parque Itaimbé, o calouro de 18 anos precisou ser encaminhado ao Hospital Dia da Unimed. Ele estava em coma alcoólico, com hipotermia, sujo e cheirando a gasolina, segundo a família. A mãe do jovem contou que o médico telefonou para a casa do adolescente para avisar sobre o coma.

– O meu filho tem parcela de responsabilidade porque aceitou beber, mas não tinha ideia de como era o trote. Não lembra de nada. Nem como chegou no hospital, nem como colocaram gasolina no corpo dele. Ele poderia ter morrido se alguém riscasse um fósforo perto – desabafou a mãe, que pediu para não ser identificada.

Ontem, o jovem já tinha sido liberado do hospital e estava em casa. Fernando Souza, médico plantonista que atendeu o estudante, criticou o comportamento.

– Não tem justificativa integrar uma pessoa dentro de um grupo e submetê-la a esse tipo de situação. Nem falo pela humilhação, mas pela saúde especificamente – disse o médico, em entrevista à RBS TV.

Para especialista, é importante compreender o comportamento

A psicóloga clínica Fernanda Real Dotto, que é professora do Centro Universitário Franciscano, diz que a adolescência é um período em que o jovem está dedicado à tarefa de experimentar mudanças pessoais que são inerentes à puberdade.

– Quando acontece este tipo de movimentação em grupo, acarretando em alguns riscos, é importante salientar que algo está sendo comunicado. Portanto, ressalto que é fundamental que exista um ambiente favorável acolhendo e compreendendo tais comportamentos, tendo um olhar atencioso e afetivo – explica.

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