Música entre jovens

Diário de Santa Maria, 19/09/2014, Opinião, Pág. 4

Com alguns companheiros da Academia Santa-Mariense de Letras, assisti há pouco a uma apresentação da Banda Municipal do Projeto Social Vila Urlândia, regida pelo maestro José Carlos da Silva. Ele é militar da reserva e músico formado pela UFSM. O que encanta, principalmente, nessa banda, é o fato de seus integrantes pertencerem a uma comunidade de periferia e serem, quase todos, jovens estudantes. Contou-nos o professor José Carlos que, ao iniciar o trabalho, encontrou meninos indisciplinados e agressivos e até pensou em desistir. Resolveu, porém, enfrentar o desafio e, com a disciplina que impôs e o poder de sedução da música (assim como de qualquer atividade artística), conseguiu a plena adesão dos jovens. Eles demonstram hoje pleno engajamento ao projeto e, segundo depoimento das próprias famílias, alteraram totalmente seu comportamento antissocial. Eis aí: educação disciplinada e arte – que eleva a autoestima – constituem uma das melhores receitas para transformar positivamente qualquer jovem que possa estar caminhando para um rumo perigoso, como o da delinquência e o das drogas.

Conto também que fui ao Theatro 13 de Maio, num dia desses, para ver a apresentação de crianças e adolescentes, estudantes de uma escola de música que ensina meninos e meninas de classe média. Todos bonitinhos, esforçando-se para se exibirem o melhor possível. O objetivo aqui, certamente, não é opinar sobre o desempenho dos “artistas”. Mas me chamou a atenção – e me incomodou muito – o fato de terem sido apresentadas, entre muitas outras, apenas quatro ou cinco composições brasileiras. Predominaram as cantigas em inglês e os instrumentistas com composições estrangeiras.

E onde fica a cultura musical brasileira? Disseram-me que os “artistas” têm liberdade de escolha. Ora, se o que há para escutar hoje de música (?) brasileira é quase tudo lixo, escolhem – claro! – o que é importado. Então, ouso sugerir aos professores das escolas de música: por favor, mostrem aos jovenzinhos que temos um repertório vasto e belo de música brasileira. Sem espaço para citar exemplos de nossa excelência musical, sei que os mestres, se quiserem, haverão de encontrá-los facilmente. Nossa cultura agradecerá muitíssimo.

RUTH F. LARRÉ|PROFESSORA

Comentários estão fechados.