Made in UFSM

Diário de Santa Maria, 27/09/2014, MIX, Pág. 4

Universidade Federal de Santa Maria ganham destaque no país pela inovação

Dentro de uma universidade, não há apenas estudantes de graduação, mestres, doutores e pós-doutores. A produção que nasce em locais como a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) vai além do limite das salas de aula. O campus é, na verdade, um imenso laboratório para diferentes projetos. Alguns deles são totalmente teóricos, outros precisam ser experimentados e, não raro, a comunidade de Santa Maria e região acaba imersa entre as diferentes pesquisas.

Foi assim que nasceu, em 2005, um estudo que foi premiado pela Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia como o melhor projeto do país na área pediátrica. Com a ajuda do orientador e de estudantes do curso de Farmácia, Iria Luiza Gomes Farias trabalhou, na conclusão do mestrado em Ciências Farmacêuticas, na busca de uma solução para o gosto ruim do principal remédio que era usado no tratamento da anemia em crianças.

Eles conseguiram trocar o sulfato ferroso, que dava o gosto ruim, por uma substância que não tem sabor, e, para facilitar ainda mais a ingestão pelos pequenos, foi adicionado aos comprimidos um gostinho de uva. O mais interessante é que toda a experiência foi feita no setor de Hemato-Oncologia do Hospital Universitário (Husm).

A existência de estudantes e professores pensando e produzindo ciência dentro das universidades públicas pode (e deve) não apenas cumprir a missão da universidade de qualificar essas pessoas por meio da pesquisa. Mais na frente, isso também pode resultar em melhora da qualidade de vida da comunidade. É o caso, por exemplo de estudos que promovem atividades físicas para idosos, ou que avaliam as condições de saúde de determinados grupos, como os hipertensos.

Formar pesquisadores ainda é um desafio

Entre as inovações que tiveram o embrião de suas pesquisas na UFSM estão tecnologias como a do primeiro nanossatélite do país que foi lançado. Estima-se que haja mais de 8 mil projetos em desenvolvimento, em variadas áreas e nas mais diferentes fases.

– O desafio da universidade hoje, é formar indivíduos capazes de buscar conhecimentos e de saber utilizá-los. A pesquisa científica é um instrumento valioso para aprimorar qualidades em um profissional, estimular e iniciar a formação daqueles mais vocacionados para a pesquisa – salienta a coordenadora de Pesquisa da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa, Clarice Rolim.

Em meio a um cenário de estímulo para a produção do conhecimento, os estudantes também saem ganhando. Que o diga o doutorando em Farmacologia Alencar Kolinski Machado, 23 anos, que faz parte do grupo de pesquisa do Laboratório Biogenômica. Ele está indo para Toronto, no Canadá, desenvolver pesquisas sobre os benefícios do consumo da casca da laranja e do açaí.

– Sempre gostei de pesquisas. Acabei conhecendo o trabalho do grupo e ele sempre se destacou pelo seu trabalho, isso é um incentivo – diz Alencar, que recentemente apresentou o resultado da sua pesquisa em um congresso em Paris, na França.

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