A política econômica, por Daniel Arruda Coronel e Reisoli Bender Filho*

Diário de Santa Maria, 08/10/2014, Pág. 04.

 

Nos últimos anos, vários problemas macroeconômicos acentuaram-se e mostraram a debilidade de diversas ações do governo federal, tais como a tendência de alta da taxa de juros, o câmbio sobrevalorizado, o descontrole e a desproporcionalidade das medidas fiscais que têm gerado mais instabilidade econômica. Essas políticas têm gerado consequências esperadas como os crescentes déficits em transações correntes, a retração contínua da indústria, tanto em termos de participação relativa quanto em competitividade e o ínfimo crescimento da economia. Ademais, a recorrente pressão inflacionária, que tem sido utilizada como alvo de tais políticas, tem ratificado um cenário cada vez mais incerto para o país.

Para que esse quadro seja alterado, é necessário que o futuro presidente eleito adote medidas em direção à eficiência do setor produtivo e da busca da estabilidade econômica já no primeiro ano de governo. Destacam-se a retração das taxas de juros, a desvalorização cambial, a reforma tributária – visando dar um novo patamar ao caótico sistema tributário –, a reforma fiscal – para dar um melhor direcionamento aos gastos públicos –, as reformas previdenciária e trabalhista – para desonerar os encargos trabalhistas – e a reforma do Judiciário, buscando maior segurança aos contratos jurídicos.

Além disso, faz-se pertinente o aumento dos investimentos públicos, que gerariam melhores condições de logística e de infraestrutura, que são, de longa data, entraves à competitividade do setor produtivo nacional. Tais mudanças dariam início a um novo ciclo, fornecendo condições para o setor primário elevar a competitividade, a indústria recuperar-se e, consequentemente, permitir a expansão da atividade econômica.

Essas reformas não são fáceis de serem feitas devido aos interesses que serão contrariados, bem como aos fortes efeitos colaterais de curto prazo. Fatores que terão mais aceitação e darão mais consistência ao novo governo, se realizadas no início do mandato; caso contrário, o Brasil tenderá a entrar em um ciclo recessivo mais intenso. Caso essas reformas sejam feitas, o novo presidente estará dando importante contribuição para um país mais justo, fraterno e soberano, que ofereça mais oportunidades de emprego e de ascensão social.

*Professores adjuntos da UFSM

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