A luta feminista

Diário de Santa Maria, 23/12/2014, Opinião, Pág. 04.

 

Morgana da Silva Belmiro, Estudante de Sociologia na UFSM

Uma declaração adotada pelas Nações Unidas durante a Conferência Mundial de Direitos Humanos, realizada em Viena em dezembro de 1993, diz que os direitos de mulheres e meninas são direitos humanos. Conforme a declaração, a violência baseada no gênero viola essa premissa. Tal violência fica sujeita à condenação.

Nos últimos dias, deparamos com mais um caso de violência contra as mulheres quando o deputado Jair Bolsonaro ofendeu a colega Maria do Rosário com uma frase carregada de preconceito. O sexo feminino tem sofrido com frequentes atos que colocam em cheque a sua dignidade. A frase dita pelo deputado não ofendeu só Maria do Rosário, mas ofendeu toda a classe feminista.

As mulheres tiveram várias conquistas por meio do feminismo, movimento organizado em prol dos direitos das mulheres, que teve início em meados do século 19, influenciado pelos ideais de igualdade e liberdade. A luta feminista constituiu-se em importante mobilização pela conquista de direitos, pelo fim da discriminação e denúncia da opressão vivida pelas mulheres. Atuando em diversas frentes, na busca da garantia de direitos legais, como ao voto e à propriedade; constituição igualitária do casamento; questionamento do poder patriarcal na família; direito ao divórcio; direito à autonomia e integridade do corpo feminino; proteção contra a violência doméstica e sexual e direitos trabalhistas, como a busca por igualdade dos salários entre homens e mulheres e licença-maternidade.

A mulher era considerada incapaz legalmente e subordinada ao pai ou ao marido, e, a eles, cabia a decisão sobre ela poder trabalhar. Administravam os bens das filhas/esposas, já que lhes era negado o direito à propriedade. E, no casamento, ao homem era destinado o papel de chefe da família, detendo grande poder sobre mulher e filhos, que, por ele, eram subjugados (as). As primeiras feministas surgiram contra essa concepção patriarcal de família, vigente na maioria dos sistemas jurídicos.

A marginalização das mulheres não é uma tradição inaugurada pela sociologia, pois tem ocorrido historicamente nas ciências humanas e naturais. As mulheres foram marginalizadas desde as sociedades mais antigas. Foram tratadas como aberração ou como um ser incompleto.

É triste saber que, em pleno século 21, ainda temos de conviver com tantos insultos contra as mulheres. Pelo que se vê, a luta do feminismo ainda não acabou.

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