Artista acidental

Diário de Santa Maria, 03/01/2015, Mix, Pág. 03.

 

Alunos de intercâmbio voltam com cada experiência para contar, né? Mas quando retornar da Itália, a santa-mariense Paula Brondani Mucellini, 18 anos, poderá bradar que foi atriz em uma produção cinematográfica europeia.
Aluna do curso de Engenharia Química da UFSM, a jovem está estudando no Instituto Politécnico de Turim, pelo programa Ciência Sem Fronteiras. Foi lá que pintou o convite para participar do curta-metragem Sotto l’Ombra di una Guerra (Sob a Sombra de Uma Guerra, em português).

O filme foi feito para exibição na sétima edição do festival 100 Ore Torino, que estimula jovens realizadores a se lançar no mercado cinematográfico. Cada diretor participante teria 100 horas para gravar um curta temático de até 10 minutos. Em 2014, o tema foi “branco e preto”.

– A abertura do festival foi na noite de sexta-feira, 5 de dezembro. Foi quando os desafios-surpresa, detalhes de última hora que o curta-metragem deveria conter, foram revelados. As gravações foram feitas durante o sábado e o domingo, e as edições foram feitas na segunda. Na terça-feira o curta-metragem foi entregue aos avaliadores – contou Paula, em entrevista via e-mail.

O ritmo das filmagens foi intenso, devido ao tempo limitado, mas, segundo a estudante, foi divertido. O diretor – o também estudante e também brasileiro Antonio Augusto Macedo – foi o responsável por fazer cada cena com seriedade e cuidado, mas sempre deixando um clima descontraído.

– Ele é estudante de Arquitetura e Urbanismo no Brasil e, como eu, está em Turim pelo programa Ciência Sem Fronteiras. Ele já havia dirigido outros filmes assim em sua cidade no Brasil e, mesmo sendo um festival sem ajuda de custo, aproveitou esta oportunidade de fazer o mesmo aqui na Itália. Quando ele me ligou perguntando se eu gostaria de participar e se eu estaria disponível neste período de gravações e eu topei na hora – conta a gaúcha sobre o piauiense.

Paula diz que, no set, brasileiros e italianos se ajudaram para cumprir as tarefas exigidas no festival, indo além das obrigações iniciais.

– Enquanto alguns gravavam, outros iam atrás dos elementos-surpresa obrigatórios das cenas, ajeitavam as maquiagens, aprontavam as refeições, planejavam o figurino das cenas etc – relata.

A estudante, que só havia feito peças escolares, participou de três cenas, interpretando uma mulher com quem o protagonista tinha devaneios. O filme, em preto e branco, não tinha falas, e foi exibido no 100 Ore Torino no último dia 12.

– Com certeza, não foi uma experiência que eu pensei que passaria durante este intercâmbio, mas quando recebi a ligação não pude deixar de aceitar, pois sabia que seria uma oportunidade única… E superou minhas expectativas porque, além de toda a diversão por trás das câmeras, foi emocionante perceber a união do grupo por uma causa que não retribuiria materialmente ninguém.

Paula está em Turim desde setembro e retornará ao Brasil, no início de agosto de 2015, com essa história na bagagem.
          

 

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