Prefeito de Santa Maria garante que casas noturnas estão mais seguras

Correio do povo, 26/01/2014. Geral, online. 

Tragédia da boate Kiss completa dois anos nesta terça-feira

O prefeito de Santa Maria, Cezar Schimer, garantiu nesta segunda-feira que as casas de show da cidade estão mais seguras desde o incêndio na boate Kiss, há dois anos, quando 242 pessoas morreram. “Eu tenho convicção de que os estabelecimentos estão mais seguros do que foram no passado”, disse o prefeito em entrevista à Rádio Guaíba.

A tragédia na boate Kiss, que teve dimensão mundial, foi um episódio que marcou a cidade, segundo Schimer. “O Rio Grande do Sul e o Brasil viveram de maneira dolorosa o que aconteceu. No que diz respeito à prefeitura não há ninguém sendo processado, mas não exime a responsabilidade de buscar alternativas para que isso não se repita”, completou o prefeito.

No entanto, segundo ele, modificações com relação a lei municipal dependem de mudanças nas leis federal e estadual. Na legislação federal, no entanto, Schimer garante que nada mudou. A lei estadual apresentou modificações, mas em seguida mais duas alterações foram feitas pela Assembleia Legislativa. “Estávamos esperando a estabilidade para fazer (as mudanças na lei). Como a lei municipal vem depois dessas, precisávamos esperar”, disse.

Duas alterações na lei de Santa Maria com relação à segurança em casas noturnas ocorreram desde 27 de janeiro. “Logo depois da tragédia, durante 30 dias, houve uma varredura nas casas de show. Depois foram adotadas medidas para corrigir deficiências e problemas de forma intensa”, explica Schimer.

Atendimento aos familiares e sobreviventes

A prefeitura de Santa Maria criou uma unidade de atendimento intensivo aos sobreviventes, familiares e pessoas que de alguma forma sofreram abalo emocional depois do incêndio. Segundo o prefeito Cezar Schimer, o “Acolhe Santa Maria” disponibiliza psiquiatras e psicólogos. Uma casa foi alugada e o estabelecimento chegou a funcionar 24 horas. Depois que a procura baixou, o horário de expediente passou a ser das 7h às 22h. “Mas sempre tem alguém de plantão para um chamado urgente”, garante o prefeito.

No entanto, as reclamações recorrentes com relação ao atendimento no Hospital Universitário de Santa Maria são de responsabilidade do governo Federal, de acordo com Schimer. “Hospital Universitário eu não sei exatamente os problemas que existem. Cada um resolve o que está ao seu alcance”, disse. “Ouço reclamações, mas daí é uma questão técnica, eu não saberia te responder”, completou.

Dois anos desde a tragédia

O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro de 2013. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.

Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.

Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.

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