UFSM (6). Representação dos estudantes e também se posiciona sobre a acusação de “antissemitismo”

Blog Claudemir Pereira, 06/06/2015, edição online.

 

Uma nota publicada no perfil de Feicebuqui da entidade, no início da madrugada deste sábado, traz a posição do Diretório Central dos Estudantes da UFSM, a propósito do EPISÓDIO em que a instituição foi acusada de ato antissemita.

Ressalve-se que a direção atual da entidade não é a mesma signatária do documento originário, causador do forrobodó de agora. Talvez isso explique (talvez) uma curiosidade: a “nota explicativa” foi seguida de um “comentário explicativo” à “nota”. Bem, como tem sido tratado nesse caso, pelo sítio, apenas relatando os fatos, você tem a seguir a oportunidade de conferir o documento do DCE/UFSM, na íntegra:

COMENTÁRIO EXPLICATIVO:

A gestão do DCE “Pelas nossas mãos” vem a público retificar a nota publicada anteriormente sobre esta questão. Reavaliamos e consideramos que a posição sobre o boicote precisa ser melhor discutida pelos estudantes da atual gestão, que assumiu há menos de duas semanas. Posteriormente avaliaremos a melhor forma de encaminhar essa discussão com o conjunto dos estudantes.

Fomos surpreendidos sobre esta discussão e principalmente pela forma distorcida com que estava sendo divulgado o documento adulterado da UFSM. Pedimos desculpas aos estudantes da UFSM e deixaremos a nota anterior disponível no blog do DCE, para evitar qualquer tipo de mal entendido. Salientamos que somos contra qualquer tipo de atitude xenofóbica, racista e preconceituosa, e que a história de luta do movimento estudantil de Santa Maria é prova disto.

NOTA DE EXPLICAÇÃO SOBRE O DOCUMENTO DA PRPGP:

Caras e caros estudantes e população em geral, através desta nota tentaremos contextualizar a polêmica e as acusações infundadas que tem recaído sobre a UFSM e as organizações das categorias. Estivemos acompanhando as repercussões ao mesmo tempo que consultávamos membros da antiga gestão para entender todo o processo. A Reitoria já manifestou que vem tratando das questões formais e legais, além de denunciar a adulteração do documento da universidade que estava sendo divulgado. Diante disso, julgamos necessário apontar elementos que são omitidos pela mídia e que precisam ser ditos sempre que se for falar de Israel e Palestina. Especialmente dentro de um ambiente universitário.

Este processo tem origem em 2014 quando o mundo inteiro se mobilizava em solidariedade ao povo que sofria com o bombardeio que acontecia em Gaza. Segundo observadores internacionais, um total de 2.016 pessoas morreram e mais 10.196 ficaram feridas durante a ofensiva israelense a Gaza. Entre os mortos havia 541 crianças, 250 mulheres e 95 idosos. Aqui em Santa Maria formou-se o Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino ao qual o DCE se somou.

Uma das ações tomadas na época foi pedir esclarecimentos sobre um suposto convênio entre universidades gaúchas (dentre elas a UFSM) e a empresa bélica israelense Elbit (representada pela subsidiária brasileira AEL). A referida empresa fornece equipamentos ao exército israelense, além de auxiliar na construção do “Muro do Apartheid”.

O encaminhamento dado a esse documento, de forma descontextualizada, acreditamos ser a causa de tamanha confusão. O objetivo era saber se, mesmo sem convênio, já havia alguma cooperação entre a UFSM e o Estado de Israel em andamento. Por essa razão elaborou-se um documento solicitando as informações sobre convênios ou acordos de cooperação tecnológica com empresas israelenses; a intenção destes possíveis convênios; e a possível presença de profissionais ligados a esses projetos na universidade.

Solicitou-se ainda no mesmo documento a omissão de nomes em caso de resposta, considerando que o principal era buscar os projetos e convênios. O documento foi entregue em agosto de 2014 e pode ser conferido na íntegra aqui:
http://www.sedufsm.org.br/docs/noticia/2014/08/D29-220.doc

No mundo inteiro espalhavam-se manifestações de solidariedade. Aqui também, mas com uma particularidade: um convênio específico entre várias Universidades Gaúchas, o Governo do Estado e a Empresa Bélica Israelense Elbit estava sendo propagandeado pela mídia. Sobre esse convênio ou outros semelhantes na UFSM não foi encontrado nada. Caso fosse confirmada essa parceria a intenção do DCE era de barrá-la. Até agora só o que existe é um pedido de informações.

A notícia sobre o memorando da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PRPGP) aos Programas de Pós-Graduação pedindo informações sobre a presença ou perspectiva de vinda de estudantes e docentes israelenses à UFSM está tendo uma repercussão exagerada e oportunista em cima de fatos distorcidos.

Sobre a imagem que está sendo divulgada na internet:
A imagem que está em circulação com escritos “FREEDOM FOR PALESTINE, BOYCOTT ISRAEL” é falsa. O documento foi adulterado para acrescentar esta imagem e sugerir que a Pró Reitoria de Pós Graduação e Pesquisa da UFSM está levantando a bandeira do BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanção), o que não é o caso.

A adulteração serviu em grande parte para atacar a imagem das entidades sindicais ASSUFSM e SEDUFSM, e do DCE da UFSM, assim como do Pró-Reitor José Fernando Schlosser. A onda de ódio gerou insinuações que beiram o absurdo, como por exemplo associar Schlosser ao nazismo por conta do seu sobrenome alemão. Desconhecemos qualquer posição e opinião do Pró-Reitor sobre a questão palestina. De qualquer forma lhe prestamos nossa solidariedade contra os ataques difamatórios.

O DCE da UFSM luta pela construção de uma sociedade plural, contra qualquer forma de opressão e/ou discriminação, como o machismo, o racismo, a xenofobia, a homofobia, e isso faz parte da nossa ação cotidiana. Defendemos que a educação e a universidade pública têm o dever de contribuir na construção desta sociedade, onde as pessoas e nações sejam respeitadas, e que isso seja critério inclusive nos acordos internacionais realizados pela universidade.

Repudiamos qualquer ato discriminatório e queremos deixar claro que de forma alguma essa seria a motivação da solicitação sobre os convênios da universidade. A forma descontextualizada em que a situação foi exposta deu margem para o entendimento equivocado e a má fé de alguns. Lamentamos também que algumas pessoas que se manifestaram agora sobre um possível caso de racismo, inclusive membros da oligarquia da mídia, não tiveram reação semelhante quando milhares de civis palestinos foram mortos no ataque desproporcional realizado pelo Estado de Israel, e que algo tão importante como a questão Palestina seja tratada como secundária ou totalmente ignorada como no caso que estamos vendo agora.

O Diretório Central de Estudantes desde já se compromete em levar esta discussão ao conjunto dos estudantes para ampliar o debate sobre esta questão dentro da Universidade.”

 

Comentários estão fechados.