UFSM diz que não vai informar nomes de israelenses vinculados à instituição

Rádio Gaúcha SM Online, 05/06/2015.

Uma das entidades que solicitou àUniversidade Federal de Santa Maria(UFSM) informações sobre presença de alunos e professores israelenses na instituição, a Seção Sindical dos Docentes da UFSM (Sedufsm), justifica que o documento, encaminhado no ano passado ao gabinete do reitor, quer informações sobre um possível convênio entre Universidade e a empresa israelense Elbit, que fabrica armamentos e aeronaves. O sindicato afirma que o pedido é porque a Sedufsm é contra a participação da UFSM em convênio que possa resultar em armas a serem usadas contra os palestinos, que estão em conflito com Israel.

As demais entidades que assinam o pedido de informações: a Associação dos Servidores da UFSM (Assufsm), o Diretório Central de Estudantes (DCE) e Comitê Santa-Mariense de Solidariedade ao Povo Palestino devem se pronunciar sobre o caso ainda nessa tarde.

O reitor Paulo Burmann nega que tenha havido discriminação e diz que apenas cumpriu um pedido feito via Lei de Acesso à Informação. Ele falou, nessa sexta-feira (5), ao Gaúcha Atualidade:

“O sentido é atender a uma solicitação de um grupo de entidades com base da Lei de Acesso á Informação. A universidade, depois de analisar o processo, porque sabemos a delicadeza do assunto, propriamente temos que seguir a lei. Se de um lado, não seguirmos a lei, temos cobrança por parte dos órgãos de controle. E se nós seguirmos a lei, acabamos tendo, pela incompreensão da lei, a cobrança de alguns setores da sociedade”.

O reitor também afirmou que não iria informar nomes de professores e estudantes israelenses, apenas se havia ou não docentes e discentes desse país na instituição. Burmann esclareceu que, até o momento, nenhum documento foi formulado em resposta às entidades que solicitaram as informações e que não há convênio com a empresa citada.

Ainda em entrevista ao Atualidade, o reitor disse que esse caso se insere numa situação de ataques sequenciais à universidade, motivados por grupos de posições divergentes às perspectivas da atual gestão.

Entenda o caso
A polêmica envolvendo o pedido de informações sobre israelenses aos departamentos de ensino da UFSM iniciou depois que uma cópia do documento Pró-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa começou a circular na internet com uma mongagem, incluindo os dizeres “Freedom for Palestine – Boycott Israel” (Liberdade para a Palestina, boicote a Israel).

Em um documento, datado de 15 de maio deste ano, a Pró-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa solicitou aos programas de pós-graduação o envio imediato de informações sobre “a presença ou perspectiva de discentes ou docentes israelenses” nos respectivos programas.

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