RP de Santa Maria lança documentário sobre o funk

ClicRBS, 18/05/2016, Diário de Santa Maria

“Tudo acaba em Funk”, de Julian Moretto, será  exibido nesta quinta-feira

RP de Santa Maria lança documentário sobre o funk Julien Moretto/Divulgação

Foto: Julien Moretto / Divulgação

O funk não é um ritmo tão popular em Santa Maria e redondezas o que não quer dizer que não tenha conquistado adeptos e admiradores por aqui. Entre eles, está o relações públicas e filmaker Julien Moretto, autor do documentárioTudo Acaba em Funk, que será lançado na quinta-feira.

Realizado como projeto experimental para conclusão do curso na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o filme nasceu do desejo do diretor em contrapor o preconceito relacionado a este gênero musical que, ao mesmo tempo, é muito usado em novelas e comerciais, integrado em músicas sertanejas e até mesmo no rock.

– Mas o que mais me deixou intrigado foi ver o consumo do funk em tantas festas consideradas ¿elitizadas¿ (pelo público que frequenta e pelos valores). O mais curioso é ver essa apropriação do funk por diversas classes, gêneros musicais, canais televisivos entre tantos outros movimentos e ninguém querer saber a opinião e a realidade de quem realmente produz essa cultura – diz Julien, 22 anos.

O diretor foi buscar as respostas em Porto Alegre e no Rio de Janeiro, entre agosto e setembro de 2015. Além de imagens das festas, ele entrevistou Silvio Essinger, jornalista do jornal O Globo e autor do livro Batidão – Uma História do Funk, além de sete grandes nomes do gênero. Entre eles, Renato Martins, criador do site Funk na Caixa; MC Davi, cantor com mais de 70 milhões de views no YouTube; MC Serginho, um dos primeiros expoentes do gênero no país, que fez dupla com Lacraia; e MC Sabha, professor da primeira escola de MC¿s e DJ¿s do país criada no Morro da Tuca, em Porto Alegre.

– Entrevistar o MC Sabha foi um dos momentos mais marcantes da minha recente carreira como produtor. Dentro da comunidade da Tuca, existe o Baile da Tuca e, dentro do baile, eles criaram a escola. A ideia é incentivar os jovens a encontrar no funk uma oportunidade na vida. Conforme ele mesmo cita no documentário, o funk cria, modifica e até salva vidas – relata o diretor.

Julien comenta que o funk tem ganho adeptos em Santa Maria, faltando para crescer o incentivo e a quebra do preconceito.

– Ele só é visto de forma preconceituosa devido à algumas letras e por vir da periferia. Só que é necessário perceber que não são todas as músicas que tratam de mulheres, de ostentação ou de bebida. Muitas letras trazem questionamentos sociais, mostram a realidade daqueles que vivem na periferia, contam sobre o que eles vivem diariamente – diz.

A exibição de Tudo Acaba em Funk começa às 19h, no Bar Vaca Profana (Rua Serafim Valandro, 536). A entrada franca.

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