Universitários de Silveira Martins irão estudar no campus de Camobi

 

Diário de Santa Maria, 18/05/2016,Geral,Online.

Cerca de 200 alunos, 11 servidores e 31 professores da Udessm vão para Camobi a partir de 8 de agosto

Universitários de Silveira Martins irão estudar no campus de Camobi Ronald Mendes/Agencia RBS

As incertezas que rondam a Unidade Descentralizada de Educação Superior em Silveira Martins (Udessm) devem chegar ao fim em 8 de agosto.  Na data, que marca o começo do segundo semestre letivo na UFSM, os 11 servidores, 31 professores e cerca de 290 estudantes de Silveira Martins devem ir para o Campus de Santa Maria,  cerca de 20 quilômetros da sede atual.

Desde que a Udessm foi criada, em 2007, e começou a ter aulas em 2009, tem sido motivo de dor de cabeça à reitoria. Os motivos são a elevada evasão de alunos e a dificuldades de infraestrutura, entre outros problemas.

Desde 2014, a atual gestão da UFSM tenta encontrar uma solução à unidade que, ao longo de sete anos, não conseguiu deslanchar. E a saída foi a ¿mudança de endereço¿ para os cinco cursos ofertados – Administração, Tecnologia em Gestão Ambiental, Tecnologia em Agronegócio, Tecnologia em Gestão de Turismo e Bacharelado Interdisciplinar.

–  Vamos iniciar o segundo semestre com essa nova realidade. É um enfrentamento a um problema que nos aflige – afirma o reitor da UFSM, Paulo Burmann.

Os números não jogam a favor da Udessm. Atualmente, há cerca de 290 alunos nas cinco graduações, sendo que a unidade teria capacidade para atender até 1,2 mil estudantes. Ou seja, há apenas 28% das vagas preenchidas. Outro indício de que a instituição não vai bem é o processo de extinção de dois cursos: Tecnologia em Processos Gerenciais (com um aluno para uma oferta de 50 vagas) e Bacharelado Interdisciplinar (com cinco alunos de um total de 50).

Novos caminhos
Porém, o reitor assevera que a mudança de planos não significa dar às costas ao município de Silveira Martins. Para os atuais prédios da Udessm há as seguintes propostas: criação de um Núcleo de Artes, um Centro de Documentação e Memória, uma Escola de Altos Estudos, um Centro de Convenções, um Centro de Pesquisa em Biodiversidade Animal, um Núcleo de Estudos em Paisagem e ainda um Banco Público da Agrobiodiversidade. Também há uma tratativa em andamento entre a UFSM e o Instituto Federal Farroupilha para a oferta de cursos técnicos específicos em colaboração com instituições públicas.

– Não estamos virando as costas ao município. Não se trata disso. Mas, sim, de achar uma solução a um dilema – explica Burmann.

O reitor ainda destaca que as duas obras em andamento na Udessm, a ampliação de salas de aula e a construção de laboratórios, orçadas em R$ 4,1 milhões, serão concluídas. Além disso, a restauração da sede, que foi doada pela prefeitura à UFSM, será concluída o mais breve possível.

Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

Comunidade está apreensiva
A decisão da reitoria de fazer com que a Udessm passe para Santa Maria é vista com apreensão pelas lideranças políticas da Silveira Martins. O prefeito da cidade, Rozimar Bolzan (PDT), admite que não há margem para reversão da decisão da UFSM. Mesmo assim, ele entende que caberia à reitoria ¿apostar mais¿ na unidade. O pedetista diz que a prefeitura fez a sua parte e que seria preciso haver novas sinalizações por parte da Federal.

– Seria preciso viabilizar cursos mais atrativos, como Ciências Contábeis e Direito, ambos noturnos. Os cursos de graduação estão dando certo, mas que é preciso investir mais em infraestrutura (a unidade não tem restaurante universitário nem casa do estudante). Damos todo o apoio, com terreno e imóvel à Federal, mas nada parece ter sido válido – diz o prefeito.

Quando a unidade começou suas atividades, em 2009, a perspectiva era a de desenvolvimento a Silveira Martins, o que não se concretizou. Porém, o prefeito diz que o crescimento viria a médio e longo prazo.

Agora, ele imagina, e mantém o otimismo, com a nova proposta da UFSM.

Para o coordenador do Movimento Fica UFSM/Silveira Martins, Carlos Michelin, o local tem de ser viabilizado pela Federal:

– A comunidade fez a sua parte e, agora, espera e cobrará da UFSM um projeto viável ao desenvolvimento do município, mesmo sem os cursos de graduação, em resposta aos altos investimentos com recursos públicos já realizados no Campus de Silveira Martins.Planejamento

Planejamento
Segundo o reitor, o problema está na concepção inicial do projeto. Quando surgiu a possibilidade de ampliação, a UFSM se descuidou de um item fundamental: planejamento.
– Há uma série de fatores que levaram a essa baixa procura (pela unidade), o que poderia ter sido diagnosticado previamente. Mas não isso. Infelizmente, não foi mensurado.

EM NÚMEROS
– Criada em 2009, a Udessm poderia atender a até 1,2 mil estudantes em cinco cursos
– Atualmente, são 359 matriculados nos cursos de Administração (149), Tecnologia em Gestão Ambiental (69), Tecnologia em Agronegócio (70), Tecnologia em Gestão de Turismo (65), Bacharelado Interdisciplinar (5)* e Tecnologia em Processos Gerenciais (1)*
– Dos 359 matriculados, cerca de 290 frequentam as aulas
– O percentual de preenchimento de vagas nas graduações é de 28%, conforme a direção da Udessm
– A taxa de ociosidade das vagas ofertadas, conforme estudo da FGV, é de67%
– Ainda segundo estudo feito pela fundação, o índice de evasão na Udessm foi de 46% entre 2009 e 2015
– Cerca de 85% dos estudantes da Udessm moram em Santa Maria
*Ambos os cursos estão em processo de extinção


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