EDUCAÇÃO. Paulo Burmann, Reitor da UFSM, vai à internet para fazer defesa irrestrita do ensino público

Blog Claudemir Pereira, 28/07/2016

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Por PAULO BURMANN, Reitor da Universidade Federal de Santa Maria (*)

Neste cenário de incertezas e permeado pelo jogo de interesses, que proporciona uma revisão apressada de conceitos sobre o papel do Estado, manifesto minha discordância de qualquer tentativa oportunista que, na contramão da tendência mundial, ataque o caráter público do Ensino Superior no Brasil.

É fundamental observamos as experiências exitosas de vários países da América, da Europa e da Ásia, que graças aos investimentos públicos em capital humano, em ciência e em tecnologia apresentaram melhorias significativas nos seus indicadores, confirmando o acerto nos investimentos em educação pública como fator de soberania diante do cenário da globalização e da competição transnacional.

Há razões de sobra para defender que exatamente nos cenários de crise o ensino em todos os níveis deve ser público, inclusivo e gratuito. O que injustamente pressiona o caráter público do Ensino Superior no Brasil é o jogo de interesses que busca transformar a Educação num grande negócio, contrariando todas as iniciativas de expansão, democratização do acesso e da inclusão social, estratégicas para o desenvolvimento econômico e social do País.

Deliberadamente, muitas manifestações têm negado todos os avanços conquistados com a luta de diversos setores da sociedade brasileira, apontando reiteradamente na mesma direção do afastamento do Estado de outros temas de interesse estratégico para Brasil, na direção do entreguismo e da privatização indiscriminada.

Todos devemos saber que, neste cenário, diante da primeira real crise econômica que se desenhar, o ESTADO será chamado a pagar a conta, “para evitar a quebra do sistema financeiro”. Portanto, adotar a política de redução do papel do Estado na saúde, na educação, na ciência, na tecnologia e no petróleo constitui mais que um engodo, um caminho perigoso e de difícil recuperação.

Reiteramos a necessidade de consolidação e continuidade da expansão das oportunidades para acesso ao ensino superior, público, gratuito e de qualidade, referenciado nas demandas estratégicas, econômicas e sociais do Brasil. Neste momento decisivo para o futuro do Brasil e dos brasileiros, devemos agir para garantir os avanços na direção do equilíbrio de oportunidades e da soberania nacional, com respeito às instituições que democraticamente estruturam a convivência pacífica entre as diferentes correntes do pensamento político, econômico e social.

(*) O texto foi originalmente publicado no perfil de Paulo Burmann no Feicebuqui (AQUI o original, se você for usuário da rede social).

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