PERFIL DAS ESCOLAS/INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO ESPECIAL: RELAÇÃO COM EDUCAÇÃO FÍSICA

Revista Gestão Universitária, 16/08/2016, Artigo

Veronica Jocasta Casarotto

Luciana Erina Palma

 

Resumo: As escolas/instituições de educação especial tem uma grande importância para a sociedade, e principalmente para o deficiente e seus familiares. Objetivou-se neste estudo, diagnosticar o perfil das escolas/instituições do Município Santa Maria de educação especial assim como descrever o perfil da educação física das mesmas. Observou-se que nas escolas/instituições há educação física, contudo faltando diversos conteúdos. Sendo assim a educação física representa um importante meio para o desenvolvimento global do aluno com deficiência, precisando está ser de qualidade, todavia verificar e potencializar o conhecimento para que os professores construam assim uma atuação adequada para cada aluno.

Palavras-chave: Perfil. Escolas. Instituições. Educação Física. 

 

INTRODUÇÃO

O assunto que permeia este estudo parte da busca pela compreensão a cerca do perfil das Escolas de Educação Especial localizadas no Município de Santa Maria – RS, bem como desvelar as atividades realizadas pelos professores de educação física destas escolas/instituições. A pesquisa procura revelar o que cada escola/instituição objetiva pra seus alunos/pessoas que nelas são atendidos.                                                                          As escolas/instituições de educação especial são importantes para suprir as necessidades dos alunos/pessoas que precisam de algum tipo de atendimento especializado, pois estes espaços propiciam vivencias ricas em aprendizado e desenvolvimento de capacidades biopsicossociais das alunos/pessoas atendias.

Segundo (STRAPASSON e CARNIEL, 2007)

As escolas especiais têm papel fundamental no desenvolvimento de crianças, jovens e adultos com deficiência, pois, elas oferecem atendimento especializado, diferente de escolas regulares, que, na maioria dos casos, não tem nada a oferecer a essas pessoas “diferentes”, que necessitam de estímulos diferentes, de adaptações, de aceitação.

Além das escolas/instituições de educação especial ser muito importante, temos também a disciplina Educação Física que auxilia no desenvolvimento dos alunos/pessoas deficientes.

A Educação Física possui uma subárea chamada Educação Física Adaptada, criada para atender aos alunos com deficiências, onde visa uma população especial que necessita de estímulos especiais e desenvolvimento motor e funcional (ROSADAS, 1994).                                                                                                                                            A Educação Física Adaptada segue o mesmo objetivo do estudo da Educação Física que é a motricidade humana, mas com adaptações metodológicas de ensino para os alunos com alguma deficiência, o conteúdo não é diferente e sim adaptado para cada tipo de deficiência.                                                                                                    Podemos definir como Educação Física Adaptada segundo (SEAMAN; De PAUW apud PEDRINELLI, 1994),

A Educação Física Adaptada tem sido valorizada e enfatizada como uma das condições para o desenvolvimento motor, intelectual, social e afetivo das pessoas, sendo considerada, de uma maneira geral, como: atividades adaptadas às capacidades de cada um, respeitando suas diferenças e limitações, proporcionando as pessoas com deficiência a melhora do desenvolvimento global, consequentemente, da qualidade de vida.

Esta pesquisa consiste em conhecer aspectos do perfil das escolas/instituições de educação especial, bem como investigar a oferta da disciplina de Educação Física nessas.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

O estudo caracteriza-se por ser uma pesquisa descritiva que “têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis” (GIL, 1999 p. 44), e os dados foram analisados através da mesma.

Foram sujeitos deste estudo 4 (quatro) diretores das 4 (quatro) escolas/instituições de  Educação Especial do Municipio de Santa Maria/RS. Este número de diretores foi determinado pelo número de escolas/instituuicoes de educação especial existentes no municipio.

O instrumento utilizado foi composto por uma entrevista com roteiro pré-estabelecido com perguntas abertas.

Segundo (GIL, 1999) entrevista pode ser definida:

como a técnica em que o investigador se apresenta frente ao investigado e lhe formula perguntas, com o objetivo de obtenção dos dados que interessam a investigação. A entrevista é, portanto, uma forma de interação social. Mais especificamente, é uma forma de diálogo assimétrico, em que umas das partes busca coletar dados e a outra se apresenta como fonte de informação. (p117)

O roteiro de entrevista foi composto por duas partes: na primeira parte as perguntas buscaram verificar sobre o perfil geral de cada Escola/Instituição; e, na segunda foi contemplado o contexto da Educação Física.

A partir das respostas adquiridas com a entrevista e conforme os objetivos e dados coletas foi elaborada categorias. A primeira categoria sobre o perfil geral de cada escola/Instituição, e a segunda foi contemplada o contexto da Educação Física.

A participação foi voluntaria, sendo o sigilo de informações assegurado através do termo de consetimento livre e esclarcido (TCLE).

RESULTADOS

CATEGORIA I: Perfil Geral das Escolas/Instituições

Instituição A

A instituição, através do município, recebe o transporte e alguns professores, o restante dos recursos é mantido pelo marketing da rede destas instituições. A comunidade em geral ajuda com doações ou até mesmo com dinheiro.

Possui 30 funcionários, oito professores e 110 alunos. A instituição tem 47 anos de existência e, segundo palavras da diretora, a história começou

Em função de uma mãe que tinha uma criança especial e se preocupava com a educação do filho, e este filho está aqui até hoje. E o nome desta unidade é Jandira Tolentino que foi ela quem fundou; então, a gente colocou o nome dela, e ele continua estudando aqui até hoje, e tem uma tia que cuida dele, traz em todas as atividades e ela está sempre presente.

A Missão da instituição através de um documento consultado se constitui em “promover e articular ações de defesa de direitos, prestação de serviços e apoio à família, direcionadas a melhoria da qualidade de vida da pessoa portadora de necessidades especiais e a construção de uma sociedade justa e solidária”.

O aluno/pessoa[1] é encaminhado para está instituição, pela sua própria escola, por suas famílias, pela fisioterapia, ou por conhecidos que já trabalharam na instituição e indicam o atendimento. Conforme a diretora, eles têm como objetivo a formação do aluno/pessoa:

Quanto mais autônomo a gente consegui que eles sejam, para isso que é o nosso trabalho e também procuramos enfatizar o que eles têm de bom as potencialidades deles a gente os coloca nas oficinas de acordo com as habilidades deles e que gostam e se conseguir trabalhar com artesanato vai pra isso, melhorar suas habilidades para adquirir maiores condições e dentro disso é trabalhado as questões de vida diária, ir ao banheiro sozinho, lavar as mãos sozinhas, a locomoção deles no que eles conseguirem, fazer para atividades deles do corpo deles, a gente presa isso na sala de aula, a gente procura auxiliar as famílias com o psicólogo, no cuidado com eles nessa habilidade e nessa independência deles porque tem muitas famílias que tem medo tem receio, que eles sejam independente autônomos, então a gente faz um trabalho de palestras, reuniões periódicas para saber como a família está se sentindo em casa se este filho, este sobrinho, está fazendo as coisas se estão gostando, se está tudo ok em casa, alguma coisa de diferente, muitas vezes a autonomia nem sempre é positiva, ela pode ser negativa em casa, então a gente cria uma espécie de discussão, procura explicar que isso é positivo, as coisas da vida deles sozinho sem auxilio de alguém a gente trabalha assim.

 

Neste sentido, está instituição se destaca por dar um suporte com profissionais adequados às famílias dos alunos/pessoas deficientes, para eles conseguirem compreender a autonomia de seus filhos, sobrinhos etc.

O documento que a instituição possui é um Projeto Politico Pedagógico (PPP), mas faz tempo que ele não é reformulado, assim é seguido o regimento desta rede de intuições que atua em todo Brasil. A organização das turmas, segundo relatos da diretora, ocorre da seguinte forma:

São feitas a partir das habilidades [...] então, por ora, deixamos pelas habilidades e pelos convívios, pelos grupos que eles formaram entre eles, então procura testar eles naquilo que eles gostam e conseguem fazer, da tem os seus grupos [...] vai ter que se adequar fazendo um teste de potencialidade, não se adaptou a turma, faz um parecer, tentou isso, tentou este outro, e ele não atingiu, ele não consegui, tentou não gostou, conversa aí passa pra outra turma, coloca um tempo lá, um mês pra professor e alunos se conhecer, os colegas também, da a gente vai até ele chegar que ele consegue produzir e esteja bem.

A diretora da instituição ressalta que as oficinas oferecidas são:

O artesanato (fazem agendas de papal reciclável), MDF, tecidos (fuxicos em almofadas e colchas), a de padaria (bolo, pão, bolacha para vender), alfabetização (atividades lúdicas, brincadeiras, jogos) e a de teatro (expressão corporal, comunicação). Os professores que ministram estas oficinas são pedagogos e o de ensino de magistério, mas a Instituição tem profissionais de fisioterapia, psicólogos, estagiários de Educação Física.

O modo de atendimento aos alunos/pessoas em conformidade com as palavras da diretora é assim descrito:

Tem para aqueles alunos que tu notas que não vão conseguir ficar no grupo de início a gente até tenta colocar no grupo, não deu certo, daí a gente faz um trabalho individual, primeiro inserção na turma com uma atividade no pátio com o grupo, depois volta a fazer individual num período de adaptação pra ele ir ao psicólogo e fisioterapeuta; e com o professor até pra se adaptar um pouco.

Instituição B

A instituição não possui mantenedora, é filantrópica; portanto, vive de recursos, ou seja, convênios com fundos municipais, nacionais, e de assistência social, com doações de voluntários e também através de projetos.

Nesta escola, há dois funcionários, quatro professores, e atende a 84 alunos. A partir do exposto anteriormente podemos perceber que a instituição conta com poucos funcionários e professores para o atendimento dos alunos/pessoas deficientes, mas claro que isso não é um problema só desta instituição, mas sim de várias, pois não é por má vontade da direção e sim pela falta de recursos para a contratação de mais profissionais.

A instituição possui 23 anos, segundo palavras da diretora, a história começa:

Com uma equipe de professores que se organizou e inspirou a instituição lá do Rio de Janeiro e veio para cá com as ideias que atende pessoas com deficiências lá, vieram fazer aqui, depois as professores foram nomeadas e uma associação de pais assumiu; foram várias as sedes e, agora, estamos se mudando para uma sede com comodato.

 

A instituição tem como Missão a partir de um documento consultado:

Atuar na formação de cidadãos, conceitos de seu potencial através do desenvolvimento de práticas que favoreçam a construção da aprendizagem significativa, a geração de trabalho e renda, e um novo olhar da comunidade, ás pessoas com necessidades especiais, contribuindo pra sua inclusão social.

 

O aluno/pessoa[2] é encaminhado através do conselho tutelar, da Secretária Municipal de Educação (SMED), Coordenadoria de Educação e escolas que sabem do trabalho, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), quando tinha o Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão em Educação Especial (NEPES), que foi fechado, a metade dos alunos encaminha pra lá.

Segundo a diretora, o objetivo da instituição é “trabalhar a autonomia deles a independência e a questão da profissionalização, inserir no mercado de trabalho aqueles que possuem possibilidades”.

A instituição, de acordo com palavras da diretora:

Tem seu regulamento e o estatuto que é o que nos orienta; e também seguimos a Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva, então temos atendimento de alunos adultos porque em função da inclusão dos alunos que têm uma idade menor possuem atendimento nas escolas públicas e também o Atendimento Educacional Especializado (AEE), então, nosso público alvo maior são adulto, mas a gente também atende alguns adolescente e crianças.

 

No quesito organização das turmas, a diretora informa:

A organização das turmas é por avaliação, nos avaliamos quais são as potencialidades deste aluno e a partir desta dificuldade, avaliação a gente diz, tem uma potencialidade muito grande pra oficina de artes ou para a marcenaria esse aluno tem desejo em aprender a ler e escrever então nos vamos colocar em uma oficina de alfabetização.

 

As oficinas oferecidas são de alfabetização de letras que é dividida em dois níveis, o primeiro é destinado àqueles que estão aprendendo as letras, enquanto o segundo é frequentado por aqueles que já sabem escrever, construção de textos. Há os grupos de convivência I, II e III, oficina artes com papel reciclável; oficina de sabão e oficina de marcenaria.  As professoras que ministram estas oficinas são educadoras especiais e a assistente social, assim como, além delas, há os voluntários dos cursos de psicologia, administração e de um projeto de educação física. Segundo a diretora, os alunos de Educação Física:

Vêm até aqui e pegam os alunos e realizam as atividades em um ginásio aqui perto. Inicialmente, iniciou com acadêmicos da UFSM e continuamos com o espaço e conseguimos a Faculdade Metodista de Santa Maria (FAMES) que nos auxilia e também alguns alunos daqui que vai até a UFSM no projeto da Luciana Palma em atividades aquáticas.

Escola C

A escola tem como mantenedora o estado, possuindo nove funcionários, 45 professores e atendendo a 113 alunos. Esta escola tem 10 anos, segundo o diretor:

Sua história começou com um grupo de surdos que sentia a necessidade de ter uma escola porque é diferente dos grupos ouvintes e a cultua é diferente, própria do ouvinte e separada do surdo, e o currículo é diferente, pois tem a língua de sinais, a educação, a história dos surdos, a identidade surda que é própria do surdo, ensino médio e fundamental tem, aqui, na escola. Precisa ter isso para desenvolver, porque a inclusão… muitos surdos repetiam muitos e, na faculdade, vão um ou dois só e muitos fracassos escolar junto com os ouvintes, então, a escola pra surdo… ele acredita lutando mais para conseguir com a prefeitura, daí conseguiram abrir a escola para surdos.

 

A Filosofia da escola, a partir de um documento consultado é:

Uma proposta de educação bilíngue para surdos pra que estes se constituam enquanto sujeitos históricos inserir num contexto sociocultural politico e antropológico que os leva a refletir e a comprometer se e a participar do mundo construindo uma consciência critica na sua interação com o mesmo.

 

O aluno é encaminhado para esta escola, segundo as palavras do diretor ele “precisa comprovar que é surdo e ter audiometria[3] para fazer a matrícula, ele começa na educação infantil vai até o ensino médio (há, inclusive, o curso normal e o magistério); os encaminhamentos dão-se principalmente através da família, do fonoaudiólogo”.

O objetivo do trabalho, conforme explica o diretor “é que eles têm acesso ao ensino fundamental, ensino médio e aos conhecimentos dos ouvintes e fazer faculdade”.

O documento que rege a escola é um PPP, a partir das palavras do diretor, ele se originou “em uma discussão com os alunos, professores, família, comunidade escolar, foi debatido e criado o PPP próprio para a escola de surdos”.

A organização das turmas, segundo o diretor, começa pela

Coordenadora, a equipe pedagógica e também os professores que eles organizam, na sala, os alunos. É construída por ciclos, a educação infantil que é o primeiro ciclo, terceiro e quarto ciclo e tem o EJA na escola T1 até T6 a noite, a tarde tem o curso normal e o ensino médio e manhã e noite também. O histórico escolar do aluno que vem de uma escola de inclusão e vem para cá, qual ciclo o aluno vai entrar. Tem um surdo na escola que veio de Candelária, ele não sabe escrever, não sabe nada, ele só sabe o alfabeto e está na 5ª série, mas ele sabe as coisas da 1ª série, mas a coordenadoria disse que ele tem que continuar na 5º série, daí, à tarde, ele vem, os professores acompanharam pra fazer alfabetização com ele, então, ele faz este dois processos e não sabe quase a língua de sinais para ano que vem, ele se desenvolver e continuar na 5ª série, então tem que fazer todo o acompanhamento antes, mas, agora, ele já melhorou um pouco e está conseguindo aprender  melhor, mas quando ele veio aqui só tinha ouvintes na escola, tipo empurrando ele, mas o contato com a língua de sinais não tinha nada.

 

Os alunos têm o Programa Mais Educação que está funcionando de manhã e à tarde, trata-se, pois, de um atendimento em turno integral, que contempla atividades como judô, teatro, ciências, matemática, letramento, arte e desenhos, que se efetivam de maneira conjunta.

Segundo diretor:

Tem um curso fora de administração, na [empresa] Planalto[4], alguns alunos participam lá e na Rede Vivo[5] para aprendizado para operador de caixa de mercado; tem o Frigorífico que dão curso para os alunos lá também ingressando pra trabalhar, mas sempre tem uma intérprete junto, a Rede Vivo ofereceu 14 inscrição para cumpri o curso a Vivo contrata com carteira assinada quem tem interesse pra trabalhar. A empresa que tem mais surdo é a Planalto em vários turnos do dia.

 

Esta escola se destaca, em relação às oportunidades que as empresas oferecem aos alunos, podendo assim fazer os cursos e já saírem com um emprego garantido, o que isso é muito importante para a inserção dos deficientes na sociedade.

Os educadores desta escola são profissionais: de artes, teatro, pedagogo, educador físico, português, matemática, filosofia, educador especial, professores formados letras/libras. De acordo com o diretor “os professores novos não sabem a língua de sinais, aí tem um intérprete para auxiliar, ensinar e ter contato até eles irem aprendendo”.

Escola/Instituição D

A escola/instituição tem como sua mantenedora a associação dos próprios funcionários, onde tem presidente, vice-secretário, primeiro e segundo secretário, e tesoureiro. Segundo a diretora “a verba que recebemos é do fundo nacional de assistência social vem para a nossa instituição todos os anos após o convênio (federal)”.

A escola/instituição possui 23 funcionários, 10 professores e, conforme a diretora, os alunos “não são mais dividido em clínica e pedagógica e sim em uma equipe multidisciplinar porque é mais coerente por estar em um prédio só e o total é 303 alunos (clínico e pedagógico)”.

A escola/instituição possui 57 anos, segundo a diretora, a história começou com a

Dona Haidée Cadeque Zorzan, na época do militarismo, ela tinha um bom relacionamento com o pessoal dos militares, a escola era lá na Presidente Vargas, no início, em uma casinha, depois, foi em outro lugar e, por último, para cair na atual sede que este terreno foi doado pela prefeitura e com ajuda do Lions e Rotary que foi construído estes dois prédios. Ela (Haidée) ficou na direção/coordenação mais de 40 anos, naquela época, não tinha a questão de presidente e diretor era só diretor, não tinha a associação em si, era a antiga Legião Brasileira de Assistência (LBA), direto com o governo federal. Então, sempre foi separado escola e clínica, mas o CNPJ é um só para as duas, sendo como escola.

 

Esta escola/instituição, como já citada ela é tanto uma escola que ensina com processos pedagógicos e professores que proporcionam um ensino adequado para as turmas com oficinas, quanto uma instituição que tem atendimento especializado com uma equipe de profissionais da área de saúde, sendo este um atendimento individualizado para cada pessoa com deficiência.

A escola/instituição tem como Missão, a partir de um documento consultado:

Desenvolver um trabalho multidisciplinar que possa viabilizar as pessoas com deficiências e a seus familiares, bem-estar pessoal, social e econômico, sendo paradigma de direito, autonomia e inserção social.  E a sua visão: Ser uma instituição reconhecida dentro e fora da comunidade pela conscientização e o respeito às diferenças, oportunizando atendimento clinico, pedagógico, humanitário, com a finalidade de garantir e melhoria de vida, a integração social e a participação de todos no exercício da cidadania.

 

Os alunos/pessoas são encaminhados à escola/instituição, em consonância com as palavras da diretora:

Através de outra escola ou então de alguma família que tem porque a maioria dos nossos alunos na parte pedagógica tem mais de 14 anos já terminou a escola regular não vai para um EJA dai eles transferem e vem atrás de outro tipo de recursos e se não for encaminhado pela escola vem pela própria família. Na clinica vem de escola regular na equipe de psicologia, psicopedagogia e fonoaudióloga pelo conselho tutelar e a parte de fisioterapia vem através do hospital da universidade os médicos poucos mais alguns encaminham para cá porque sabem que tem fisioterapia e fonoaudiologia.

 

O objetivo da escola/instituição para seus alunos/pessoas é a inclusão social, fazendo com que o aluno seja o mais independente possível para poder ser inserido na sociedade da melhor forma e ampliar os limites da sua qualidade de vida.

A escola/instituição é fundamentada em documentos que são internos e caracterizam-se pela perenidade:

Naquela época até que foi fundada a instituição tem ali no estatuto e no regimento interno através da educação, na época assim em ensino fundamental incompleto dai tinha que seguir todas aquelas regras agora a gente mudou muito, mas o regimento continua ali, mas não quis mexer no regimento.

 

As turmas são organizadas da seguinte forma:

São feitas avaliações na parte clínica, faz uma triagem, uma terapeuta ocupacional ou um técnico que faz uma avaliação, no aluno que vem e é avaliado o potencial, qual o gosto, o que ele gostaria de fazer, o que ele mais tem de interesse e daí são feitas as sondagens; a gente encaminha para uma oficina pedagógica, a professora faz as análises/sondagens durante um mês e vê se o aluno é capacitado para continuar naquela turma. Então, é dividido por níveis, ou seja, por potencialidades de cada um, como tem casos, aqui, que vem pra uma oficina e é para grupo de convivência, descobre que não é pra oficina nenhuma.

 

As oficinais que são oferecidas são de costura/artesanato/bordado, todas ocorrem no turno da manhã, além disso, há atividade de pintura e de TNT, madeira e trabalhos diversos, uma vez que, ali, eles fazem de tudo, incluindo ainda pinturas até em panos de prato. No turno da tarde, realizam-se atividades como reciclagem de papel, com o qual são confeccionadas agendas, blocos e, ainda há reciclagem de filtro de café.

A maioria dos professores são pedagogos entre aqueles que ministram as oficinas, mas também há professores de artes plásticas. A escola/instituição possui também educadores especiais, professores de educação física e educação artística, fisioterapia, fonoaudióloga, psicopedagogia, psicóloga, medico e terapia ocupacional.

Na mesma escola, a opção pelo modo de atendimento, segundo a diretora é “atendimento individual no modo clinica e no caso assim a gente tem grupos, mas dai pega a parte pedagógica que dai tem atendimento de grupo na psicologia”.

A partir dos resultados das entrevistas expostas, pode-se perceber que as escolas/instituições não têm fins lucrativos. No Município as escolas/instituições tem de 10 a 57 anos. Todas com histórias semelhantes, pois suas fundações iniciaram-se com mães, professores, grupos de alunos/pessoas, onde todos sentiam a necessidade de ter um lugar próprio, para atender a esta população especial, por isso procuraram fundar estas escolas/instituições para suprir as demandas e necessidades.

Segundo a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2007):

Organizou-se tradicionalmente como atendimento educacional especializado substitutivo ao ensino comum, evidenciando diferentes compreensões, terminologias e modalidades que levaram à criação de instituições especializadas, escolas especiais e classes especiais. Essa organização, fundamentada no conceito de normalidade/anormalidade, determina formas de atendimento clínico-terapêuticos fortemente ancorados nos testes psicométricos que, por meio de diagnósticos, definem as práticas escolares para os alunos com deficiência (p. 02).

 

As quatros escolas/instruções têm como sua missão, filosofia e visão, perante os alunos/pessoas com deficiência: a prestações de serviços e apoio aos familiares; uma melhora na qualidade de vida com todo o suporte adequado;  e a inclusão social deles na sociedade.                                                                                                                                     Os alunos/pessoas são encaminhados para estas escolas/instituições através da escola, coordenadoria de educação, SMED, universidade, conselho tutelar, médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogas, psicopedagogas, e de familiares.                        Para as escolas/instituições A, B e D o objetivo na formação deste aluno/pessoa, é poder dar subsídios o suficiente para sua autonomia, tanto na vida pessoal quanto na qualidade de vida em sociedade sendo incluído nela. Já para a escola C é que os alunos tenham o acesso aos ensinos fundamentais e médios, além de ingressar em nível superior.                                                                                                                                            O que rege as escolas/instituições A e C é um PPP, contudo na B tem um estatuto e a Politica Nacional de Educação Especial, já a D é fundamentada por estatuto e regimento.                                                                                                                         As escolas/instituições A, B e D, a organização das turmas é feito através das habilidades e potencialidades dos alunos/pessoas, porém na C é organizado por ciclos.                A instituição A oferece oficinas de artesanato, costura em tecidos, MDF, padaria, alfabetização e teatro. Dessa forma a instituição B, tem as seguintes oficinas, alfabetização de letras I e II, grupos de convivência I, II e III, artes, sabão e marcenaria. Já a D oferece oficinas de tecidos, TNT, pinturas e reciclagem.                                               As escolas/instituições A e C os alunos/pessoas tem um atendimento individualizando quando necessitam de mais reforço. Na escola/instituição D o atendimento é do modo clinica.

Contudo o que foi exposto das escolas /instituições, podemos perceber que cada uma delas tem semelhanças, e ao mesmo tempo diferenças, então cada uma tem um perfil (uma representação) de acordo com o seu contexto. Pois, não podemos generalizar uma como referência de todas e sim cada uma é única.

CATEGORIA II: Contexto da Educação Física das escolas/Instituições

Instituição A

Segundo a diretora,

A professora de educação física, no momento está na sala de aula, ela dava aula de dança e de educação física, agora, o que nós temos no lugar da educação física é um projeto da prefeitura que é o Programa de Esporte e Lazer Cidade (PELC) Vida Saudável, daí as gurias vêm dar aula de educação física para eles, então a educação física virou um projeto pra nós. Ajuntam umas, ou três turmas para terem aula e eles gostam muito.

 

A diretora salienta que o projeto vai à instituição duas vezes pela manhã e duas vezes no turno da tarde.

Os conteúdos que são trabalhados nas aulas de educação física no projeto não são claramente conhecidos pela diretora, conforme ela: “não sei te dizer por que faz bem pouco que estão ali e, a princípio, eles estão conhecendo as turmas, o que conseguem fazer, quais atividades conseguem trabalhar para depois começar realmente”.

As aulas de educação física são trabalhadas da mesma forma para todas as deficiências, de acordo com as palavras da diretora:

Observei que fizeram um jogo de futebol e colocaram todos os alunos, até acredito que pra se enturmar mais e também cadeirante junto, depois todos os alunos se dividiram em grupos, daí não sabe como que dividiram estes grupos, se foi pelas deficiências ou não. Com as turmas que estão ali, eles trabalham e não fica ninguém sentado são todos juntos trabalhando.

 

Os materiais utilizados nas aulas são os da educação física; já o espaço para as aulas é um ginásio que está sendo construindo, mas não está pronto, uma quadra coberta e, além disso, há uma pracinha da comunidade.

No que se refere às reuniões da instituição, a diretora afirma:

Tem momento de reuniões, por exemplo, tem professora que tem o mesmo aluno, daí elas se comunicam: o fulano está apresentando tal problema, mas comigo ele não tem, começa a discutir se é uma coisa da turma ou do professor, há evolui o que tu acha, vamos mandar pra outra oficina, ou permanece aqui e elas interagem todo o tempo e criam projetos pra nós, onde todos os alunos participam de todas as atividades, o projeto PELC participada, a gente sempre os chama, tem várias atividades que eles vieram e participaram, reuniões ainda não porque faz pouco que eles estão.

 

Em 2008, foi contratada a professora de educação física que, hoje, está na sala de aula, os professores fazem cursos anuais cujo tema são necessidades educacionais especiais. As reuniões da instituição são feitas a cada 15 dias, mas, às vezes, existe a necessidade de se fazer antes.

 

Instituição B

A instituição não possui nenhum professor de educação física, conforme declara a diretora:

É uma instituição que tem muitas lacunas financeiras, a gente tem priorizado, agora, um avanço com a assistente social, não tem muitas condições, já tentou contratar não consegui, o valor que a gente paga é muito pouco e o profissional também não quer. A gente já tentou via SMED um professor de educação física também há uma carência muito grande de professor de educação física na rede municipal; fazem no projeto, a gente procurou beneficiar a todos no projeto e, anteriormente, tínhamos o projeto de equoterapia; mas a gente sabe da necessidade e a importância da educação física pra os nossos alunos e, infelizmente, não tem. O projeto ocorre uma vez na semana quase todas as turmas vão ao mesmo horário, sendo três acadêmicos da educação física que fazem um grande circuito e as atividades são de motricidades amplas, fina, jogos recreativos são mais lúdicos e é um trabalho em um ginásio na mesma quadra da associação, ali tem gramado sintético um espaço muito bom assim todos os alunos vão à aula independente se é cadeirante vai e participam e os materiais utilizados bolas, cordas e bambolês.

 

A instituição faz reuniões pedagógicas sistemáticas, às quintas-feiras pela manhã e tem parcerias da Rede Ação, Rede Bandeira Social, além disso, o Conselho de Assistencial Social está sempre inserido nas reuniões, mas os membros do projeto da educação física não participam.

Segundo a diretora:

Os professores fazem curso de aperfeiçoamento anualmente, tem um curso que é dado pela SMED que é nacional de todos os profissionais e é fechada a instituição e todos vão para este curso este e outros que aparecerem à gente esta sempre participando.

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A diretora tece algumas considerações a respeito da ausência de um profissional da área de educação física.

Temos uma lacuna muito grande de não ter este professor de educação física aqui, a gente sabe muito da importância, eu sei o quanto é necessário para os nossos alunos e não é por falta de vontade é por, realmente, não poder ter mesmo aqui; não imaginam o quanto é difícil manter a instituição que depende de doações.

Escola C

A escola possui dois professores de Educação Física, os alunos do ensino médio têm dois dias com aulas e o do ensino fundamental tem três dias de aula. Os conteúdos trabalhados, nas aulas de Educação Física, são futebol de salão, ginástica, basquete, vôlei. Para o diretor:

Parecido com o currículo das escolas regulares, mas é mais visual tem as regras fazem sinais com as roupas e usa a língua de sinais para mostrar a pontuação dos jogos; a técnica é a mesma. Eu sou formado em educação física.

As deficiências que a escola possui são, além de surdo, cadeirante, surdo-cego, comprometimento mental, autismo. Segundo o diretor: “fazem adaptações com suas turmas conforme a deficiência dando o mesmo conteúdo para todos”.

Os materiais utilizados, nas aulas de Educação Física, são rede de vôlei, bolas, corda, bambolê, matérias diversos; os espaços usados são a quadra da escola e, se estiver chovendo, o professor e os alunos vão para o barracão do teatro ou uma sala de aula, eles fazem jogos à noite, porque, neste caso, eles não vão à quadra e, por isso, ficam jogando xadrez, dama, baralho, uno[6], ludo[7].

Os professores de Educação Física ingressaram em 2004 e 2006 e o diretor ele ingressou em 2001; até 2006, ele que era o professor de educação física (hoje, diretor).

Os professores fazem trocas interdisciplinares e também participam de seminários, e congressos anuais. Eles conversam entre si, e nas quartas-feiras é realizada a reunião pedagógica da escola, contudo, alguns docentes ainda, sob a orientação do serviço de coordenação, combinam algumas alterações de conteúdos considerando as especificidades das turmas atendidas.

O diretor relato “gosta muito de educação física, tanto que, na segunda-feira e no sábado, temos um grupo surdo que se encontra para jogar futebol no Farrezão[8]”.

Escola/Instituição D

A escola/instituição possui um professor de educação física conforme informa a diretora: “nós estamos sem profissionais na área de educação, na verdade, a única pessoa contratada da educação física sou eu, porque não tem mais ninguém, mas eu ainda trabalho com a área da dança”. Os alunos/ pessoas têm a aula de dança três vezes na semana.

Nas atividades de educação física mais especificamente, relata a diretora:

A maioria dos alunos, que são trabalhados, na dança tem um pouquinho mais de condições física, por exemplo, um paraplégico, eu não consigo trabalhar com um paraplégico, aqui, na nossa escola, porque não tem acesso lá em cima no local, aqui, uma vez a gente já trabalhou quando a gente conseguiu colocar no salão, a gente fazia dança com os paraplégicos, mas a maioria tem melhores condições motoras para trabalhar, a gente analisa se tem algum problema de coração o que não pode, mas a maioria tem múltipla deficiência, mas não grave.

 

As professoras das oficinas desenvolvem alguma atividade das aulas de educação física:

Elas estão trabalhando a recreação com os alunos ai utilizam cordas, aros, bolas e fazem muita caminhada porque eu exijo já que não tem professor de educação física pelo menos caminhada lá na pista da Brigada Militar; pelo menos isso, mas eu fico morrendo de pena deles.

 

Os espaços que a escola/instituição ocupa são o pátio, o campo de futebol e a pista de caminhada da Brigada. Os alunos/pessoas são encaminhados, afirma a diretora “pra mim, nas minhas aulas, as professoras vêm conversam comigo e têm casos que nunca trabalhou dança por ser um aluno muito tímido, muito fechado, daí elas me encaminham o aluno e, aí, eu começo a prática com eles, a maioria é feito assim”.

A diretora é a professora de educação física e faz 23 anos que está na escola/instituição, os professores fazem todos os anos cursos de aperfeiçoamento na área de necessidades educacionais especiais.  As reuniões pedagógicas são realizadas uma vez no mês.

Segundo a diretora “comigo a dança e com as pedagogas recreação não é nada específico como o voleibol”.

A diretora conclui:

Agora, com a inclusão social ainda não está sendo feito o que está escrito no papel aplicado na prática, espero que, um dia, aconteça. E na educação física também não, pois muitos alunos que estavam em escolas regulares e vêm pra nossa escola relatam que são excluídos ainda da educação física, o que não deveria. Com isso, fico bem frustrada e analisar bem o que está acontecendo. Os próprios alunos relatam que isso aconteceu com eles nas suas aulas de educação física.

 

A instituição A possui professora de Educação Física, embora a mesma esteja em sala de aula, não atuando em sua área. Na instituição B não tem professor de Educação Física, já na C ela contempla três professores de Educação Física, sendo que dois ministram as aulas e o outro é o diretor. Por fim na escola/instituições D possui uma professora de Educação Física que atua nas aulas e também, tem o cargo de diretora.

As instituições A e B possuem aulas de Educação Física, porém esta é ministrada em forma de projeto com acadêmicos de graduação que vão até as escolas/instituições proporcionando as práticas para os alunos/pessoas. Em relação à escola/instituição C e D eles tem aulas de Educação Física com os professores da própria escola/instituição.

O conteúdo trabalhado na instituição A ainda não este definido, porque como o projeto é recente na escola eles ainda estão conhecendo os alunos/pessoas para posteriormente fazer um planejamento dos conteúdos, a B trabalho num viés lúdico, já na C o conteúdo é o mesmo do currículo das escolas regulares, mas tendo mais embasamento no visual e em sinais. A escola/instituição D tem como conteúdo a dança para seus alunos/pessoas.

As quatros escolas/instituições nas aulas de educação física comtemplam as deficiência que nela possui. Para Boaventura de Souza Santos (1988) Temos o direito de sermos iguais quando a diferença nos inferioriza; temos o direito a sermos diferentes quando a igualdade nos descaracteriza.

As reuniões pedagógicas na instituição A faz a cada 15 dias, na B e C uma vez por semana, e na D uma vez por mês. Mas já todos os professores fazem curso de aperfeiçoamento anualmente.

As reuniões pedagógicas de alguma forma pode criar um espaço de (re) construção, no qual o professor atua como o próprio agente transformador da sua prática pedagógica (Giroux, 1997), ao mesmo em que fosse transformado por ela (Freire, 1970).

Destaca-se Imbernón (2006) que,

Quando os professores trabalham juntos, cada um pode aprender com o outro. Isso os leva a compartilhar evidências e informação e a buscar soluções. A partir daqui os problemas importantes das escolas começam a ser enfrentados com a colaboração entre todos, aumentando as expectativas que favorecem os estudantes e permitindo que os colegas reflitam sozinhos ou com os colegas sobre os problemas que os afetam (p.78).

Na visão de Moreira (2002) as atividades de formação dever ser organizadas a partir da identificação das reais necessidades por demandas de capacitação dos professores dos sistemas e redes de ensino, considerando “as questões emergentes da troca cotidiana que professor enfrenta em sala de aula” (WEY, 1999, p. 234).

Então, podemos perceber que as escolas/instituições possuem professor de Educação Física, sendo estes professores que estão em outra função, ou

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