Agrotóxicos em xeque

Jornal A Razão, 29/08/2016, Geral, Online

Audiência pública discutiu o desenvolvimento de uma agricultura orgância no município

Plenário da Câmara de Vereadores recebeu dezenas de pessoas, nesta segunda, durante a audiência pública. Foto Gabriel Haesbaert / A Razão
Plenário da Câmara de Vereadores recebeu dezenas de pessoas, nesta segunda, durante a audiência pública. Foto Gabriel Haesbaert / A Razão

O Brasil, desde 2009, é o maior consumidor mundial de agrotóxicos no mundo. O alto índice de neoplasias relacionado aos produtos tem colocado em xeque seu uso de forma indiscriminada. Na manhã desta segunda-feira, na Câmara de Vereadores de Santa Maria, o assunto foi tema de debate durante a audiência pública “Políticas para o desenvolvimento da produção e consumo de alimentos orgânicos em Santa Maria”.

Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o uso de agrotóxicos na agricultura do Brasil saltou de 2,7 quilos por hectare em 2002 para 6,9 quilos por hectare em 2012, crescimento de 155% em 10 anos.

Já o Instituto Nacional de Câncer (Inca) aponta que o Rio Grande do Sul é o Estado com a maior taxa de mortalidade pela doença. Em 2013, foram 186,11 homens e 140,54 mulheres mortos para cada grupo de 100 mil habitantes de cada sexo. O Estado também é líder na estimativa de novos casos de câncer neste ano, com 588,45 homens e 451,89 mulheres para cada 100 mil pessoas de cada sexo.

Conforme a mestranda em Enfermagem na UFSM, Vanessa Rodrigues Pucci, durante a apresentação de dados sobre o tema, os tipos de câncer mais evidenciados em relação à exposição ilimitada dos agrotóxicos são: câncer de pulmão, mama, testículo, tireoide e próstata.

“O uso de agrotóxicos é um grande problema de saúde pública. O câncer é uma doença crônica e que não irá apresentar sintomas no paciente amanhã”, argumenta Vanessa.

A audiência pública teve por objetivo discutir o tema e produzir um documento reivindicando aos candidatos a prefeito a construção de um programa municipal de produção e consumo de alimentos orgânicos. Ao fim do encontro, diversos apontamentos para o desenvolvimento do setor e a diminuição de uso de agrotóxicos na produção de alimentos foram apresentados à Comissão Permanente de Saúde e Meio Ambiente da Câmara de Vereadores.

Segundo o zootecnista e presidente do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea-SM), Juarez Felisberto, foi surpreendente a representação de diversas entidades no evento, como UFSM, Emater, Fepam, Ministério da Agricultura, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, Projeto Esperança/Cooesperança, União das Associações Comunitárias (UAC), entre outras.

“Hoje existe um interesse muito grande pelo consumo de produtos orgânicos. Tudo está caminhando para que Santa Maria desenvolva um movimento de agricultura orgânica”, relata Felisberto.

Para a irmã Lourdes Dill, coordenadora do Projeto Esperança/Cooesperança, é preciso investir na formação dos produtores. A religiosa está à frente do Feirão Colonial, evento que reúne dezenas de produtores rurais, nas manhãs de sábado, no Centro de Referência em Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter.

“Incentivar a produção local é melhor para a saúde. Na economia solidária defendemos o modelo de vida saudável, sem o uso de agrotóxicos”, relata irmã Lourdes.

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