Intercambistas relatam experiências longe dos países de origem

G1 RS, 07/10/2016

Gaúcha viveu na Argentina e na Sérvia e destaca crescimento pessoal.
Colombiano que faz curso na Feevale elogia professores brasileiros.

Sendi Sérvia (Foto: Acervo Pessoal)Sendi Spiazzi em frente ao Forte Kalemegdan, em Belgrado, capital da Sérvia (Foto: Acervo Pessoal)

Fazer um intercâmbio pode ser uma grande oportunidade para estudantes ampliarem seus conhecimentos e adquirirem novas experiências. Existem opções de graduação ou, para quem já é formado, pós-graduação, mestrado ou doutorado. Ou até mesmo o high school, para alunos do ensino médio.

Quem não tem diploma ou não deseja seguir carreira acadêmica, pode fazer um curso de idiomas no exterior, e voltar para o Brasil com um diploma de proficiência em outra língua. Alguns colégios e universidades possuem parcerias com instituições no exterior, o que facilita as “trocas” de alunos. No entanto, o número limitado de bolsas e o alto valor para realizar uma viagem por conta própria pode ser um limitante.

Se não são todos que têm a oportunidade de fazer um intercâmbio, Sendi Spiazzi pode ser considerada uma sortuda em dose dupla. A profissional de relações públicas, de 31 anos, já fez dois intercâmbios: um na Argentina e outro na Sérvia.

Na primeira experiência, em 2005, no país vizinho, ela ainda estudava na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que tinha uma parceria com a Universidad Nacional de Rosario. Sendi ficou na cidade por cinco meses.

“Meus colegas argentinos me ajudaram muito, fazendo trabalhos e explicando alguns conteúdos, principalmente ligados a questões históricas e políticas da Argentina. Eles são muito politizados e a faculdade é mais ‘filosófica’ que no Brasil”, relembra.

Quando foi à Sérvia, Sendi não teve aulas: fez um estágio de marketing no hotel The Regent Club, na cidade de Nis. O intercâmbio foi por meio de uma ONG de estudantes universitários, a Aiesec.

Servia Sendi (Foto: Acervo Pessoal)
Sendi (à direita) com uma amiga no Tempo São
Sava, em Belgrado  (Foto: Acervo Pessoal)

“As unidades de origem e destino da Aiesec que organizaram minha entrevista com a empresa, me receberam lá e fizeram todo o trâmite de estágio, organizaram local para eu morar, enfim, deram todo o suporte necessário ao intercâmbio”, explica.

O país do Leste Europeu foi escolhido justamente por ser um destino pouco comum. “Queria ter a experiência de viver em um país que tivesse a cultura diferente daqui, que via apenas em livros e filmes”, revela.

A volta para o Brasil foi complicada. O intercambista que volta ao país de origem normalmente para por um período de readaptação, por vezes chamado de “síndrome do regresso”.

No caso da RP, a dificuldade ocorreu na volta do segundo intercâmbio. “Eu já estava formada e voltei sem nada em mente. Fiquei um bom tempo procurando emprego, meus amigos já não moravam mais na minha cidade, eu demorei muito a me encaixar novamente na ‘minha vida’”, relata Sendi.

No entanto, Sendi considera ambas as experiências positivas, com aprendizados e ganho de bagagem cultural com as particularidades de cada país. “As viagens foram importantes para desenvolver a fluência nos idiomas e para vivência pessoal. Ajudou-me a respeitar mais as diferenças, ser mais independente e mais flexível”, conclui.

O colombiano Juan Felipe Aguirre, de 23 anos, fez o caminho inverso: veio se aventurar no Brasil. Ele estuda Artes Visuais na Feevale, de Novo Hamburgo, Região Metropolitana de Porto Alegre. Na Colômbia, trabalha como ‘filmmaker’ e gerente em um coletivo de arte urbana e skate, na cidade de Medellín.

Em Novo Hamburgo já realizou uma exposição junto com artistas locais. Além de cursar as disciplinas do curso, nas tardes livres ele realiza trabalhos nos ateliês de artes do Campus.

Aguirre diz que escolheu o Brasil para fazer intercâmbio pela diversidade cultural do país e pela língua portuguesa. “Gosto muito do português e sempre quis aprender, além disso é um país muito belo, com uma biodiversidade impressionante, paisagens incríveis e um povo de uma ‘qualidade humana’ admirável”, explica o colombiano que ficará 6 meses em Novo Hamburgo.

Juan Felipe (Foto: Acervo Pessoal)O colombiano Juan Felipe em dia de aula na Universidade Feevale, em NH (Foto: Acervo Pessoal)

Ele está hospedado em uma casa de família com os chamdos “padrinhos”, designados pela universidade para recepcionar e abrigar os intercambistas. Ele diz que foi muito bem recebido no país. “Tenho tido a sorte de me encontrar com pessoas muito boas com quem tenho ótima relação. Os meus padrinhos também me fazem com que me sinta praticamente em casa”, comemora.

Para Juan, a educação do Brasil é “muito mais completa”. Ele elogia as instalações da universidade e os professores. “Levam as aulas em um ritmo adequado e, embora exigentes, conseguem um equilíbrio entre cobrar responsabilidades e deixar os alunos desfrutar a experiência”, avalia.

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