A Garota da Pedra Divina

Jornal A Razão, 31/10/2016, Cultura, Online

Luciana Minuzzi se inspira em lendas e lugares de Santa Maria para criar contos de horror e ainda dá dicas de artistas fantásticos para o Dia das Bruxas

Jornalista e escritora Luciana Minuzzi se inspira em lendas e lugares de Santa Maria para criar contos de horror e ainda dá dicas de artistas fantásticos para o Dia das Bruxas (Deivid Dutra / A Razão)

Jornalista e escritora Luciana Minuzzi se inspira em lendas e lugares de Santa Maria para criar contos de horror e ainda dá dicas de artistas fantásticos para o Dia das Bruxas (Deivid Dutra / A Razão)

O dia das bruxas, comemorado hoje, é uma data cercada de mistério. Enquanto nos Estados Unidos o tradicional Halloween reúne as famílias nas escolas das fantasias e na compras dos doces que serão distribuídos, no Brasil ainda paira uma atmosfera de supertição sobre o tema. Para a jornalista Luciana Minuzzi, o medo de gato preto ou de bruxas não causa arrepios, mas garante boa parte de sua inspiração. Aos 27 anos, ela divide a faculdade de Produção Editorial na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) com a carreira de escritora, sempre prezando pela temática fantástica em seus escritos. “Comecei a escrever ainda criança e sempre fui atraída pelos temas mais dramáticos e também por fantasia. Escrevia caderninhos e brincava que eram os meus livros”, lembra Luciana, que teve incentivo de vários professores em suas primeiras aventuras com as letras nos bancos escolares.

Foi também na escola que Luciana descobriu seus primeiros autores favoritos. “Queria ler o que chamava de “livros grandes”, que eram os com muitas páginas. Foi a época em que descobri a literatura do Julio Verne”. A importância do autor de “Viagem ao centro da terra” é tão grande na vida de Luciana que ela tem uma tatuagem em sua homenagem. “A vida e a obra dele são especiais para mim. Ele era obsessivo com pesquisa, algo que eu também sou, muito em função da profissão de jornalista”, conta a garota que deu uma pausa em suas criações durante a

faculdade de comunicação e só voltou a escrever contos depois de aprender a “ficcionar o real”.

Essa base realista do trabalho de Luciana, que já participou das antologias de horror “Estrada para o inferno” e “Malditas”, é um misto de autobiografia e curiosidade. Os vários prédios e casas antigos de Santa Maria e suas lendas urbanas já foram pano de fundo de algumas histórias criadas pela escritora. Tanto que acabou criando uma Santa Maria fictícia, batizada de Pedra Divina. “Uso histórias que aconteceram na minha rua, por exemplo. Descobri que o horror pode estar em todos os lugares, partilhando do nosso cotidiano e não apenas nos fogs londrinos”, explica Luciana, fazendo referência a um dos cenários mais presentes na literatura fantástica.

Traços de horror

Nem só de livros vive o universo do horror. Luciana, como boa arqueóloga do tema, adora buscar referências em ilustrações e esculturas. “Sou muito visual. Muitas vezes você olha para uma ilustração e enxerga um mundo completo. Gosto muito do trabalho da Ana Denardin e também das esculturas da Ana Denardin”, comenta. Como também apresenta relações com o grotesco e o mórbido, até lições de anatomia já fizeram parte da preparação de Luciana para escrever um conto.

Meiga, estilosa e antenada com tudo que acontece na cena cultural da cidade, Luciana Minuzzi acredita que o medo é algo importante para a criação do artista. “É um sentimento que deixa claro a nossa humanidade. Em um relacionamento afetivo, é até possível preparar-se para determinadas situações, mas o medo é sempre surpreendente, cada pessoa reage de um modo diante dele. Eu também sinto medo de várias coisas e escrevo sobre elas. O sangue e a violência são apenas recursos do escritor para prender o leitor”, diz Luciana, que por meio de suas histórias pretende tornar o medo uma arte que vai além do dia das bruxas.

 

 

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