Assembleia reúne mais de 5 mil

ClicRBS, 11/11/2016, Diário de Santa Maria, Geral, Impresso, p.12

Reunião chamada pelo DCE buscava posicionamento de estudantes quanto a greves e ocupações

A assembleia do Diretório Central dos Estudantes (DCE) de Santa Maria reuniu milhares de alunos dos cursos da Universidade Federal (UFSM) ao campus na tarde de ontem. O encontro colocou em discussão o apoio à greve dos servidores e professores e as ocupações dos prédios da universidade.

Inicialmente programada para ser realizada no Centro de Ciências Rurais (CCR), a reunião foi transferida para o largo do Planetário. Bem antes do horário marcado para o debate, 17h, o entorno do prédio já estava cheio de estudantes. Eles vinham de todos os lados do campus, a pé, de bicicleta, de ônibus e de carro. O sol que elevou a temperatura a 30ºC em Camobi, segundo o Setor de Meteorologia da Base Aérea de Santa Maria (Basm), também fez com os alunos tentassem se proteger usando sombrinhas e guarda-chuvas e procurando as sombras das escassas árvores das redondezas.

Quem parava em frente ao Planetário via dois grupos de estudantes com posições divergentes. À esquerda, os que defendiam a ocupação e a greve geral, portavam cartazes contra a PEC 55 e contra o presidente Michel Temer fazendo bastante barulho. À direita, em menor número e mais discretos, aqueles que queriam a desocupação dos prédios e a manutenção das aulas. De longe, dois vigilantes acompanhavam a movimentação.

Às 17h15min, a multidão começou uma caminhada em direção ao estádio do Centro de Educação Física e Desportos (CEFD). Os estudantes ocuparam praticamente toda a arquibancada, que tem capacidade para mais de cinco mil pessoas. De novo à esquerda, os pró-ocupação, preenchiam dois terços da escadaria. Entre eles, militantes do Movimento Sem Terra (MST) tremulavam uma bandeira. À direita, os que defendiam as aulas representavam um terço da massa.

Conforme o DCE, o atraso para início da assembleia ocorreu porque a organização não esperava a presença de tantos estudantes e, por isso, foi necessária a mudança de lugar. Além disso, foi preciso chamar um carro de som, que só chegou ao campus, às 18h30min.

Até esse horário, o evento transcorria com tranquilidade, mas a expectativa anterior era de tensão. Isso porque, nas redes sociais, há relatos de ameaças aos estudantes que ocupam prédios da universidade. Ontem, a A página da Seção Sindical dos Docentes da UFSM (Sedufsm) reproduziu trecho de uma postagem, considerada pela entidade como incitação à violência.

À RBS TV, o reitor Paulo Burmann disse que a Polícia Federal já foi acionada e está monitorando as manifestações. Ontem, ele se reuniu com diretores dos Centros para discutir a situação.

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