Protestos na UFSM estão apenas no início

Jornal A Razão, 10/11/2016, Geral, Online

Estudantes e servidores são contrários ao avanço da PEC 55 no Senado

Prédio do Centro de Educação da UFSM foi ocupado na noite de quarta-feira. Foto: Gabriel Haesbaert / A Razão
Prédio do Centro de Educação da UFSM foi ocupado na noite de quarta-feira. Foto: Gabriel Haesbaert / A Razão

As ocupações de prédios e a paralisação de serviços na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) estão apenas no começo. Quem confirma são os próprios organizadores dos protestos que tiveram início este mês. O principal-alvo é o avanço da Proposta de Emenda Constitucional 55/2016 (antiga PEC 241) no Senado Federal.

A PEC 55 restringe os investimentos em políticas públicas à taxa de inflação do ano anterior por um período de 20 anos, atingindo as áreas de educação e saúde. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou quarta-feira o relatório do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) favorável à Proposta de Emenda à Constituição que estabelece um teto para os gastos públicos. O 1º turno de votação no plenário principal está previsto para 29 de novembro.

Os acadêmicos da UFSM contrários à PEC já ocuparam duas unidades do Centro de Ciências Sociais e Humanas (CCSH), e os prédios do Centro de Artes e Letras (CAL) e Centro de Educação (CE). Os estudantes se organizam em coletivos e não concedem entrevistas à imprensa. As informações são transmitidas através de fanpages no Facebook.

Através da página www.facebook.com/ocupaccshufsm os alunos solicitam doações de alimentos e produtos de higiene e limpeza. Não há previsão de quando irá ocorrer à saída do prédio.

A União Nacional dos Estudantes (UNE) estima que 186 instituições de ensino superior estão ocupadas por estudantes. Este já é considerado o maior movimento registrado na história da UNE.

R.U

Os servidores da UFSM estão em greve desde o dia 3 de novembro. Os primeiros efeitos da paralisação são sentidos no Restaurante Universitário (RU), que não abre desde quarta-feira. Todavia, moradores das Casas dos Estudantes (CEUs) com benefício sócio-educativo ativo e indígenas irão receber um kit de alimentos com duração prevista de uma semana.

“Este kit terá carne, hortifrutigranjeiros, leite, pão, entre outros alimentos”, afirma o diretor do RU, Gilson Bichueti.

A primeira distribuição irá ocorrer hoje, no campus e no Centro. Mais informações sobre os agendamentos de entregas no site www.ufsm.br/ru.

HUSM

O Comando de Greve dos servidores se reúne diariamente em uma barraca em frente ao Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE). Conforme a coordenadora de Formação Política e Sindical da Associação dos Servidores (Assufsm), Loiva Chansis, a o movimento tem conquistado uma boa adesão neste início de greve.

“Em breve, vamos agendar uma reunião para tratar da greve no Hospital Universitário (HUSM), pois é um local que requer todo um cuidado especial em razão dos pacientes”, explica Loiva.

Os servidores apoiam as ocupações dos prédios pelos estudantes e esperam que o movimento ganhe força com a greve dos docentes a partir do dia 25 de novembro.

“Esta é a hora da unidade. A Câmara dos Deputados atropelou a discussão sobre a PEC 55. Nós não temos saída, a greve é a forma como encontramos para pressionar o governo”, avalia Loiva.

Protesto amanhã

Os movimentos sociais preparam um grande ato contra a PEC 55 amanhã, às 17h30, na Praça Saldanha Marinho. Conforme a Seção Sindical dos Docentes da UFSM (Sedufsm), os professores da instituição irão paralisar as atividades nesta sexta e aderir ao protesto. Hoje, começando a 17h, o estudantes da UFSM estão reunidos em assembléia geral para decidir o futuro das manifestações.

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