Inicia a desocupação em área da UFSM

Jornal A Razão, 20/02/2017, Geral, Online e Impresso

Na sexta-feira, cinco das 31 famílias que residem na área receberam uma intimação judicial exigindo a saída até as 7h40 de hoje.

Por quase três décadas Edi Lencina morou na área ao lado da olaria da UFSM. Como não possui recursos para construir uma casa no local cedido pela Prefeitura, ele resolveu alugar uma casa no Passo das Tropas (Foto: Maiquel Rosauro / Especial / A Razão)

Por quase três décadas Edi Lencina morou na área ao lado da olaria da UFSM. Como não possui recursos para construir uma casa no local cedido pela Prefeitura, ele resolveu alugar uma casa no Passo das Tropas (Foto: Maiquel Rosauro / Especial / A Razão)

Após décadas vivendo dentro do campus da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), as famílias que residem ao lado da olaria iniciaram na manhã desse sábado o processo de desocupação do local. Duas casas foram desmontadas pelos próprios moradores

“Eu morei aqui com minha esposa e filhos por quase 30 anos e a única ajuda que vão me dar para sair será derrubar minha casa com uma máquina. Eu resolvi me antecipar e desmontar tudo eu mesmo para ficar com as madeiras”, avalia o serviços gerais Edi Lencina, 55 anos, que agora aluga uma casa no Passo das Tropas.
Na sexta-feira, cinco das 31 famílias que residem na área receberam uma intimação judicial exigindo a saída até as 7h40 de hoje. Os demais ocupantes têm até o dia 22 de março para deixarem a área.

É o caso de Amauri Severo de Souza, 72, que há mais de 40 anos possui uma casa na entrada da ocupação.
“Minha família está se despedaçando, cada um está indo para um lado. É uma injustiça”, lamenta o aposentado que ainda não sabe onde será seu novo lar.

Área cedida não tem luz

Os primeiros moradores chegaram ao local no início da década de 1960 para trabalhar na olaria que produziu os primeiros tijolos para a construção da UFSM. À época, a própria instituição convidou os trabalhadores para residirem na área. Com o tempo, as famílias foram crescendo e novas casas foram construídas.

Os problemas tiveram início em 2004, quando uma das famílias entrou com uma reivindicação de usucapião da área federal. O pedido foi aceito em primeira instância, mas negado em segunda e, não tendo sido apreciado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), transitou em julgado. Com isso, passou a ser cobrado que deixem o local.

A Prefeitura de Santa Maria intercedeu no caso e, durante uma audiência conciliatória em agosto do ano passado, ficou determinado que o Município cederia uma área no Bairro Nova Santa Marta e a UFSM teria que arcar com a demarcação das residências. Tanto a universidade quanto o Executivo cumpriram o acordo.
O local cedido também possui ligação de água, mas não conta com energia elétrica. Conforme a Prefeitura é preciso haver pelo menos uma casa no terreno para a RGE Sul realizar a instalação.

O fato de ter de morar do outro lado da cidade e não possuir luz no local desagradou as famílias. Eles também alegam que não têm condições financeiras para construir novas casas, preferindo assim alugar residências na periferia da cidade.

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