UFSM poderá paralisar atividades em setembro

Diário de Santa Maria, 18/04/17

 UFSM poderá paralisar atividades em setembro Fabiano Bohrer/Câmara de Vereadores

Reitor Paulo Burmann  se reuniu com os vereadores e definiu a situação da universidade como catastróficaFoto: Fabiano Bohrer / Câmara de Vereadores

O sinal de alerta foi ligado na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) diante da possibilidade de os cortes feitos nos primeiros três meses de 2017 no orçamento da instituição do ensino, que é de mais de R$ 1 bilhão, estender-se para todo o ano. Se for confirmado o contingenciamento, informou o reitor da UFSM, Paulo Burmann, a universidade pode amargar um déficit em 2017 de R$ 28 milhões em custeio, recurso que mantém o funcionamento da instituição, além de R$ 29 milhões em verbas de investimentos.

Caso os repasses não sejam regularizados até setembro, inclusive as aulas podem paralisar, alertou o reitor.  A preocupação com os cortes no orçamento e o risco de afetar o funcionamento na UFSM foi compartilhada com os vereadores, na tarde de terça-feira.

– Isso é muito! Nós estamos diante de uma situação crítica. Se isso acontecer (confirmação dos cortes), há risco, sim, de parar tudo, não haverá recursos para pagar os fornecedores – confirmou o reitor, no início da noite, ao Diário, sobre a possibilidade de até as aulas pararem.

Além da manutenção da universidade, os cortes podem afetar as mais de 30 obras em andamento. O Ministério da Educação sinalizou, conforme Burmann, com a liberação dos recursos para o campus de Cachoeira do Sul, o que daria um alívio financeiro na instituição como um todo, entretanto não há uma certeza sobre a vinda dessa verba.

– Temos um grande volume de obras em andamento e isso gera um impacto grande no setor da construção civil. As empresas acabam sendo forçadas a fazer demissões sem os nossos pagamentos – explicou, definindo a situação como ¿catastrófica¿.

O efeito dos cortes já teve reflexos. Neste mês, 68 vigilantes receberam aviso-prévio da empresa terceirizada que presta o serviço à UFSM.

– Nós não queremos ver o trabalhador sem emprego. É triste, mas a universidade precisa responsavelmente fazer a gestão – argumentou Burmann, acrescentando que todos os contratos da instituição estão sendo revistos.
No encontro com os vereadores, ele relatou que o Hospital Universitário (Husm) também passa por dificuldades, já que não recebeu nenhum recurso federal desde o início do ano e por três meses deixou de pagar as empresas terceirizadas.

– O Husm recorreu à Reitoria e nós fomos até o Ministério da Saúde e à Ebserh (empresa que administra o hospital) para conseguir o dinheiro para pagar este atraso. Nosso temor era a demissão de todos estes funcionários e o fechamento do hospital. Não estamos fazendo drama, esta é a atual realidade – afirmou Burmann, na reunião.

Mobilização

O reitor frisou que o fôlego financeiro que a UFSM tinha acabou e que há apenas uma pequena reserva para trabalhar, contando que os repasses sejam regularizados em breve.

–Vim até aqui pedir a mobilização de todos os vereadores para que lutemos pela nossa universidade. Quero que todos compreendam que a UFSM é de todos nós – justificou Burmann, enfatizando que a instituição tem grande importância no desenvolvimento de Santa Maria e região.

Após a reunião, ficou acertado que cada vereador irá falar com deputados e senadores de suas bancadas. A Câmara também realizará uma sessão plenária na UFSM em maio para propiciar que a instituição exponha novamente sua situação.

– É importante que cada um dos vereadores fale com os parlamentares de suas bancadas para ver o que se pode fazer– disse o presidente da Casa, Admar Pozzobom (PSDB).

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