Empresa incubada na UFSM faz drones para agricultura de precisão

Diário de Santa Maria, 10/05/17,Economia e Politica, Online

Por meio de câmeras e de um software, o produtor rural tem acesso a imagens capazes de identificar doenças e outros problemas nas lavouras

Empresa incubada na UFSM faz drones para agricultura de precisão Gabriel Haesbaert/Newco DSM

Foto: Gabriel Haesbaert / Newco DSM

Está prestes a alçar voo uma empresa que promete oferecer uma valiosa ferramenta para a agricultura de precisão. Incubada na Pulsar Incubadora, da Agência de Inovação e Transferência de Tecnologia (Agittec), da UFSM, a Auster Tecnologia projeta e fabrica aeronaves remotamente tripuladas (ART) para finalidades comerciais. Por meio de câmeras embarcadas nos drones e do software desenvolvido pela empresa, o produtor rural tem acesso a imagens aéreas capazes de identificar doenças e outros problemas nas lavouras.

Composta por 10 pessoas, nove delas ainda estudantes de graduação na UFSM, a empresa iniciou a incubação no último mês de agosto. Mas os estudantes, na maioria dos cursos de Engenharia de Controle e Automação e de Engenharia Mecânica, já desenvolviam pesquisas e testes com drones desde 2013, com os quais participavam de competições. A iniciativa de transformar os projetos em uma empresa partiu da identificação da grande demanda pela aplicação comercial da tecnologia.

– Somos uma das poucas empresas do país que projetam o drone desde o começo, e esse é o nosso diferencial, o domínio da tecnologia – afirma Eduardo Engel, um dos fundadores.

E, nesse mercado, o céu é o limite, literalmente. Os drones movimentaram mais de 220 milhões de dólares até 2016, somente no Brasil. E o número pode dobrar neste ano, conforme especialistas do setor. Além da aplicação na agricultura, a Auster faz parte do Polo de Defesa de Santa Maria, pelo potencial de fornecer tecnologia para as Forças Armadas.

Por conta do grande potencial dos drones na agricultura de precisão, a empresa se direcionou para desenvolver soluções customizadas para empresas de assistência técnica no meio rural e para agricultores. O modelo de negócios, que ainda está sendo delimitado, deve contemplar a prestação de serviços de mapeamento de áreas agrícolas e a venda dos sistemas para interessados em operá-los diretamente. Fornecendo o produto, será necessário capacitar usuários.

Há até pouco mais de uma semana, a legislação brasileira não permitia voos comerciais de drones, apenas em pesquisas acadêmicas. Mas, após a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) regular o uso, a operação se mostrou plenamente viável. Em parceria com o Insituto Phytus, a Auster tem feito testes para validar o processamento das imagens.

A intenção é, já neste inverno, oferecer o serviço para produtores de trigo e, na próxima safra de verão, colocar o produto à venda para sojicultores. Mas as aplicações possíveis também abarcam pastagens, cana-de-açúcar, café e algodão.

– Nós queremos tornar esse mercado cada vez mais profissional, assim como é com a aviação tripulada. Não é brincadeira, apesar de lembrar o aeromodelismo. Para isso, estamos fazendo testes para determinar a vida útil das aeronaves – comenta Saulo Penna Neto.

Em comparação com o uso de aviões convencionais, o custo dos drones é muito menor, além de que não é necessário ter uma pista de pouso e decolagem – o equipamento decola com uma espécie de catapulta e aterrissa com um para-quedas – nem de um piloto profissional.

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