Chip criado em Santa Maria será usado na fabricação de luminárias de LED

Diário de Santa Maria Online, 19/06/2017.

Chip criado em Santa Maria será usado na fabricação de luminárias de LED Claudio Vaz/Agencia RBS

Foto: Claudio Vaz

Mesmo depois de ficar sem incentivos do governo federal, a desenvolvedora de chips Santa Maria Design House (SMDH) segue com seu trabalho na UFSM, mas com dificuldades. A falta de repasses trouxe impactos: o número de pesquisadores caiu de 20 para apenas cinco, o que obrigou a empresa a paralisar o projeto de desenvolvimento de um novo chip, de 16 bits, que poderia ser usado para conectar eletrodomésticos e eletrônicos à internet. Apesar das dificuldades, a empresa poderá agora colher bons frutos com um chip criado no passado.

Segundo o coordenador da SMDH, João Batista Santos Martins, o BNDES lançou uma normativa em que vai incentivar a produção de luminárias de LED para iluminação pública, com financiamento a juros mais baixos, desde que a indústria use tecnologia nacional. Isso abrirá mercado ao primeiro chip criado pela SMDH, que é um microcontrolador que pode ser usado para acionar esse tipo de luminária.

OPINIÃO DO COLUNISTA DENI ZOLIN:

Não é novidade que o Brasil está muito atrasado nessa área de tecnologia. Mas o revoltante é que a Santa Maria Design House é uma das poucas desenvolvedoras de chips que ainda seguem em atividade no país, pois o governo Temer cortou praticamente todas as verbas para as pesquisas nesse setor.

O mais grave é que estamos desperdiçando a chance de recuperar o tempo perdido e ainda vamos pagar o preço desse atraso nas próximas décadas. Seguiremos importando praticamente toda a tecnologia de chips, o que significa perda de receita e de geração de empregos de ponta, além de uma desvantagem competitiva com outros países.

O coordenador da Santa Maria Design House faz um desabafo:

– Infelizmente, no Brasil, é difícil. Essa falta de investimento na nossa área é um atraso para um país que poderia estar lá no topo. Falta visão dos governantes em perceber o que uma área de semicondutores pode representar para um país. Países como a Coreia do Sul, que investiram em tecnologia, hoje são primeiro mundo disparados. E não faz muito tempo isso, foi na década de 90. A Samsung é o maior exemplo disso, é uma potencial mundial. É a seriedade de colocar recursos em uma área estratégica cujo retorno está se convertendo agora – comenta João Batista.]

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