Entidades perguntam, candidatos a reitor respondem

Diário de Santa Maria, 24/06/2017.

Entidades perguntam, candidatos a reitor respondem Lucas Amorelli/New Co DSM

Foto: Lucas Amorelli

Prefeitura (Jorge Pozzobom) – Mais do que perguntar, eu quero que o futuro reitor da UFSM assuma dois compromissos com a saúde de Santa Maria: a ampliação do convênio com a prefeitura para que os residentes da área da saúde atuem nas unidades básicas de saúde da cidade e a parceria com o município para que possamos, juntos, criar o terceiro turno da saúde na unidade Wilson Paulo Noal, em Camobi.

Paulo Burmann – Tratativas já estão sendo encaminhadas nesta direção pela atual gestão e queremos melhorar ainda mais. Os residentes da Multiprofissional já estão atuando nas UBS. Os residentes médicos de saúde da família e comunidade também têm na atenção básica suas atividades. Já os residentes médicos das demais áreas médicas, em especial nas grandes áreas como clínica médica, cirurgia, pediatria, ginecologia e obstetrícia, entre outros, estão em fase de ajustes por meio da Coordenação da Residência Médica, que nos representa, a prefeitura e os profissionais próprios do município, no âmbito de suas unidades, para a preceptoria. Quanto à unidade de Camobi, trata-se de uma unidade básica e como tal já recebe estudantes em estágio e estará contemplada junto com as demais para os residentes. No que se refere ao terceiro turno, sempre reconhecemos a sua importância para Camobi e é de nosso total interesse auxiliar na viabilização.

Dalvan Reinert – Temos certeza de contar com muitas parcerias com a prefeitura de Santa Maria. Contudo, serão tratativas que envolverão os vários setores da UFSM, da municipalidade e também do governo do RS. Entendemos que o campus de Camobi, por si só, é uma cidade com 30 mil pessoas interagindo diariamente. O mesmo se dá com o bairro. Portanto, além das referidas já existentes, urge a criação de uma unidade nos limites do campus. A ser pensada como inovação de serviços 24 horas à população.

Helenise Antunes – Diferente de outras candidaturas, a futura reitora da universidade não assumirá compromissos com gestores, mas sim com a comunidade interna e externa da UFSM. A política não será feita em gabinetes, mas no diálogo público e horizontal com todos aqueles que são envolvidos e afetados pelas políticas da saúde. Propomos a renovação do convênio do Hemocentro, esquecido pela atual gestão, e a ampliação do atendimento de saúde em Camobi, dando atenção à comunidade da UFSM.

UAC – Há previsão de que as aulas das universidades passem a ocorrer fora dos campi, diretamente nas comunidades da periferia, nos postos de saúde?

Algumas atividades teórico-práticas dos nossos cursos já são realizadas fora do espaço da UFSM. Na saúde, diariamente os alunos estão nos serviços de saúde da região, especialmente, os residentes médicos e multiprofissional dos cursos de Medicina, Enfermagem, Odontologia, Fisioterapia, Fonoaudióloga, Terapia Ocupacional, Serviço Social, Educação Física, Psicologia, Nutrição, Farmácia e Medicina Veterinária. Nossa proposta é de contribuir ainda mais com a saúde e o bem-estar social.

Dalvan – Colocaremos em análise em 2018, nas diferentes áreas de conhecimento da UFSM, a concepção de propostas de ensino semipresencial, inovadoras e flexíveis, que permitam às pessoas de todos os segmentos sociais acessarem o ensino superior mantendo-se vinculadas a suas atividades laborais ou de vivências. Isso inclui, por exemplo, cursos voltados aos profissionais do comércio, dos serviços de saúde (amplos e diversos em Santa Maria), construção civil e produção rural.

Helenise – Uma universidade pública precisa interagir com a comunidade para resolver os problemas. Formar um conselho popular para acompanhar e avaliar as políticas da gestão, incentivar os programas de residência multiprofissional, criar um setor específico para o atendimento à comunidade, debater a reforma urbana, possibilitar a participação de alunos residentes nas áreas periféricas nos projetos de extensão, são algumas propostas para aproximar a UFSM da comunidade.

Cacism – Qual sua proposta para que se possa levar a experiência da classe empresarial a alunos da UFSM e, em contrapartida, contarmos com pesquisadores para demandas importantes como aprimoramento de produtos?

Burmann – A UFSM, através da Agittec, tem desenvolvido diversos encontros da classe empresarial com empresas incubadas formadas por estudantes da nossa instituição. Muitos dos empresários de nossa cidade atuam hoje como mentores de empresas formadas por discentes empreendedores da UFSM. Em 2017, foi lançado o edital FIT/APL com o objetivo de fomentar o desenvolvimento regional através do incentivo à solução de problemas tecnológicos das empresas vinculadas aos APL¿s (Arranjos Produtivos Locais) metal-mecânico e centro-software de Santa Maria, movimentos inéditos na universidade. Nos próximos anos, ampliaremos ainda mais essas e outras ações.

Dalvan – Cada área do conhecimento da UFSM tem as suas especificidades. E elas são muitas. Através da Prograd, PRPGP (Pró-reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa) e CEBTT (Coordenadoria de Educação Básica, Técnica e Tecnológica) em consonância com as coordenações de cursos e direções de unidades, seguindo-se as particularidades de cada currículo, esta interação sempre será importante e bem-vinda. Aliás, como já acontece. Focamos na necessidade de mais eventos comuns e parcerias para a consecução de propostas, as quais nos desafiem à solução de problemas locais e regionais.

Helenise – Nossa proposta é muito clara na sua concepção em relação ao mercado: o conhecimento produzido com o dinheiro público não deve jamais ser objeto de apropriação privada, mas ser utilizado para promover o progresso do mais amplo conjunto da sociedade que o financia. Nossa principal contribuição com a classe empresarial deve ser a formação de bons profissionais para atuar no mercado, sintonizados com o seu tempo e com uma visão crítica acerca do mundo do trabalho.

Adesm – Qual seu projeto para que o conhecimento gerado na universidade seja melhor aplicado na sociedade santa-mariense? 

Burmann – Recentemente lançamos o mapeamento tecnológico (http://www.agittec.ufsm.br/mapeamento), dando visibilidade às potencialidades dos grupos de pesquisa da UFSM. Também estreitamos ações com Santa Maria Tecnoparque e criamos a coordenadoria de transferência de tecnologia na Agittec, que tem prospectado projetos junto a empresas de Santa Maria. Ampliaremos o mapeamento dos grupos e continuaremos investindo em parcerias para que as pesquisas da UFSM tragam ainda mais benefícios à sociedade de Santa Maria e região.

Dalvan – A UFSM é resultado de um ¿projeto¿ que já tem 57 anos, idealizado e executado, inicialmente, pelo reitor José Mariano da Rocha Filho. Nas centenas de cursos de graduação, Ensino Médio, EaD e pós-graduação, além dos milhares de projetos de ensino, pesquisa, extensão e administrativos que realiza, o conhecimento gerado pela instituição tem por foco sempre a sociedade. Novos cursos, por exemplo, conforme expectativas da área de ¿serviços¿ serão prioridades.

Helenise – Estamos propondo uma extensão universitária muito além da simples transferência de tecnologia. Fazer extensão não é apenas prestar um serviço, mas construir as condições necessárias para que a sociedade assuma sua própria autonomia, seja na cultura, na ciência ou na tecnologia. O nosso programa contempla inúmeras ações que deverão articular as políticas de ensino, pesquisa e extensão numa perspectiva de compromisso com o desenvolvimento da região.

 

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